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Bromélias do Nordeste

terça-feira, 04 de julho 2017

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É exigido de todos os indivíduos adaptações para sobrevivência na biosfera. Especialmente no Bioma Caatinga, um lugar difícil para sobrevivência tanto de animais quanto de vegetais. As bromélias são um exemplo de adaptação às mais variadas condições, especialmente na caatinga um lugar difícil para sobrevivência tanto de animais quanto de vegetais. Dentre algumas espécies, popularmente conhecidas, encontra-se: caraguatás, cravinho-do-mato, gravatás e entre outras. Esses vegetais são bem adaptáveis, possuindo representantes nas mais variadas regiões, com climas bem distintos. Estando presente tanto na região de Caatinga quanto no alto das montanhas.

As bromélias, em geral, são consideradas ampliadoras da diversidade. Isto porque, nos diversos habitats em que vivem, oferecem a fauna local água e abrigo na base de suas folhas, que usualmente formam um tanque que acumula água da chuva. Assim, é muito comum observar várias espécies de insetos, pequenos anfíbios (como sapos, pererecas e rãs) que utilizam do seu tanque para depositar seus ovos (sendo comum a presença de pequenos girinos) e aranhas que se aproveitam da arquitetura das folhas das bromélias para tecerem suas teias. Além de fornecer água e abrigo, durante a sua floração, fornecem o precioso néctar de suas flores em abundância, sendo uma fonte significativa de alimento, atraindo uma grande diversidade de animais que dele se alimentam, como beija flores, mariposas, borboletas entre outros insetos.

1354 espécies
Este grupo de plantas apresenta uma vasta diversidade, no Brasil possui 1354 espécies, distribuídos em 44 gêneros, este elevado número deve-se ao fato do país apresenta dois hotspots de diversidade da família, região amazônica e Mata Atlântica. No nordeste ocorrem 434 espécies de acordo com a flora do Brasil, a família ainda está entre os mais diversos grupos de plantas da caatinga.

O Nordeste Brasileiro possui uma diversidade significativa de bromélias. A Macambira (Bromelia laciniosa) é um exemplo de planta típica de clima seco, distribuída desde a Bahia até o Piauí. Essa planta é xerófita, ou seja, um vegetal adaptado ao clima seco. As suas folhas estão distribuídas em torno do caule, o que pode gerar um armazenamento de água, tornando um excelente habitat para vários animais, de tal modo, apresentado grande importância ecológica. Por ser abundante no Sertão Nordestino, a Macambira é utilizada das mais variadas maneiras pelos sertanejos, principalmente, em época de grande estiagem. Ela pode ser utilizada como complementação alimentar de caprinos, ovinos e suínos e também na dieta do homem, na confecção de pão. Sua raiz pode ser utilizada para combater a erosão, entre outras utilidades. Portanto, é encontrada na macambira uma alternativa para quem convive com a seca.

Ananás
O abacaxi (Ananas comosus L.), planta de clima tropical, é outro exemplo de bromélia com grande valor socioeconômico. De acordo com dados do IBGE, o estado da Bahia é o quarto maior produtor de abacaxi do Brasil, com uma produção de 170 milhões de frutos numa área de 6.763 hectares e sua produtividade é de 38 toneladas por hectare plantado. Destes, a microrregião de Porto Seguro é responsável por 11% da produção do Estado baiano. Como os vegetais pertencentes à sua família, o abacaxi pode ser produzido em condições adversas, como em períodos de seca, o que possibilita o cultivo em áreas sem irrigação. Por causa das vantagens e facilidade no cultivo dessa fruta, boa parte da produtividade do abacaxi é oriunda de agricultura familiar. Além do seu fruto, outras partes dessa planta podem ser aproveitadas.

O seu caule é matéria-prima para a indústria alimentícia e para produção de álcool etílico e gomas. O restante do abacaxizeiro, assim como a macambira, pode ser utilizado na alimentação de animais, tanto na forma de material fresco quanto ensilado. Nas regiões secas, é feito vinho do fruto doce e fermentado. E também, em alguns países, o suco verde é utilizado como vermífugo.

Gravatá
Outro exemplar de bromélia no Nordeste é o caroá (Neoglaziovia variegata). Conhecido popularmente, também, como gravatá, gravá, caruá, croatá, caraguatá e coroatá ocorre em quase todo semiárido brasileiro. Sendo encontrada no sertão, desde o Ceará até o Vale do São Francisco, e desde o Piauí até a Bahia, em largos trechos na região litorânea. O município de Ibiapina, no Ceará, é seu principal produtor. A fibra tem grande valor econômico, com ela é possível produzir corda, barbante, cesto etc. Seu fruto é consumido naturalmente pelo sertanejo, servindo com uma fonte alternativa de vitamina C ou em forma de suco, licor e mousse. Ela também faz parte da alimentação de animais silvestres, típicos da região de Caatinga. O caroá junto com a macambira são plantas que estão sendo estudadas na Universidade Federal do Vale do São Francisco, para comprovar suas propriedades farmacêuticas.

O bioma da Caatinga é conhecido, pelo senso comum, como um lugar pobre, sofrido e sem prosperidade. Porém, diferente do que todos pensam, esse bioma é rico e prospero à sua maneira, e a diversidade de bromélias é uma prova disso. Com as bromélias, o sertanejo encontrou uma fonte alternativa, tanto alimentícia quanto econômica, para a sobrevivência no Sertão.

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