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Pode estar com o cadastro limpo mas continua com restrição de crédito

quinta-feira, 31 de janeiro 2019

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Sávio Aguiar – Presidente da CAACE ressalta que a simples negativa de crédito por má pontuação dos escores pode levar o caso ao Judiciário

O nome está limpo nos órgãos de restrição ao crédito e mesmo assim o consumidor tem o crédito negado. A surpresa vem quando solicita um cartão de crédito ou um financiamento, por exemplo. Mas, qual a explicação para as negativas? Essa é uma das principais dúvidas atualmente de milhares de consumidores brasileiros.
Trata-se, no entanto, do sistema de pontuação de crédito, conhecido como escore.

Toda a vida financeira do brasileiro é ranqueada através de uma pontuação, que vai de 0 a 1.000 pontos. Para as instituições financeiras, a leitura que se faz da pontuação de cada cidadão é, quanto menor os pontos, maior o risco de endividamento e quanto maior os pontos, menor o risco de endividamento. Ou seja, o crédito no mercado é liberado conforme o resultado dos escores. Contudo, surge outra dúvida: como ter acesso a essa pontuação?

O consumidor pode acessar os escores pela internet, nos sites da Boa Vista ou do Serasa, ou ir até uma das unidades físicas. É preciso um breve cadastro para informar o número do CPF e criar uma senha de acesso. Depois disso, o consumidor tem acesso à sua pontuação até mesmo pelo smartphone. Parece simples, mas a falta de informação complica a vida de muita gente, que tem o crédito negativado e não sabe ou não entende o motivo.

Essa, inclusive, é a principal crítica do especialista em direito do consumidor e atual presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Ceará (CAACE), Sávio Aguiar. “A ideia do crédito escore é pontuar o consumidor que é bom pagador, se você utiliza um serviço e honra com ele, você teria linhas de créditos, produtos e serviços com melhor índice de aproveitamento. A grande crítica que a gente faz, hoje, é como é nebuloso a opção desse cadastro, porque as pessoas não sabem como são pontudas nem quais são os critérios para o ranqueamento”, avalia.

De acordo com o advogado, o modal foi inspirado em modelo utilizado nos Estados Unidos. A diferença, é que lá o consumidor pode se dirigir até a instituição financeira e, além de sair sabendo o motivo da negativa, é informado sobre qual melhor caminho para aumentar a pontuação conforme o crédito que deseja conseguir.

Pontuação
A bibliotecária Natália Barbosa esteve com o nome restrito nos órgãos de proteção ao crédito por cerca de um ano, se organizou e pagou a dívida. Nesse período, cancelou os cartões de crédito que tinha e ficou sem movimentação financeira. Após um tempo em que pagou a dívida, solicitou cartão de crédito em umas três lojas e não foi aprovado. “Como passei a acompanhar minha pontuação no Serasa, entendi que meus escores estavam baixos, e lá mesmo dizia que minha pontuação era de risco, de alguém que possivelmente pode não honrar a dívida. Porém, acho injusto, pago outras contas em dias, tenho telefone pré-pago, faço compras à vista e a verdade é que meu escore não aumenta de jeito nenhum”, disse ela que afirma acompanhar a pontuação há seis meses. “Reativei uns cartões de crédito que tinha e minha pontuação não sobe, meu medo é mais na frente querer financiar um automóvel ou imóvel e não poder”, reclamou.

O problema da bibliotecária é o que o advogado Sávio Aguiar chama atenção, o consumidor brasileiro não é informado sobre como deve prosseguir para aumentar sua pontuação. “O que é necessário para subir o escore? Quem devo procurar? O que devo fazer? Essas informações não são repassadas, e você não sabe por onde fazer a pontuação subir. Como que chega a essa formula é o ponto que consideramos mais problemático dentro da dinâmica da aplicação do crédito escore”, considerou.

O que fazer?
O histórico financeiro de cada cidadão é diferente, portanto, o caminho para melhorar o ranqueamento também. Não há uma fórmula que valha para todos, a saída só é possível com uma movimentação financeira, ou seja, ter contas no nome. “A gente sempre recomenda que o consumidor busque o Serasa ou o próprio agente financeiro para que faça a demonstração da pontuação, dito como é montada, que peça a indicação do que ele busca de produto financeiro para que o gerente de crédito faça a sinalização do que é necessário”, recomenda Sávio Aguiar.

Para o advogado, a simples negativa de crédito por má pontuação dos escores pode levar o caso ao Judiciário. “Não pode simplesmente ter a negativa do crédito pela negativa do crédito. Você está tirando daquela pessoa a oportunidade, não defendo que o crédito seja oferecido de forma indiscriminada do produto, mas se você busca o banco porque quer comprar um veículo, uma casa, quer fazer um financiamento, você faz um contrato para comprar dinheiro e paga com juros, a questão é saber qual o parâmetro para uns e outros não, é trabalhar com regras de igualdade. A gente defende que a informação seja clara ao consumidor, se vai ao banco, que lhe digam qual quantidade de pontos e o que precisa fazer para melhorar para ter determinada linha de crédito”, finalizou.

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