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Opinião

quinta, 16 de julho de 2009
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Na tormenta com Sarney - ou O Cavaleiro da Desesperança

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“É importante que o Senado esteja sendo dirigido, neste momento, pelo presidente José Sarney, porque, em meio à tormenta, precisamos de gente que tenha coragem de enfrentar as tormentas. Tem gente que não tem, afrouxa na primeira. Sarney é um homem que defendeu a democracia no Brasil, é importante ressaltar esse aspecto numa hora como a que estamos vivendo”.

Foi com essas tocantes palavras de solidariedade que o representante cearense, senador Inácio Francisco de Assis Nunes Arruda, do PC do B, iniciou um pronunciamento no Senado Federal, dia 30 de junho passado, por ocasião de uma importantíssima sessão em homenagem ao quinquagésimo aniversário da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil. A íntegra pode ser conferida no site www.senado.gov.br.

Houve um tempo em que os comunistas sonhavam em instalar a ditadura do proletariado, que na verdade, como prova a História, não passa de uma ditadura como outra qualquer, comandada por burocratas do partido. Agora, os representantes dessa ideologia, pelo menos os seus líderes no Brasil, se contentam lutar por uma democracia que tem Sarney como sua personificação.

No fundo, apesar das aparências, não há nisso contradição alguma, pelo contrário. Luís Carlos Prestes, ídolo e exemplo dos comunistas brasileiros, passou a vida lutando contra Getúlio Vargas, seu inimigo. Preso com a mulher Olga Benário em 1936, Prestes amargou nove anos de cadeia, enquanto Olga foi entregue aos nazistas e executada em 1942. Ainda no cárcere, seguindo a orientação de Moscou, o “Cavaleiro da Esperança” passou a apoiar o regime ditatorial de Getúlio, para que este apoiasse os Aliados contra o Eixo. Pelos serviços, o revolucionário foi anistiado em 1945 por seu conterrâneo.

Prestes deve ser o modelo a inspirar Inácio. As convicções pessoais (inegável expressão do individualismo) e os pudores da moral burguesa devem ser deixados de lado diante das conveniências políticas da “causa”. Agora, em vez de Moscou, é Lula quem ordena aos comunistas uma aliança com velhos oligarcas. As palavras do presidente, ditas na última terça-feira (14) em Alagoas, não deixam dúvidas: “Quero fazer Justiça ao senador Collor e ao senador Renan, que têm dado sustentação ao governo em seu trabalho no Senado”. Curiosamente, todos esses criticam a imprensa de denuncismo.

Somente a disciplina de um genuíno militante comunista pode fazer alguém defender o indefensável e ainda posar de justiceiro com a consciência limpa. No entanto, é preciso reconhecer que Inácio tem coragem de se expor para agradar ao comando. Seus correligionários no Ceará, o deputado federal Chico Lopes e o deputado estadual Lula Morais, pouco ou nada falam sobre o caso, certamente para se preservarem. Ou será que eles também estão ao lado de Sarney, Jader Barbalho, Renan e Collor?

PS. Foi com essa disposição “democrática” que o senador Inácio Arruda conquistou o direito de compor o Conselho de Ética do Senado. Nada mais justo. www.wanfil.blogueisso.com.

Wanderley Filho
Historiador



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