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Opinião

quinta, 12 de novembro de 2009
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O muro de Berlim foi obra do socialismo

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Na esteira das comemorações dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, na última segunda-feira (9), reportagens, textos jornalísticos, ensaios e artigos rederam homenagens ao evento. Em linhas gerais, o argumento central do que pude ler e assistir centrou discurso na história da reunificação política que simbolizava o doce fim da Guerra Fria e o pacífico ocaso do socialismo soviético.

Acontece que essa sistematização simplificada dos eventos que culminaram na queda do muro serve mesmo é para escamotear a informação principal que deles podemos extrair. Afinal, por que o levantaram? Para que a compreensão integral daqueles fatos, é preciso, naturalmente, entender o contexto que os possibilitaram.
A verdade é que o Muro de Berlim representa a materialização das palavras de Churchill, ditas já em 1946: “De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente”. E foi criado pelas autoridades socialistas da Alemanha Oriental para evitar que seus habitantes fugissem para a Alemanha Ocidental capitalista. Um alemão oriental, assim como um cubano nos dias de hoje, não podia sair de seu país. Vivia confinado em sua própria pátria.

Mas por que as pessoas queriam fugir do paraíso socialista? Por vários motivos, desde consciência política até instinto de sobrevivência. Depois do fim da Segunda Guerra, todos os países que ficaram sob domínio norte-americano, inclusive o Japão, foram devolvidos aos seus cidadãos e prosperaram. Já os países que ficaram sob a tutela da União Soviética, todos, sem exceção, experimentaram o horror de um regime responsável por aproximadamente 30 milhões de mortes causadas por fuzilamentos, enforcamentos, espancamentos, torturas e inanição forçada. Fora o colapso econômico.
Eis o sonho socialista. A imposição de uma ordem economicamente planificada e ineficaz e da supressão das divergências políticas. A disparidade entre esse modelo e o das democracias liberais é de tal envergadura que foi necessário uma intervenção física, um muro fortemente vigiado por guardas prontos para matar quem ousasse atravessá-lo. Muitos falam que outros muros precisam ser derrubados, como o da pobreza e o da intolerância, desviando o foco daquele episódio. A queda do Muro de Berlim vale pelo que é: a derrota do totalitarismo. Não foi por outro motivo que a chanceler Angela Merkel disse que a data marca uma “vitória da liberdade”. www.wanfil.blogueisso.com.

 

Wanderley Filho - Historiador



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