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Opinião

terça, 09 de março de 2010
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Coincidência ou método?

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Outra vez um tesoureiro do PT aparece envolvido num escândalo milionário relacionado com financiamento ilegal de campanhas eleitorais. A revista Veja desta semana mostrou uma investigação do Ministério Público de São Paulo sobre o esquema Bancoop, sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo.

Após analisarem 8.000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela cooperativa entre 2001 e 2008, os procuradores acusam figurões do Partido dos Trabalhadores, entre eles o seu novo tesoureiro, João Vaccari, homem de confiança de Lula e Dilma, de comandar o desvio de dinheiro dos cooperados e de estatais para financiar campanhas e enriquecer companheiros.

Antes de continuar, um desvio ilustrador. Participei recentemente de um encontro com estudantes de jornalismo e publicidade numa faculdade particular. Na ocasião, uma produtora de vídeos, ao falar sobre profissionalismo, revelou que, mesmo sendo “petista de carteirinha”, já havia trabalhado em campanhas de outros partidos. Segundo o seu relato, pelo menos uma vez ela sentiu-se constrangida. Foi quando, fazendo uma campanha para Roseana Sarney, testemunhou Lula, no palanque, segurando as mãos da candidata e de seu pai, José Sarney.

E o que tem a ver um caso com o outro? Simples. Na cachola da militante petista, a cena de união entre Lula – o símbolo da pureza na política, segundo o PT – e Sarney – o símbolo da corrupção, segundo o PT na oposição –, configurava um desvio digno de lamento, mas nada que conspurcasse aquela pureza original. Por isso ela continua uma “petista de carteirinha” (essa expressão mostra um forte sentimento de grupo).
Ocorre que nem a militante inocente, nem muita gente boa, querem enxergar o óbvio: as coligações com antigos desafetos acusados de corrupção (mas cujo pecado era ser adversário) e os recorrentes problemas com tesoureiros envolvidos com caixa 2 não constituem meros desvios acidentais, mas, antes disso, comprovam um método de atuação. O perfil e o currículo de seus operadores, não por acaso, se assemelham.

Enquanto a militante sonhadora se agarra à lembrança mítica do PT que vinha para mudar, daquele que era o partido da ética, deixa passar a realidade como simples desatenção, aquilo que, no fundo, é a essência da sigla da qual tanto se orgulham. www.wanfil.blogueisso.com

Wanderley Filho - Historiador



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