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Opinião

quinta, 23 de julho de 2009
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Tempo de imprevidência

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O jornal Folha de São Paulo informou, na edição do último dia 19 de julho, que o ministro da Previdência Social, José Pimentel, do PT cearense, teria sido convencido pelo presidente Lula a disputar uma vaga para o Senado.

Ninguém confirma ou desmente, o que significa dizer que o ministro aprecia a possibilidade.
Essa possibilidade ilustra bem o momento que vivemos. Em 2006, Pimentel conseguiu o seu quarto mandato de deputado federal, sempre pelo Partido dos Trabalhadores. Em 2008, licenciou-se da Câmara dos Deputados para assumir o cargo de ministro da Previdência Social.

Passado um ano, agora podemos ver os primeiros resultados de sua gestão. No acumulado do primeiro semestre de 2009, a Previdência Social apresentou um déficit de R$ 21,547 bilhões, o que representa alta de 10,7% na comparação com o mesmo intervalo no ano passado. O aumento do saldo negativo previdenciário se deu apesar do crescimento de 5, 4% na arrecadação no mesmo período. Resumindo: o Ministério do possível candidato Pimentel conseguiu ficar mais pobre mesmo recebendo mais dinheiro. Trata-se de um feito administrativo e tanto. Explicações não haverão de faltar, como nunca faltam. Mas o números são esses.

No Brasil é assim. Políticos gerenciam a máquina de forma perdulária com a intenção de viabilizar candidaturas, conquistar aliados e simpatizantes. Quer ser simpático, querido e popular? É só distribuir benesses a fundo perdido. Quer ser odiado, desprezado e impopular? Tente consertar o rombo nessas contas.

De de 1898 a 1902, o presidente Campos Salles comandou uma das administrações mais austeras da história brasileira e por isso deixou o Palácio do Catete sob vaias. Mas foi graças ao seu governo que seu sucessor, Rodrigues Alves, conseguiu fazer investimentos em urbanização.

O tempo passou mas pouca coisa mudou. A secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, foi demitida por ter revelado uma manobra contábil da Petrobras para pagar menos impostos. Lina não será candidata ao Senado. Não com as benção de Lula, que prefere parceiros mais complacentes, como Renan Calheiros e José Sarney. Se é verdade que o presidente estimula a candidatura do ministro do déficit, eu não sei. Mas a ideia é verossímil; afinal, não é o desempenho gerencial que conta na hora de barrar investigações no parlamento. A política brasileira vive um momento ideal para os imprevidentes prosperarem.

Wanderley Filho
Historiador



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