terça-feira, 23 de outubro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Crise na segurança pública precisa ser levada a sério, diz especialista

quinta-feira, 27 de setembro 2018

Imprimir texto A- A+

O Brasil vive um momento de crise de segurança pública preocupante. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com base na pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), foram contabilizadas 63.880 mortes violentas intencionais (MIV), em todo o País, no ano de 2017. Com 5.133 crimes violentos letais e Intencionais (CVLIs), o Ceará está na terceira posição, atrás somente do Rio Grande do Norte e Acre. Para o presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal (OAB-GO), delegado de Polícia aposentado e ex-secretário de Estado, Edmundo Dias, a crise de segurança pública que assola o Brasil precisa ser levada a sério.

De acordo com o especialista, se fizer uma comparação do sistema de segurança pública com o de saúde pública, a realidade é a mesma: quem tem condições, paga o privado. “Temos, hoje, um contingente de segurança privada maior até do que segurança pública, quem tem dinheiro mora em condomínios fechados, suas casas são vigiadas, tem segurança eletrônica, monitoramento, mas quem não tem, vai para a vala comum, o que chamamos de segurança pública uma espécie de SUS piorado no Brasil, é preciso rever”, afirmou.
Para o Edmundo Dias, a legislação penal brasileira é muito favorável ao infrator, além disso com o sistema carcerário caótico, não há como as pessoas cumprirem penas. “Estamos em período eleitoral, vem as eleições, todos os candidatos prometem soluções, mas quando vai ver, na efetividade, o cumprimento dessas promessas não acontecem”, criticou.

Reação
Considerando que, além dos homicídios dolosos, o Brasil lidera em crimes de violência contra a mulher, contra crianças, em estupros e contra população idosa hipossuficiente, Edmundo diz que preocupa-se com os rumos de país altamente violento pelo qual o Brasil está tornando-se. “Isso é muito grave, e tem que ter uma reação das estruturas de poder, infelizmente o quadro político que deslumbramos político não é alvissareiro, e a situação é cada vez pior”, admitiu.

Enfático, o especialista foi direto quando indagado sobre quais seriam as soluções. “As soluções são conhecidas: é levar a sério. Uma vez, um pensador brasileiro disse que a Constituição Federal tinha que ter só um artigo: todo brasileiro tem que ter vergonha na cara. Revoga-se as disposições em contrário. Falta, no Brasil, que as próprias instituições e estruturas do poder reajam contra esse sistema de banditismo, prevalecendo acima das instituições. Temos medo de sair na rua, ficamos preocupados com nossos filhos, porque o índice de criminalidade no Brasil chegou a um patamar que a segurança pública, hoje, praticamente não existe, infelizmente é essa realidade”, destacou.

No Ceará
No terceiro lugar de mortes violentas, o Ceará também ocupa a mesma posição quando o assunto é morte de mulheres, incluindo feminicídios. O número de homicídios no Ceará dobrou em período de 10 anos, segundo o Atlas da Violência 2018, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Na avaliação de Antônio Carlos de Martins Mello Filho, mestrando em Direito e Gestão de Conflitos, o discurso de que o que acontece no Ceará é um reflexo do Brasil violento perdeu forças. De acordo com ele, estados como São Paulo e Rio de Janeiro, com maior número de habitantes, ficaram em posições melhores.

“Esses dados demonstram que novas políticas públicas precisam ser implementadas imediatamente no Ceará, e apresentadas à população, oportunizando, inclusive, que todos participem desse processo de transformação. Também deve-se buscar com os governantes de outros estados, até mesmo de outros países, que vêm reduzindo o número de violência, o diálogo e a troca de experiência na área da Segurança Pública para tentar identificar e aplicar ações que deram resultados satisfatórios no combate ao crime. O Ceará precisa sair dos noticiários nacionais, que mostram os crimes e a violência em nosso Estado, e passar a ocupar lugar de destaque na saúde, educação, moradia e segurança pública”, opinou.

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter