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Do papiro e pergaminho ao advento da computação

segunda-feira, 28 de Janeiro 2013

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NATALÍCIO BARROSO
Da Redação

Inaugurado em novembro de 2012, o Museu da Escrita, segundo seu fundador, o economista José Luís Gomes Moraes, se divide em 16 salas. Na primeira delas, explica, o visitante pode apreciar uma família pré-histórica em torno da qual as paredes da caverna estão repletas de desenhos rupestres. Na segunda, para onde o visitante é encaminhado, a sala mostra uma série de estantes dentro das quais estão documentos importantes: papiros do antigo Egito.

Em uma delas, a pedra de Roseta, em miniatura, que foi descoberta em 1799, quando Napoleão invadiu o Egito e levou, ao lado do exército, uma comissão de sábios da Academia Francesa destinada a desvendar os mistérios das pirâmides e das esfinges do deserto cortado pelo Nilo. Para quem nunca viu o papiro de perto e quer saber como os egípcios se serviam dele para escrever ou pintar, esta é uma grande oportunidade.

Na terceira sala, o visitante se deparara com um tipo diferente de escrita: a cuneiforme. Aquela que foi usada na Mesopotâmia. Segundo José Luís, o Museu, assim como a história da escrita propriamente dita, apresenta algumas lacunas. Uma delas é a passagem entre os hieróglifos egípcios e o alfabeto grego. Mas como nem os especialistas conhecem, exatamente, como isso se deu, tal lacuna, se existe no Museu, é porque também existe na história da escrita.

A sala destinada ao alfabeto grego, portanto, mostra, dentre outras, uma peça rara para aqueles que estudam a cultura helênica: as placas de cera com as quais os filósofos do tempo de Platão escreveram seus livros e que hoje são reproduzidos em papel.

Diferentes dos papiros, que são enrolados em peças de madeira ou dos pergaminhos que também são enrolados ou transformados em códex, como os livros atuais, as plaquetas gregas mostram duas superfícies cercadas por uma moldura no meio das quais se encontra uma palheta destinada a escrever ou apagar o que foi escrito.
A escrita romana, mais próxima dos tempos atuais, também era redigida em papiro, mas como o pergaminho já vinha sendo utilizado desde o tempo da velha Alexandria, a civilização romana preferia este tipo de suporte ao outro.
A Idade Média é um mundo novo nesta história.

Com o fim da civilização grega e, depois dela, da romana, a Idade Média, que já trazia, em seu interior, uma nova forma de pensar o mundo, o cristianismo, se debruça sobre o passado e como a escrita não era mais propriedade dos  escribas que se dedicavam a ela no tempo dos faraós, mas dos monges, muita coisa mudou. A reprodução de livros sagrados ou profanos eram da responsabilidade dos mosteiros e foi por causa deles que alguns autores gregos e romanos se salvaram do esquecimento.
Na sala destinada aos copistas da Idade Média, José Luís mostra alguns originais nos quais estão reproduzidos cantos gregorianos e trechos dos Evangelhos.

Ao lado destes, o fundador do Museu aponta para uma outra preciosidade: o livro do Morgado que, segundo ele, possui 973 páginas e foi escrito por uma única pessoa durante 15 anos. Como se trata de um livro de grandes dimensões e cujo volume pesa consideravelmente, o livro do Morgado, para José Luís, contém, em seu interior, informações sobre a vila que foi administrada pelo conde da Calheta, em Portugal.

As máquinas de datilografia, por sua vez, exibem uma coleção diferente. Ali estão máquinas de todos os tamanhos e de todos os lugares e épocas. Na sala destinada à imprensa, há uma delas que reproduz aquela que foi usada por Gutenberg e outras que mostram as antigas tipografias.

Colecionador compulsivo, afirma José Luís que começou a juntar selos, figurinhas e embalagens de cigarro na infância. Nessa época não havia descoberto ainda o mundo apaixonante da escrita. Com o tempo, porém, se deu conta que poderia se voltar para um tipo específico de coleção: a do livro e tudo aquilo que se relaciona com ele. Foi assim, informa, que surgiu o Museu da Escrita que é o resultado, segundo ele, de várias viagens que fez para o exterior e da doação de amigos e desconhecidos que, vendo seu esforço, contribuíram com o projeto.

Localizada em uma casa que mede 450 metros quadrados e foi devidamente reformada para receber as pessoas com toda comodidade, a intenção de José Luís, em breve, é a de fazer parcerias para dividir as despesas que, segundo ele, não são pequenas. Enquanto isso abre as portas da casa para todos aqueles que querem conhecer como começou a escrita e como ela evoluiu do tijolinho de barro aos computadores dos novos tempos.

Serviço
• Museu da Escrita. Rua Dr. Walter Studart, 56, Dionísio Torres. Funcionamento: terça-feira a domingo das 9h às 12h e das 13h às 17h. Informações: (85) 3244.7729.

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