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“5 a Seco”: coletivo de compositores traz a Fortaleza seu álbum Síntese

quarta-feira, 16 de maio 2018

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Método, processo ou operação que consiste em reunir elementos diferentes, concretos ou abstratos e fundi-los num todo coerente. Esta é, sem mudar uma vírgula, a definição do verbete síntese encontrada na wikipedia. Esta é, sem mudar uma vírgula, a descrição fiel e precisa do funcionamento interno do 5 a Seco ao longo dos quase oito anos de trajetória até o momento. Após o lançamento do álbum “Síntese” no Teatro Bradesco Rio, a Opus Promoções confirma apresentação na sexta-feira (18), no Teatro RioMar Fortaleza.

Num grupo que nasceu com o preceito de ser a união de cinco artistas com carreiras e formações singulares — um coletivo de compositores e não uma banda –, reunir elementos diferentes e fundi-los num todo coerente é um processo contínuo: uma síntese por dia. Mas é mais do que isso.

Porque é possível emprestar as consagradas categorias da dialética hegeliana de tese, antítese e síntese, e traçar um imediato paralelo com a trajetória fonográfica. Ao vivo no Auditório Ibirapuera (2012) é a tese: a potência do encontro dos cinco cantautores apresentada como ela nasceu, num espetáculo ao vivo. A ideia das trocas de formação instrumental, da ausência de uma formação fixa, com os cinco integrantes dispostos em linha na frente do palco: tudo isso está ali.
Policromo (2014) é a antítese: um álbum de estúdio, cheio de overdubs e experimentações sonoras, com uma procura muito mais detalhada de timbres e texturas, um flerte com uma sonoridade de banda pop: um passo adiante, um contraponto.

Síntese é a integração desses dois mundos.
Do primeiro trabalho, retorna a ideia de experimentar longamente um show antes de registrá-lo em álbum; a noção de que é nas apresentações ao vivo que o 5 a Seco se mostra em sua forma essencial e o conceito da formação em linha, aqui radicalizado, retirando os instrumentos que ficavam ao fundo do palco e posicionando-os à frente.

Essa escolha tem a ver com a afirmação da identidade conceitual do coletivo. Um exemplo: a bateria sai de um praticável distante e aparece agora desmembrada em pequenas estações espalhadas entre os cinco microfones, acarretando não só diferentes texturas sonoras como também uma nova postura cênica e musical dos integrantes no palco.

Este tipo de encaminhamento não seria possível sem a vivência de gravação em estúdio de Policromo, de onde conservam a inquietude de uma pesquisa timbrística cada vez mais detalhista; a procura de uma sonoridade singular presente na profusão de pedais de guitarras; a adoção cada vez mais clara de teclados e sintetizadores e o uso da tecnologia como ferramenta de criação.
Pode saltar aos olhos e ouvidos, nesta nova etapa, a falta do violão, que é o instrumento de origem de cada um dos músicos e com o qual foram tantas vezes associados. Bem, isso não é uma ruptura: é apenas o comprometimento com a procura de uma sonoridade surpreendente- não só para os ouvintes, mas também para eles mesmos. O violão permanece como nossa matriz afetiva, a foto de nossa aldeia, onde vão fabricar as canções para apresentar ao mundo.

Mas é mais do que isso. É a alegria dos cinco (Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni) de estarem juntos e a crença compartilhada na importância do encontro. É a chance de olhar e considerar o outro num momento de crescimento da intolerância no mundo. E, na celebração deste encontro, a crença na força das canções e a sorte de poder tocá-las e cantá-las. E melhor: fazer isso junto. Em síntese, é isso.

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