sábado, 15 de dezembro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Alberto Bardawil – De bancário a dono de televisão

terça-feira, 16 de agosto 2011

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O empresário José Alberto Bardawil, presidente da Rede União de Rádio e Televisão, é cearense de Fortaleza. Trabalhou como bancário até os 26 anos, ocasião em que fundou a primeira joalheria. Atuou também no ramo da construção civil e da mineração. Em 1988 ganhou a primeira concessão de TV. Hoje, o grupo de comunicação possui três estações de televisão e duas de rádio. A rede de televisão é formada por 250 emissoras (incluindo as afiliadas), atingindo 16 estados brasileiros. Ao todo, são mais de 500 profissionais. A sede é Fortaleza e o nome união é porque o projeto tem o objetivo de integrar a sociedade.

[O Estado] Como foi o ingresso na área da comunicação? Enfrentou dificuldades?
[José Alberto Bardawil] Tudo começou em 1988, quando ganhei a primeira concessão, para Rio Branco. Na época, o então governador do Acre me perguntou se eu queria vendê-la. Respondi que a TV não era para venda, era para um trabalho sério e ético que pretendo fazer no Brasil. A emissora, colocada no ar em 15 dias, retransmitia a Rede Bandeirantes para a Amazônia. Isso ocorreu até novembro de 2000. Foi muito difícil. Televisão é um brinquedo caro. Ou você bajula governo ou é independente e trabalha com a sua consciência para informar a todos com seriedade e ética. Desde que a emissora começou, sempre teve independência. Não é fácil trabalhar dessa forma, principalmente quando o seu objetivo é conscientizar as pessoas. A segunda estação foi a de Brasília que, inicialmente retransmitia a TV Cultura e depois a RedeTV!. Em novembro de 2000 foi inaugurada a TV União no Ceará. A concorrência pública foi acirrada, participaram cinco grandes empresas do Estado, mas eu ganhei. Surgiu a ideia de fazer uma televisão para os jovens. Nenhuma estação aberta no Brasil falava para os jovens. São eles quem elegem os políticos, que consomem. Na época, 65% dos jovens não queriam assistir a nenhuma emissora aberta. O início foi diferente, com muitos clipes. Era a forma de atraí-los. Depois veio o jornalismo e outros programas. Fomos crescendo e a rede foi colocada no satélite, cobrindo as três Américas, Europa e África. Hoje, a TV chega a 16 estados brasileiros, contando com 250 emissoras, sendo três próprias. Também está disponível por cabo em várias cidades. Além disso, a emissora está na internet. Essa é a nossa saga na comunicação.

[OE] Com essa independência, ocorrem muitas perseguições?
[JAB] Perseguição política de governo sempre tivemos. Ocorreu no Acre, no Ceará, na época do governo de Tasso Jereissati, e temos agora um pouco de bloqueio no governo de Cid Gomes. O Governo do Ceará, via Secretaria de Turismo, colocou na Globo mais de 12 inserções diárias no mês de julho. Uma inserção nacional custa pelo menos R$ 80 mil, na TV Globo. Para você ver como funciona a comunicação no Brasil. Não tenho nada contra. O Executivo pode escolher em quais emissoras deve anunciar, desde que não prejudique as outras. Pelo Ipobe, hoje, a TV União só fica atrás da Globo, Record e SBT. Isso em Fortaleza. Na área jovem estamos em primeiro lugar.

[OE] Como é a concorrência de programação com as outras emissoras?
[JAB] Nunca me preocupei muito com as outras televisões. Somos diferentes. Aqui não se divulga crime. Trocamos o terror pelo humor. Aí é o nosso sucesso. No horário do almoço, as outras emissoras exibem programas policiais. Não mostramos isso porque o nosso público é outro. Procuramos ensinar o jovem a reconhecer no outro uma parte de si, sem interferência religiosa ou ideológica. Nossa audiência aumenta a cada dia e surgem mais pessoas interessadas em retransmitir o nosso sinal pelo Brasil.

[OE] TV também é uma empresa que, como qualquer outra, tem despesas. É possível ser totalmente imparcial?
[JAB] Isso é um dever. Somos concessionários públicos. Temos mais do que a obrigação de ouvir todas as partes antes de levar o caso ao ar. Alguns executivos acham que não. Não tenho televisão para ficar rico. Descobri que tenho uma TV para servir de instrumento de transformação. É duro fazer, mas estamos há dez anos em rede nacional, lutando e conseguindo sobreviver.

[OE] Tem algum projeto em especial?
[JAB] Já estamos no ar com a campanha “Brasil sem corrupção”. Talvez alguns governadores, deputados e senadores e se sintam chateados. A campanha foi motivada porque quando eu era jovem o Brasil era outro. Existia perspectiva de trabalho e quase não havia violência e corrupção. Hoje, você vê escândalo todo dia em todos os jornais, revistas e emissoras de TV. As pessoas, na maioria das vezes, saem impunes porque o tráfico de influência é muito grande. No Ceará, embora exista o Ronda do Quarteirão, os índices de assaltos, sequestros e mortes aumentaram. Claro que o governo não é o culpado. Isso já vem de décadas e o problema está na educação. Se você educar o jovem e mostrar um caminho diferente, com certeza os programas de combate ao crime não precisariam ser tão grandes. O governo, de um modo geral, está atacando o efeito e não a causa. A causa é a falta de educação. O jovem, na maioria dos casos, além de não ter oportunidade de entrar na faculdade, não tem perspectiva de emprego. Ele termina o Ensino Médio e fica ocioso. Os poucos que se sacrificam em pagar por um curso superior, que é caro, se formam e ficam sem empregos. Faltam cursos técnicos gratuitos.

[OE] A emissora já sofreu retaliações?
[JAB] Na campanha eleitoral do ano passado, o jornalismo levou ao ar uma matéria sobre o caso do governador Cid Gomes e o jatinho. A TV está respondendo a processo por isso. A imprensa é livre. Se há um fato e os outros meios de comunicação deram, porque a TV União não pode divulgar.

[OE] A TV União está mudando o foco?
[JAB] Não. Estamos evoluindo. Os jovens que tinham 18 anos quando a rede começou, hoje têm 28 anos e continuam fidelizados à TV União. Eles não querem só música, querem informação, debates. Como já disse, o nosso foco é diferente.

[OE] Por que escolheu Fortaleza para ser a sede da rede?
[JAB] Tem um motivo especial. A TV estava bem no Norte e no Centro-Oeste, mas queria fazer algo pelo meu Estado. Estamos lutando.

[OE] É mais fácil atuar como afiliado do que gerar toda a programação?
[JAB] Isso depende do seu objetivo. Prefiro ser grande entre os pequenos do que pequeno entre os grandes. Essa opção tem dado certo. As grandes emissoras cabeças de rede são todas poderosas e você tem que obedecer. Como eu nunca gostei de baixar a cabeça e tenho consciência do meu trabalho resolvi pela desfiliação da Band e RedeTV!

[OE] A empresa está preparada para a convergência de mídias?
[JAB] Nosso grande projeto é a junção da TV com a internet. Daqui a cinco anos, no máximo, o acesso à televisão se dará por meio da internet. Quando isso ocorrer temos que estar preparados. Demos o primeiro passo na interatividade, como a primeira emissora do Brasil a utilizar o recurso. Nas redes sociais, estamos em primeiro lugar no Ceará. Estamos sempre ampliando a comunicação entre os jovens. Além disso, nosso sinal é transmitido, em alta definição, via satélite.

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