Opiniãoquinta, 13 de agosto de 2009
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As lições da crise no SenadoVeja também
Os escândalos e os desacertos, apesar de sua natureza negativa, podem servir de alerta ou lição para os que souberem tirar bom proveito deles. O homem inteligente - ensinava Aristóteles - aprende com os deslizes alheios. Assim, é possível afirmar que os erros possuem, ainda que involuntariamente, um aspecto pedagógico. Por esse ângulo, a crise no Senado Federal brasileiro é uma rica oportunidade de aprendizado. O seu desenrolar é a confluência de uma série de vícios antigos e recentes que se misturam num caldo de interesses e disputas. Nela podemos ver a fragilidade do sistema partidário brasileiro, com siglas de aluguel e partidos sem programas. Há patrimonialismo, o clientelismo, e a impunidade, representada na composição do atual Conselho de Ética do Senado. O desgaste institucional, com a excessiva interferência do poder Executivo em assuntos do Legislativo, também deteriora o quadro. Tudo isso é matéria para estudiosos analisarem, de magistrados a cientistas políticos. No entanto, é possível também que o maior interessado nisso tudo tire lições positivas. Afinal, essa crise política é uma oportunidade para o eleitor perceber que o seu voto é também uma responsabilidade. O Ceará possui três representantes no Senado. Como eles estão agindo nesse momento difícil? Estão do lado de quem? O seu senador é a favor ou contra a permanência de José Sarney na presidência do Senado? Ele está junto com Renan Calheiros e Collor de Mello? O senador que pediu o seu voto age como você esperava? Ano que vem tem eleições para o Senado. Os candidatos articulam, buscam apoios, testam imagens. O que eles acham da crise? Como se comportam? Tasso Jereissati (PSDB), que pode postular um novo mandato, firmou posição contrária a trinca que hoje dá as cartas naquela Casa. O que dizem outros possíveis candidatos? O que dizem hoje Eunício Oliveira (PMDB), Chico Lopes (PCdoB) e José Pimentel (PT)? Esses senhores poderiam utilizar as páginas deste jornal e posicionar-se a respeito. A não ser que prefiram o silêncio obsequioso dos omissos. Ou que esperem que o eleitor não tire lição alguma de tudo o que está acontecendo. Wanderley Filho - Historiador Comentários
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