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Vídeos incentivando a prática de ações com risco de morte tem mais de 7 milhões de brasileiros inscritos

quinta-feira, 28 de dezembro 2017

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“Desafios perigosos na internet: precisamos agir”, adverte Luiz Augusto Filizzola, que é advogado criminalista e presidente da Comissão Nacional de Estudos dos Cibercrimes da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM). A advertência acompanha a preocupação devido a propagação de vídeos em canais na internet induzindo crianças e adolescentes do mundo inteiro a praticarem desafios perigosos.

Não é de hoje que o assunto causa polêmica entre especialistas, educadores e pais de jovens. No último 08 de dezembro, um famoso youtuber chinês, de 26 anos, morreu após desafiar-se ao pendurar-se em um prédio de 62 andares. Ele filmava o próprio desafio quando despencou.

O jovem já era conhecido por filmar suas “habilidades” perigosas. “Atualmente, uma preocupação aflige os pais de jovens, reclamando uma reflexão e atenção da sociedade. Trata-se dos chamados desafios na internet. Verifica-se um aumento significativo da popularidade de canais no Youtube, os quais apresentam vídeos de indivíduos realizando desafios, enviados pelos seus próprios seguidores, que criam um risco verdadeiro a sua vida, como colocar álcool e atear fogo no próprio corpo, se jogar de um carro em movimento, inalar desodorante, arrancar o próprio dente com alicate, beber gasolina, dentre diversos outros absurdos propagados na web. O grande problema é que, tais comportamentos, têm sido reproduzidos por crianças e adolescentes que assistem a estas gravações”, preocupa-se o criminalista.

O advogado chama atenção para o número de inscritos nesses canais no Youtube, inclusive, um canal brasileiro que soma mais de 7 milhões de pessoas inscritas para acompanhar os vídeos. Ele cita três vídeos que, somando, tem mais de 20 milhões de visualizações, como beber um copo de gasolina, testar arma de fogo no corpo e colocar a mão no formigueiro. Segundo Luiz Augusto Filizzola, o que torna viral é a falta de classificação etária, o que pode ser acessado por qualquer pessoa sem alguma restrição.

O especialista sugere como medidas de precaução, a responsabilização para criadores e divulgadores por estar influenciando e servindo de exemplo. “Afinal, se crianças estão realizando estes desafios absurdos, repetindo estes comportamentos, precisamos agir imediatamente”, adverte.

Política de uso
Luiz Augusto Filizzola explica que o Youtube, por ser uma plataforma de hospedagem de vídeo, não interfere no conteúdo de cada canal. Porém, ele reitera que deveria haver controle de faixa etária para o acesso. “Uma sugestão é aplicar o que se estabelece no Guia de Classificação Indicativa, elaborado pelo Ministério da Justiça, fixando uma idade mínima para assistir a determinados vídeos no Youtube, especialmente aqueles contendo cenas de mutilação e violência gratuita”.

O próprio Youtube, por sua política de uso, apresenta a seguinte advertência: “Se o seu vídeo contiver passagens, ainda que breves, de qualquer participação em atividades nocivas ou perigosas, não o publique. Tendo em vista a proteção dos utilizadores menores, poderemos aplicar restrições de idade a vídeos que mostrem adultos a participar em atividades com alto risco de ferimentos ou morte. Já que existe esta advertência, portanto, que se apliquem as restrições etárias”, sugere.

Quem filma
O especialista também destaca que quem filma e posta os vídeos deveria apresentar aos seguidores algum tipo de advertência sobre o conteúdo. “Convém salientar, que a classificação etária e a advertência, em nada se confundem com censura, afinal, o conteúdo estará sempre disponível, todavia, será classificado como inapropriado para uma determinada faixa de idade, aliás, como na TV ou no cinema”, ressalta.

Acompanhamento
Para o presidente da Comissão Nacional de Estudos dos Cibercrimes da ABRACRIM, os pais poderiam supervisionar os sites acessados pelos filhos como forma de acompanhar o que o filho acessa e evitar conteúdo perigoso ou inapropriado. Por fim, ele sugere ao Estado que implemente Educação Digital para crianças e adolescentes para ensinar sobre os perigos da internet. “Com estas medidas, talvez se coloque um freio nesta mega exibição virtual indevida destes vídeos às crianças e jovens inocentes, que estão sendo vítimas, expondo suas vidas ao perigo quando repetem comportamentos ou realizarem estes desafios absurdos”, concluiu.

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