Busca de Matérias
sábado, 31 de julho de 2010. Fortaleza, Ceará, Brasil.

Opinião

quinta, 29 de outubro de 2009
0 comentário(s)

Partidos políticos - 1ª parte

Tamanho do texto: A A A A     

Veja também
 

Como é de praxe em anos pré-eleitorais, a movimentação de candidatos e forças políticas começa a se intensificar. A prática da infidelidade partidária e os conchavos ganham maior notoriedade nesses momentos. É a expectativa de poder atuando diretamente no que se convencionou chamar aqui no Brasil de pragmatismo político.

Considerando nossa história, marcada por sucessivos golpes, mudanças de regime, crises e interrupções, não é de estranhar que os partidos sejam frágeis e carentes de maior fixação nas camadas sociais. A regra, com as exceções que a definem como tal, é que essas agremiações sejam vistas apenas como instâncias burocráticas.

No Brasil, clubes de futebol são centenários, partidos políticos não. Já nos Estados Unidos, por exemplo, os democratas, correligionários de Barack Obama, disputam eleições desde 1790, e os republicanos desde 1837. Ou seja, são entidades consolidadas. Em países com inconstância política e institucional, as pessoas costumam seguir apenas indivíduos, ambiente ideal para salvadores da pátria e populistas.
Mas afinal, o que é um partido político? Nas democracias representativas, grosso modo, é o espaço para cidadãos apresentarem um programa de governo à sociedade, com base em pressupostos estabelecidos por uma ideologia, que vem a ser uma proposta de intervenção na realidade. Em suma, é o primeiro passo para por um ideário em prática.
Naturalmente, as circunstâncias e a pluralidade de ideias estimulam a existência de partidos mais ou menos antagônicos, com visões diferentes, que procuram convencer a maioria de que seus encaminhamentos para os problemas da sociedade constituem a melhor opção para resolvê-los.

A distância entre a formulação desse modelo de referência e a realidade partidária no Brasil é abismal. Somente o efeito do tempo e a estabilidade das regras eleitorais podem separar as virtudes dos vícios do nosso sistema. Cabe aqueles com maior nível de instrução, portanto, a responsabilidade de assumir a construção desse processo.
Existem políticos e grupos de políticos bem intencionados, porém, são poucos que sobrevivem imersos em indefinições e heranças malditas. Não adianta esperar por reformas. É preciso que o eleitor, de onde emana o poder, deixe de lado os partidos com programas velhos, abandonados no resto do mundo, bem como as siglas de aluguel, com suas propostas vagas, a serviço de arrivistas e oportunistas que lutam com fervor para que os partidos continuem desacreditados. Continua na próxima quinta.

Wanderley Filho - Historiador



Comentários