Opiniãoquinta, 10 de dezembro de 2009
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O lulismo como vícioVeja também
As inserções que o Partido dos Trabalhadores veiculou durante esta semana revelam que apesar de ser a mais poderosa máquina partidária do País, a sigla hoje depende demasiadamente, senão inteiramente, da figura do Lula mítico, aquele cuja construção da imagem ficou mais evidenciada com lançamento do filme chapa-branca Lula, O Filho do Brasil. Esse dualismo entre o que seria o lulismo – produto híbrido de marketing político e personalismo messiânico – e o petismo – fusão de submarxismo latino-americano e sindicalismo arrivista – foi, por muitas vezes, útil a ambos. Já escrevi noutra oportunidade que “a divisão imaginária entre lulismo e petismo não passa de um conveniente instrumento de transferência de responsabilidade na hora de tentar justificar o injustificável. Quando o mensalão estourou, Lula rapidamente responsabilizou o petismo. Acuado pelas chantagens do PMDB, relativas à CPI da Petrobras, o petismo correu para culpar o lulismo pela defesa que fez de Sarney. Ou seja, dependendo da enrascada, o pepino sobra para um ou para outro, e no fim todos se dizem inocentes.” O problema é que o hábito, de repetido, virou vício, e como tal, exige doses cada vez maiores para se sustentar. No programa, o que se viu foi uma tentativa de aprofundamento do processo de transferência de votos do presidente Lula para a ministra Dilma Rousseff, candidata do Planalto, que estacionou na última pesquisa do Ibope, enquanto o tucano José Serra voltou a abrir a diferença na preferência dos eleitores. É o petismo buscando sobrevivência na exploração descarada do lulismo. Os vídeos da propaganda procuram enaltecer o doador, enquanto a receptora fica passiva, afirmando que existe um Brasil antes e depois de Lula na presidência, não em virtude de suas escolhas ideológicas e morais, mas de suas qualidades pessoais e telúricas. Até o fim da inflação foi creditado ao atual presidente, uma evidente mentira. Os exageros costumam gerar desconfiança. Assim, se por um lado boa parte dos eleitores venera a imagem do Lula populista, por outro começa a duvidar que Dilma possa ser igual a esse ser mitificado. Wanderley Filho - Historiador Comentários
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