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‘O Rei Leão’ se torna o melhor remake da Disney sem reinventar a roda

quinta-feira, 11 de julho 2019

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De longe, a missão de Jon Favreau era a mais fácil entre os diretores que aceitaram recriar clássicos da Disney.

Principalmente por um motivo: refazendo “O Rei Leão”, que estreia na próxima quinta-feira (18), ele não precisaria lidar com atores.

Embora a Disney sopre aos quatro ventos que o remake do desenho sobre o leãozinho órfão, lançado originalmente em 1994, seja um live-action, na verdade o longa-metragem é uma animação hiper-realista. Sem atores para ficar pentelhando, os animadores ficaram livres para recriar a história da maneira mais fiel possível.

Se o limite não foi o céu, eles puderam ir até onde a capacidade técnica permitiu -o que, quando o assunto é Disney, não é pouca coisa. E fizeram um filme com um detalhamento tão grande que funciona como um teletransporte para a África.

Divulgação

Mas é claro que refazer qualquer clássico, principalmente um filme que moldou a infância de gerações, é caminhar sobre cascas de banana. E, nesse ponto, Favreu seguiu o que já tinha feito na direção de “Mogli, o Menino Lobo” (2016) e fez de “O Rei Leão” o melhor remake da Disney até aqui.

Primeiro porque o diretor entendeu que em time que está ganhando não se mexe. O novo “O Rei Leão” é extremamente fiel ao roteiro original. Chega ao absurdo de refilmar certas cenas quadro a quadro, nas quais até os insetinhos que passam na tela se movimentam do mesmo jeito que na animação dos anos 1990.

Não há novos personagens, novas tramas paralelas, inversões mirabolantes de clímax. Ninguém tenta reinventar a roda, como ocorreu com “Aladdin”. Na recriação da história do plebeu árabe, que estreou em maio, foram inseridas diferentes novidades de forma atrapalhada, de um namorico do Gênio a um empoderamento artificial para Jasmine, que agora sonha em se tornar sultana. No fim, só conseguiu enfraquecer o roteiro.

Aí chegamos a outro ponto em que “O Rei Leão” se sai bem. O longa não joga para a torcida nem surfa ao sabor dos tempos.

Embora Nala (dublada em inglês por Beyoncé) e as outras leoas surjam um pouco mais fortes do que no desenho original, isso não fica fora do tom. Até porque Nala sempre foi bem independente e decidida -vale lembrar que é ela quem foge e vai buscar Simba (agora dublado por Donald Glover), se tornando peça-chave para a história e a responsável pelo fato de o leão herdeiro não se tornar um hippie de dread que faz artesanato na savana.

Além de não fazer acenos artificiais ao #MeToo só para ganhar elogios em textões na internet, o filme também não cai na difícil tentação de ser excessivamente cuidadoso com a infância.

“O Rei Leão” assusta, causa medo, exibe assassinatos, desfila injustiças, mostra hienas devorando quem dá sopa, escancara leões brigando até que só um deles sobreviva. Tudo sem achar que é preciso acolchoar arestas ou criar crianças dentro de aquários blindados para que elas não se tornem adultos problemáticos.

Por fim, o último acerto: a manutenção das músicas. O desenho original marcou época com composições de Elton John e Tim Rice e venceu duas estatuetas no Oscar -melhor trilha sonora original e melhor canção original, com “Can You Feel the Love Tonight”.

O novo longa não apenas aposta nas canções, mas escala Donald Glover (talvez mais conhecido como  Childish Gambino) e Beyoncé na dublagem original, que fazem um bom dueto justamente na música ganhadora do Oscar em 1995.

Finalmente a Disney entrega um remake capaz de seduzir os nostálgicos e encantar novos públicos.

Atualizado por Jorge Alves
jorgelbalves@gmail.com
Fonte: Folhaprees

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