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CSP investe mais de 30 milhões para minimizar impactos ambientais

terça-feira, 14 de março 2017

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A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) atingiu um milhão de toneladas de placas de aço exportados pelo Porto do Pecém, no último dia 10 de fevereiro, após seis meses do primeiro embarque. A previsão é exportar 1,563 mil toneladas de placas de aço ao longo do primeiro semestre deste ano, por meio de 39 navios atracados no Pecém. Isso é bom para a economia? Claro que sim!

Ao longo de 2016, foram aportados R$ 254 milhões em compras locais e a estimativa, a partir deste ano, é adquirir R$ 520 milhões anuais. Somente a CSP movimentará mais de 8 milhões de toneladas de matérias-primas por ano, com grande participação do Ceará na venda de fundentes, cuja demanda interna é de mais de 1,0 milhão t/ano. Do mercado nacional serão adquiridos 4,8 milhões de t/ano de minério de ferro e pelotas. Outros 2,4 milhões de t/ano de carvão, aproximadamente, serão importados.

E para o meio ambiente? O presidente da CSP, Eduardo Parente, afirma que “mais do que uma obra muito bem feita, tudo foi feito de uma forma muito correta” e que nenhum empreendimento teve mais preocupação com os impactos sobre o meio ambiente e sobre as comunidades do entono, como a siderurgia do Pecém.
“É lógico que tem impacto. Um empreendimento dessa monta! A gente trabalha muito para minimizar esses efeitos. Gastamos mais de 30 milhões em investimentos para minimizar os impactos”, disse Parente, afirmando que no início da operação houve um cuidado “alucinado” para mitigar o primeiro gusa que foi para o chão e evitar a tal da “chuva de prata” e que mantém um diálogo aberto e permanente com as comunidades relacionadas ao empreendimento.
“Foi uma operação tão eficiente que ela demorou muito pouco tempo. Aí teve aspersão de água, exaustor, física de contêineres, teve a comunidade toda conversando conosco, teve monitoramento de emissão de partículas [de anos] e a gente não tem nenhuma mudança relevante na emissão de partículas, mesmo nas comunidades mais próximas”, esclarece.

“Dos R$ 13 bilhões que foram gastos na obra, um bilhão foi para proteger o meio ambiente em termos de monitoramento, aquisição de equipamentos, garantindo as melhores práticas. Não existe siderúrgica do mundo tão moderna quanto a nossa. Não tem ninguém melhor do que a gente em termos de cuidados com o meio ambiente.”
A companhia gastou R$ 3 milhões em reflorestamento, 26 em licenciamento e compensações ambientais e produz toda a energia que consome plataforma industrial e ainda vende a energia de volta. Reusa 98% da água e o consumo é menos da metade se tivesse os mesmos padrões de outras siderúrgicas.

Injustificável
Para o físico e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Alexandre Costa, “mesmo que tudo funcionasse perfeitamente, só o uso de água e as emissões de CO2 já tornariam injustificável a implantação de uma siderúrgica por aqui, e que nossa vocação natural seria para outras cadeias produtivas radicalmente distintas, como energias renováveis, tecnologia de informação e outras de baixo impacto”, disse ao Estado Verde.
“O mundo não precisa de mais aço além das toneladas que irracionalmente já foram extraídos como ferro e manganês do subsolo, deixando rastro de destruição como em Mariana-MG. Trata-se da essência da atividade: siderurgia, mineração, extração e queima de combustíveis fósseis, precisamos de planos para reduzir rapidamente essas atividades.”

Costa explicou que “produzindo a toda, a CSP vai emitir 5,7 milhões de toneladas de CO2/ano” e que a “cadeia da siderurgia, desde o começo, na mineração (de ferro e carvão) é destrutiva até a medula” e que não podemos viver é sem água e sem comida “e é exatamente o que essas indústrias globalmente estão a fazer com o planeta”, encerra.

Sustentabilidade
Para o especialista em Sustentabilidade, Ricardo Voltolini, a sociedade não deve abdicar da ideia de crescimento econômico e a empresa, muito menos. E ainda, a “dimensão ambiental não deve ser vista como um obstáculo” e que precisa mudar essa percepção. Voltolini é o criador da Plataforma Liderança Sustentável.
“Impactos? Todos provocam. Uma mineradora é poluente? Então vamos acabar com todas as mineradoras? Vamos começar pelo celular. Você acredita que ele é feito de quê? Tem minério em nossa vida, em tudo o que a gente faz. Enquanto precisarmos de minério, por exemplo, é preciso discutir como impactar menos”, afirma Voltolini.
“A sustentabilidade traz um novo jeito de pensar e fazer negócio que já considera a ética, transparência, integridade, responsabilidade, respeito ao outro e principalmente, ao meio ambiente. Muito baseado na Teoria do Triple Bottom Line ou tripé da sustentabilidade. Cada vez mais, não será admitido que se gaste mais recursos que a natureza seja capaz de repor e, muito menos, o lucro que venha em prejuízo de pessoas e do meio ambiente.”

Consumo de água
Nesse aspecto a CSP busca fazer a coisa certa, segundo Parente. “É óbvio que o desenvolvimento traz isso [impactos], mas a tendência é alguns impactos serem esporádicos, por que a gente trata a coisa muito bem. Também, estamos gerando um grande impacto econômico, que é muito benéfico”. A CSP garante, atualmente, 2.604 empregados diretos e investiu R$ 30 milhões em responsabilidade social. Veja box.
Com relação aos compromissos ambientais o presidente destaca a questão hídrica. “Obviamente sabia-se que o empreendimento vinha para um lugar seco”, mas o projeto foi todo feito para um consumo de água muito menor do que um previsto em um projeto “normal”.
“A gente precisa de água para resfriamento, é parte natural do processo. São 3.15 metros cúbicos por tonelada de aço bruto produzido. Hoje, o consumo é de 0, 3 metros cúbicos por segundo, o padrão das demais siderurgias é 0,7”, encerra.

Compromissos da csp – com o meio ambiente

– Investimento na aquisição de equipamentos e processos voltados à preservação do meio ambiente: R$ 1 bilhão
– Compromisso de emissões atmosféricas abaixo das estabelecidas na legislação ambiental brasileira: 50% menores
– Reaproveitamento de resíduos sólidos na CSP: 97%
– Reaproveitamento de água usada pela CSP: 98%
– Geração de energia elétrica: 100% própria (autossuficiente)
– Biodiversidade: reflorestamento de 412 hectares com mudas especiais nativas plantadas com sementes da área de supressão vegetal: 320 mil mudas

Compromissos sociais
– Investimento em responsabilidade social: R$ 30 milhões
– Investimentos no Programa de Qualificação Profissional (2014-2015): R$ 5 milhões
– Investimentos no Programa Aprendiz PCD (Ano 2017): R$ 908 mil
– Investimentos no Programa Jovem Aprendiz CSP (a partir de 2017): R$ 1.100.000,00 / ano
– Cursos profissionalizantes em parceria com o Senai-CE: 24
– Programa Ideia da Gente (3 ciclos, sendo o terceiro em andamento): R$ 3,4 milhões
– Programa de Diálogo Social (executado desde 2013): atende 11 localidades de São Gonçalo do Amarante e Caucaia
– Programa Território Empreendedor (parceria com o Sebrae-CE): 530 participantes em 30 oficinas e 155 empreendimentos atendidos

Compromissos com a economia
– Impacto no PIB estadual, na fase da construção: 6%
– Previsão de impacto no PIB estadual, na fase de operação: 12%
– Previsão de impacto no PIB industrial, na fase de operação: 48%
FONTE: Phorum Consultoria

Capital Humano
– Empregados diretos: 2.604
– Nível operacional: 76%
– Nível superior: 24%
– Brasileiros: 98,1%
– Outras nacionalidades: 1,9%
– Mulheres: 292 (18 em cargos de gestão e 169 na área operacional)

Por Tarcilia Rego
oev@oestadoce.com.br

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