quarta-feira, 14 de novembro de 2018.
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"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Um último adeus à Wanda Palhano

sexta-feira, 23 de junho 2017

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Depois que assumiu a presidência do Jornal O Estado, em 1996, a Doutora Wanda Palhano sentiu a necessidade de dedicar um espaço maior no periódico, para as coberturas dos acontecimentos sociais de Fortaleza.
Além dos cronistas que já escreviam para o jornal, como nosso colunista social Flávio Tôrres, ela teve a ideia de lançar um caderno semanal e, nas páginas do mesmo, registrar as imagens dos mais importantes eventos e de seus personagens.
Foi assim que nasceu o Linha Azul, nome criado pelo publicitário Guto Benevides, carinhosamente chamado de Gutinho, por ela. O caderno Linha Azul é uma referência à expressão “sangue azul”, surgida na Idade Média, para definir um indivíduo ou grupo de indivíduos associados à nobreza.

Diferente
Na realidade, como editora do caderno, a “Doutora”, como a chamávamos, fugiu um pouco disso e deu espaço para eventos ou para pessoas mais populares, trazendo um colunismo social diversificado, registrando festas das famílias mais abastadas, assim como eventos de grupo quilombola.
Essa era a “Doutora”, diferente! Na sua forma de ser, de pensar, de ver o mundo e de integrar, a palavra. Por isso, se algumas vezes você ler ou vier a ver o Linha Azul e estranhar que determinado evento esteja ali estampado, lembre-se da Doutora Wanda.
Os detalhes acima narrados podem parecer pouco significantes, mas se você parar, refletir e analisar, perceberá como a “Doutora” era extraordinária. Hoje, segundo dia de sua partida, eu não poderia deixar de escrever algumas linhas para falar sobre ela.
O difícil foi achar inspiração e encontrar o fio da meada para começar a narrar ou homenagear essa “mulher guerreira, à frente do seu tempo”, como bem definiu o editor, no texto publicado na capa da edição de O Estado, ontem.

Do Paraná para o Ceará
Wanda Palhano, nascida em Jataizinho, no Paraná, chegou criança em Guaramiranga, e corria livre, leve e solta pelo hoje famoso Sítio Tibaji (seu pai o batizou com esse nome, homenageando o rio paranaense). Por um erro de cartório, a Wanda Palhano ficou sem o Holanda, diferente dos todos os irmãos que receberam o sobrenome de Holanda Palhano, eram filhos de Cecy de Holanda e Joacy Palhano.
De Guaramiranga, “Wadinha” – esse é outro dos seus apelidos – veio morar com a família em Fortaleza, na João Cordeiro, sendo vizinha da família Dias Branco, quando, por muitas vezes, seu amiguinho Ivens, zangado, porque pegava a bicicleta do mesmo, emprestada e demorava muito para devolver.

Vené
Wanda cresceu, virou adolescente e se transformou numa linda mulher, uma das mais bonitas que já se viu por aqui, possivelmente, teria sido Miss Ceará, mas, a participação no concurso foi inviabilizada em decorrência de um repentino acidente que vitimou sua mãe, Dona Cecy.
Além de tanta beleza, interior e exterior, Wanda sempre foi muito inteligente, estudou em vários locais, mas foi no Colégio São João que ela teve seu maior aprendizado. Queria cursar Medicina, porém, com a orientação do professor Odilon Braveza, seguiu os trilhos do Direito.
Ela contava que sofreu para aprender as quatro catilinárias – um conjunto de discursos do orador romano Marco Túlio Cícero, proferidos contra o então senador da República Romana, Lúcio Sérgio Catilina –, mas aprendeu e foi aprovada com sucesso e louvor no vestibular de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC). E foi nessa velha Salamanca que conheceu Venelouis Xavier Pereira, o Vené, com quem criou um grande vínculo, casou, teve filhos, separou, mas nunca deixou de admirá-lo e tê-lo como amigo.

Santa
A nossa “Doutora” viveu seus últimos anos como gostava: comandando o Jornal O Estado, pelo qual tinha um verdadeiro amor, frequentando eventos, dançando, cantando, atuando e ajudando várias entidades, sempre recebendo carinho e afeto por onde passava. Com muitos anos de convivência, nunca ouvi ninguém falar nada que depreciasse a imagem da Doutora Wanda Palhano. E “ai” de que quem falasse!
Aquele ditado que diz que pessoa morta vira santa, não cabe para a nossa Doutora, diferente, bonita, generosa, ela já era santa, mesmo antes de partir. Siga em paz, “Doutora”, porque nós por aqui ficaremos com a oportunidade de seguir seu exemplo e honrar o seu nome e sua memória, principalmente, através do nosso trabalho.

POR IRATUÃ FREITAS

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