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A contribuição portuguesa e desafios atuais

quinta-feira, 28 de abril 2016

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Em 30 de março de 1998, a TAP iniciou sua rota aérea ligando Lisboa a Fortaleza, com uma frequência inicial de dois voos por semana, tornando-a diária seis anos após. Deu-se nesse contexto uma das principais interferências para a moderna internacionalização da economia cearense. O Ceará estava deixando de ser apenas um estado exportador de algodão, castanha de caju, lagosta e outros poucos produtos primários, para se tornar numa nova economia e um dos principais estados brasileiros na atração de investimento externo direto (IED). Costumo dizer que, no contexto brasileiro, navios transportam mercadorias e, por sua vez, aviões conduzem sobretudo pessoas: turistas e investidores. Foi assim que a TAP tornou-se um instrumento relevante para essa nova economia, permitindo a criação de um caldeirão cultural que transformaria definitivamente alguns aspectos da vida cotidiana de Fortaleza.
Vários portugueses e outros europeus, especialmente, italianos, espanhóis e nórdicos, encontraram um conjunto de atrativos que os transformaram em investidores. Pequenos empresários trouxeram suas poupanças e investiram aqui na oferta de novas alternativas gastronômicas e lúdicas. Outros viram no setor imobiliário oportunidade de construir para vender, sobretudo, para estrangeiros dispostos a constituir nesta terra de sol e clima agradável, sua segunda residência. Do mesmo modo, grandes investidores, atraídos pelo processo de privatizações e abertura dos setores de infraestrutura ao capital privado, iniciado em meados da década de 90, aportaram capitais em empresas de engenharia e outros serviços, ou construíram vigorosos projetos, como a portuguesa EDP, que instalou no Complexo Industrial e Portuário do Pecém uma das maiores termoelétricas, que hoje dá uma contribuição relevante para a segurança energética da região Nordeste do Brasil, ou a Companhia Siderúrgica do Pecém, que hoje é um dos maiores projetos privados no País, participado por duas empresas coreanas e uma brasileira e que, na sua fase de construção, representa um incremento de 6% no PIB estadual e na fase de operação, terá impacto de 12% no PIB estadual ou 48% no PIB industrial cearense.
Em síntese, as cerca de duzentas empresas com participação estrangeira que existiam no Ceará, em 1998, transformaram-se, em meados do ano passado, expressivas quase cinco mil empresas, das quais, muitas portuguesas. Estima-se que, atualmente, mais de 1.000 empresas cearenses tenham capitais portugueses com atuação nos mais variados setores, destacando-se, hotelaria e outros serviços de apoio ao turismo, construção civil, restauração e energia. Com segurança, podemos afirmar que a indústria hoteleira cearense não pode ser descrita sem introduzir um capítulo relevante sobre a contribuição do Vila Galé e do joint venture formado por Dom Pedro, Violas e Dias Branco (empreendedor de origem portuguesa e cujo pai imigrou para o Ceará no início do século passado), que aqui construíram, cada um, dois grandes complexos turísticos, localizados na Região Metropolitana de Fortaleza, sendo o primeiro na praia do Cumbuco, município de Caucaia e o segundo em Aquiraz. História semelhante se deu no setor de energia. Além do projeto da EDP acima referido, sobressai-se a participação portuguesa nesse setor, especialmente no desenvolvimento das energias renováveis e cuja experiência tornou o Estado do Ceará pioneiro na geração eólica, passa pela empresa Braselco Energia, conduzida pelo atual presidente da Câmara Brasil Portugal no Ceará, Armando Abreu, a quem indagavam no início da década de 90 quando aqui chegou, se ele falava sério quando dizia que iria vender vento.

Rômulo Soares
Mestre em Negócios Internacionais

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