Opiniãoquinta, 27 de agosto de 2009
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Degradação institucional calculadaVeja também
O expurgo promovido pelo governo Lula na Receita Federal, com a demissão de funcionários ligados à ex-secretária Lina Vieira, pode até parecer uma novidade, mas trata-se apenas de mais um ataque às instituições democráticas, algo comum nos últimos anos. O mesmo vem sistematicamente acontecendo em outros órgãos, como Polícia Federal, SNI e até o Senado, onde a oposição é mais forte. Certa feita o presidente Lula disse que na Venezuela de Hugo Chávez havia democracia em excesso, não obstante o fato de que o discípulo de Fidel Castro implanta, paulatinamente, uma ditadura populista de esquerda em seu país. Esses três, juntos com Rafael Corrêa, Evo Morales e gente como Manuel Marulanda (falecido chefe das Farc), entre outros, são companheiros de longa data, desde o início das atividades do Foro de São Paulo, grupo que reúne partidos e entidades de esquerda latino-americana para traçar planos de ação continental. O último encontro aconteceu em agosto passado, no México. Assim, quando um membro do clube fala em excesso de democracia, na verdade acusa, quase perplexo, a ação do que consideram ilegítimos focos de resistência, como partidos de oposição e veículos de imprensa (outro pilar institucional da democracia) que teimam em exercer a liberdade de expressão. Como podem eles não aderir aos propósitos de seres tão angelicais e puros? Não por acaso, os maiores alvos nos países liderados por esses elementos, são sempre a imprensa, os parlamentos e o Judiciário. Para eles, mais democracia é menos pluralidade e mais permissividade. Os neopopulistas alardeiam que a democracia deve ser direta sempre. Esse processo de mudança de eixo do significado de democracia para referendocracia, como bem ensina o jurista Paulo Bonavides, é um golpe cuja intensidade pode variar conforme o grau de estabilidade de um País. Wanderley Filho - Historiador Comentários
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