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Sharenting: os perigos da exposição excessiva de crianças na internet

quinta-feira, 28 de fevereiro 2019

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Crianças representam a pureza e encantam sem fazer esforço. Uma gracinha aqui e outro sorriso ali, e o fofurômetro vai para alturas. Não é à toa que os pais, principalmente, os de primeira viagem fazem questão de registrar tudo, com fotos e vídeos de momentos dos pequenos. Até aí, tudo bem, porém a tecnologia deve ser utilizada com cautela, pois a partir do momento em que os registros são compartilhados nas redes sociais podem ganhar uma dimensão jamais imaginada e gerar alguns riscos.

É que estamos vivendo em uma era tecnológica, onde as informações são transmitidas com rapidez em alguns segundos, em poucos cliques e, cada vez mais, as crianças estão inseridas no mundo virtual. Os pais postam fotos dos filhos indo para escola, na piscina, na praia, até mesmo das roupas em que estão usando. Fazem vídeos mostrando o dia a dia da criança ou de momentos em família, e é aí onde mora o perigo. A exposição em excesso que os pais fazem dos filhos nas redes sociais tem nome: sharenting.

O termo sharenting surgiu no início dos anos 2000 com a junção de duas palavras: share, que significa compartilhar e parenting, que quer dizer a função de ser pai ou mãe. Com a explosão das redes sociais, compartilhar o dia a dia das crianças se tornou algo comum e gerador de muitos cliques. É por isso que temos, hoje em dia, tantos youtubers mirins, com canais de vídeos no Youtube e perfis no Facebook e Instagram.

O presidente da Comissão de Direito da Tecnologia da Informação da OAB-CE, André Peixoto, chama atenção para os riscos dessa superexposição e alega que tornou um grande problema dos dias atuais. Ele avalia que é preciso entender que estamos no meio de uma revolução da informação e que todo conteúdo produzido ganha dimensão nunca visto antes, o que, segundo ele, é de difícil compreensão para pais e mães que vem de uma era não tecnológica e que, portanto, acabam se empolgando em registrar todos os momentos dos filhos e compartilhando.

Riscos

André Peixoto alerta para as consequências que a superexposição de crianças pode causar, como abrir caminhos para pessoas de má intenção, podendo as fotos ou vídeos pararem em sites de pornografia infantil ou favorecer aplicação de golpes, estelionato e sequestros. “Há pessoas que se aproveitam dessas informações frutos da superexposição e tem bandidos que trabalham com essas informações, coletam onde as pessoas moram, escola que a criança frequenta, local do curso de inglês, da natação. Esse tipo de crime tem acontecido e tem potencial de crescer mais ainda, pessoas de qualquer lugar conseguem traçar todo perfil de vida da pessoa e aplicar golpes”, afirma.

Expor crianças com poucas roupas ou sem nada é outro fator importante a considerar, que pode gerar como consequência a vergonha no futuro ao encontrar fotos constrangedoras sem seu consentimento ou atrair pedófilos. “O pai é o gestor, mas a criança pode está exposta a pornografia infantil, o criminoso usa essas fotos e faz montagens. Então, tem que ter cuidado com a foto do filho no banho de piscina, por exemplo, pode não significar nada, mas para um cara de mente criminosa pode ser um fetiche”, alertou.

O advogado acrescenta que os pais, como genitores e responsáveis, devem ficar atentos aos limites do que é compartilhado sobre seus filhos e evitar a superexposição. “Estão expondo o cotidiano da família para uma possível ação criminosa, com as imagens utilizada de forma indevida”, disse. 

O presidente da Comissão de Direito da Tecnologia da Informação da OAB-CE esclarece que os casos podem ser ainda piores quando são meninas. “Existe uma moda dos youtubers gravando vídeos e se está bem vestido, ok. Mas se é uma menina com maquiagem e roupa de moda, o grau de exposição é maior. Os pais têm que ter muito cuidado, as consequências são muito difíceis de mitigar, a internet não pode ser livre e o uso pelas crianças deve sempre ser supervisionado pelos pais, assim como é válido adotar mecanismos de proteção e controle parental. Essa responsabilidade é dever dos pais”, destacou. 

Evitar

Para evitar os perigos causado com a superexposição, os pais precisam seguir algumas dicas:

• Não informar sobre a rotina dos filhos, como, por exemplo, local da escola ou de atividades extracurriculares;

• Não fotografar uniforme escolar;

• Não publicar fotos dos filhos com pouca roupa ou sem, mesmo na praia ou piscina;

• Não registrar correspondências ou números de identificação, pois facilita o trabalho de criminosos na coleta de informações.

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