Políticasegunda, 11 de agosto de 2008
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Campanha religiosa anti Luizianne será protestada pela coligaçãoO material afirmava, dentre outras acusações, que Luizianne faz apologia à prostituição e à homossexualidadeVeja também
Fotos: DANIEL NEGREIROS / O ESTADO Um movimento religioso autodenominado Convenção de Ministros das Assembléias de Deus Unidas do Ceará (Comaduec) afixou, em quatro pontos da Cidade, cartazes contrários à postulação da petista Luizianne Lins a reeleição. Também foram identificados outdoors em três locais e a distribuição de panfletos com esse mesmo teor. O material afirmava, dentre outras acusações, que Luizianne faz apologia à prostituição e à homossexualidade. A partir disso, a Comaduec citou seis motivos para o eleitor não votar na prefeiturável e ainda deixou um telefone para mais explicações sobre o manifesto. O Estado foi a um dos locais onde o reclame estava exposto: no cruzamento das avenidas Domingos Olímpio com Aguanhambi. Lá, quatro cartazes com as cores do PT estavam num muro já repleto de propagandas e afirmavam: "Luizianne é contra a Bíblia e o Povo de Deus. Diga Não à Luizianne". De acordo com um flanelinha que fica no cruzamento e não quis se identificar, o material foi afixado por volta das duas da manhã, numa ação rápida e que não permitiu qualquer identificação de seus autores. A redação entrou em contato com a Convenção no 8871.4489, número indicado nos cartazes e panfletos, para saber o porquê dos ataques. Numa primeira tentativa, um homem chamado Evangelista J. Menezes atendeu. Contudo, disse que não podia falar e desligou sem mais explicações. Em seguida, a ligação chegou a ser aceita, mas, de pronto, uma voz não identificada falou, em tom de ameaça, a quem estava com o aparelho em mãos: "você não atenda esse telefone!". E, mais uma vez, a linha foi cortada. Numa terceira vez, um outro homem, agora chamado Roberto e dizendo-se faxineiro da Comaduec, atendeu e informou que o único autorizado a falar sobre a crítica à Luizianne era o tal Evangelista e que ele já tinha ido embora. A advogada da coligação que defende a candidatura de Lins, Isabel Mota, classificou o ato como referência mentirosa, conduta sem ética e propaganda irregular, e disse que hoje vai entrar em duas representações na Justiça Eleitoral: uma referente aos panfletos e outra para os cartazes e outdoors. Segundo Isabel, o documento solicita a retirada imediata de todos os materiais e a notificação dos responsáveis para que esse tipo de material não seja mais produzido. Caso a Comaduec descumpra a indicação de se desfazer dos ataques poderá será multada em R$ 50mil diários. A hipótese de recorrer à Justiça comum para solicitar reparação de danos ainda não está sendo estudada pelo setor jurídico de Luizianne. "Só querem gerar pânico na população", afirmou a advogada, garantindo que não pretende procurar a Comaduec para pedir explicações. "Não temos o que falar com esse tipo de gente", complementou. Pastor Neto Nunes (PSC), que é o único candidato a prefeito declaradamente evangélico, fez questão de esclarecer que não tem nenhum tipo de ligação com a ação anti-Luizianne. Ele disse que faz parte da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB), outro movimento religioso que, segundo ele, não tem nada de similar com a Comaduec. "Fui pego de surpresa e soube porque várias pessoas me ligaram", declarou. Neto Nunes disse que discorda desse tipo de manifestação e estranhou o fato de a Comaduec estar agora contra a prefeita, pois, nas eleições passadas, conforme ele, a Convenção era a favor da vitória da petista. Ele lembrou que assinou um pacto pela ética na política e reiterou que sua postura é de não colaborar com ações que venham a denegrir a imagem de seus adversários. “Não estou aqui para defender ninguém, mas essa questão da Bíblia já foi até esclarecida pela prefeita", finalizou. Comentários
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