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Opinião

quinta, 04 de fevereiro de 2010
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A lição que não queremos aprender

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A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco, divulgou relatório no final de janeiro deste ano demonstrando que a qualidade do ensino nas escolas brasileiras é inferior a de países como Paraguai, Equador e Bolívia. Das 128 nações avaliadas no estudo, o Brasil ficou em 88º lugar. Em 2004, o país estava em 72º lugar.

Segundo a Unesco, os principais gargalos da educação no Brasil são a má qualidade e a infraestrutura física precária. Alguns dados são constrangedores. Mais de 17,8 mil escolas não têm energia elétrica e só 37% possuem bibliotecas.

Diante de dados coletados com metodologia elaborada por pesquisadores renomados, o Ministério da Educação considerou os números “estranhos”, alegando que houve ampliação do ensino fundamental para nove anos e queda na evasão. Seria interessante e útil se os burocratas do ministério explicassem como redução de evasão e mudanças nominais de classificação poderiam conferir qualidade ao conteúdo ministrado nas salas de aula.
A posição vexaminosa do Brasil na educação seria “estranha” se a pesquisa da Unesco fosse uma anomalia que destoasse de outras avaliações. No entanto, nossos estudantes secundários tiram sistematicamente os últimos lugares no Pisa – Programa internacional de avaliação promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na última avaliação, em 2007, o Brasil ficou no 52º lugar, dentre os 57 países participantes.

Durante muito tempo imaginei que essa precariedade de resultados fosse resultado de uma tradição de descaso, mas que isso seria paulatinamente corrigido com o ingresso de uma nova geração de professores com formação acadêmica adequada e mais preparados para o desafio da pedagogia. A pesquisa da Unesco revela que, ao contrário, estamos piorando.

A conclusão não pode ser outra: licenciaturas e diplomas de professores não são garantia de qualidade na educação das nossas crianças, pelo simples fato de que as nossas universidades não conseguem produzir educadores. Formam, quando muito, meros propagandistas ideológicos aptos a ensinar analfabetos a escrever o básico. O importante mesmo é ensinar a historinha de que candidatos de esquerda estão do lado dos trabalhadores.

É a pedagogia da luta de classes, que não prepara o indivíduo para pensar por conta própria, que rejeita os conceitos de competitividade, concorrência e livre iniciativa. Nossas crianças são educadas a esperar pelos favores do papai Estado. Eis o resultado.

Wanderley Filho - Historiador



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