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Expressões corporais podem anular depoimentos

quinta-feira, 31 de março 2016

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Ocorpo fala. As expressões corporais são uma das formas mais naturais de comunicação entre os seres humanos. Elas podem entregar sentimentos e emoções através de gestos ou da postura. Saber interpretá-las é um desafio e requer habilidade, mas ter a sensibilidade para compreender a mensagem não verbal é de grande valia em qualquer tipo de relação.
Da mesma forma que a postura de um candidato a uma vaga de emprego é considerada para contratação ou não, a de uma testemunha ou de qualquer uma das partes que compõem um processo jurídico também são observadas e acatadas perante uma decisão. No judiciário, a análise dos gestos conta como coleta de provas e pode anular depoimentos.

Recentemente, um juiz da 6ª vara do Trabalho de Porto Alegre decidiu descartar depoimento de uma testemunha ao analisar sua linguagem corporal. De acordo com o magistrado, Max Carrion, a testemunha havia feito gestos incompatíveis com o que dizia, e explicou que a linguagem não verbal diz respeito ao valor dado à prova oral.

Neste caso, a pessoa foi convidada por uma empregada de empresa de refeições que pleiteava indenização por danos morais, no entanto, no momento em que colhia o depoimento da testemunha, o juiz percebeu exageros com objetivo de beneficiar a reclamante. Por isso, considerou ação improcedente.

Análise é  fundamental
A juíza da 7ª vara de Família de Fortaleza, Shirley Crispino, concorda que qualquer profissional que trabalhe com relações humanas, sobretudo, o magistrado, deve apreciar toda e qualquer performance das partes. Ela ressalta que a análise das expressões corporais podem ser consideradas tanto em processos cíveis e criminais como em processos da Fazenda.

“O ser humano é de fato uma caixinha de surpresa, adágio popular verdadeiro. A linguagem corporal é vista pelos profissionais perspicazes, qualidade e talento de quem os têm. A perspicácia consegue enxergar o que não está escrito e que colabora com a interpretação. Eu diria que a linguagem corporal pode, inclusive, colaborar com a hermenêutica”, afirma a juíza.

Segundo Shirley, a sagacidade dos magistrados pode perceber detalhes que entregam como, no caso de vítimas, o grau de medo ou fobia, de coação sofrida pelo agente criminoso, de sofreguidão, grau de persuasão do agente criminoso sobre a vítima, grau de inocência da vítima, grau de periculosidade do acusado e até a influência da convicção formando um juízo de valor.

Exemplos de  expressões
Algumas das manifestações básicas que o ser humano pode transmitir e mais comuns em qualquer cultura são: o medo, a raiva, a tristeza, o desprezo e a alegria, fáceis de serem notadas em expressões faciais.
Na linguagem corporal, a insegurança ou timidez pode ser identificada pelos ombros descontraídos, esconder as mãos e pelo fato de que tendem a ocupar menos espaços. O interesse por um determinado assunto também é fácil ser percebido, normalmente a pessoa se inclina na direção contrária mostrando proveito com o que está sendo falado. Já o modo desleixado de como se senta ou se porta diante a outra pessoa, principalmente, quando se trata de uma autoridade, mostra desrespeito.
Os indicadores de mentiras são os que mais são considerados durante um julgamento. Ao mentir, as pessoas costumam se entregar realizando muitos movimentos, que podem ser interpretados como intenção de fuga.

Capacitação
Considerando a importância de identificar a mensagem não verbal como forma de contribuir na decisão de um processo, a magistrada defende a capacitação.
“É pena que os cursos de Direito, em sua grande parte, não ministrem aulas acerca da matéria. Acredito que esta faça parte da psicologia judiciária, mas, infelizmente, não há nos cursos de direito, comumente, disciplina com a matéria”, observa.

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