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Dia Mundial sem Compras, o contraponto da Black Friday

Por Tarcilia Rego tarciliarego@oestadoce.com.br

terça-feira, 21 de novembro 2017

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No próximo sábado (25), acontece mais um Dia Mundial sem Compras (DMsC). Também conhecido como Buy Nothing Day ou Dia de Não Comprar Nada é celebrado tradicionalmente na última sexta-feira de novembro, no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças, para coincidir estrategicamente com a Black Friday, o dia onde as lojas oferecem grandes descontos e apelam ao consumo extremo.
O dia de não comprar nada foi criado pelo artista Ted Dave, no Canadá em 1992. O propósito dele foi chamar a atenção para os problemas que o consumo desenfreado levanta. A data foi ganhando adeptos ao longo dos anos, sendo adotada, atualmente, por mais de 60 países. Fora dos Estados Unidos e do Canadá o DMsC realiza-se sempre no último sábado de novembro.

Vaidosa
Vivendo em um mundo onde se consegue qualquer coisa a qualquer hora em qualquer lugar, onde tudo é muito rápido e onde com apenas um celular na mão, uma moradora de Fortaleza pode trocar todo o seu guarda-roupa por peças compradas na China, e com preços animadores, fica difícil não consumir.
Que o diga Henriqueta. A jovem de classe média alta, moradora da Aldeota, sempre teve facilidades para consumir, nunca lhe faltaram os recursos e nem a vontade de comprar. Ela garante que não consegue ficar um dia inteiro sem consumir e que “adora” os sites de compras, assim como “gastar” nas lojas de shopping center. Com ela, a ordem é consumir.
“Quando viajo, não perco a oportunidade de trazer novidades. Muitas vezes, ao retornar, não sei nem o que fazer com tantos pacotes. Em uma ocasião, eu comprei tanto que deixei as compras por mais de uma semana sobre uma cama no meu quarto, depois é que fui ver o estrago”, contou, garantindo que não se considera uma consumidora “maníaca”, apenas “vaidosa” e que “nem sabia desse dia sem compras” e que a expectativa dela é “pela chegada do Black Friday”.

Um dia normal
Se o DMsC não desperta qualquer interesse na consumidora “vaidosa”, para a turista Rosângela da Conceição de Freitas dos Santos, da cidade de São Paulo, que visita Fortaleza pela primeira vez, o Black Friday é um dia “normal” assim como passear pelas calçadas da Avenida Monsenhor Tabosa, na tarde do último dia 17, sem nenhuma sacola de compras nas mãos.
Eu perguntei: Você veio a Monsenhor Tabosa para comprar? Ela respondeu: “Também!”. Rosangela afirma que não é uma pessoa consumista e “com certeza”, ficaria um dia inteiro sem consumir nada, sem comprar nada. “Eu não sou uma pessoa que vive consumindo”, fez questão de ressaltar.
“Eu me considero uma consumista responsável, ou melhor, uma consumidora consciente. Eu consigo me controlar, mesmo que eu goste de um produto. Ficar um dia sem consumir? Oh…Para mim é normal. E quanto ao Black Friday não me impulsiona a comprar sem necessidade. Não, nenhum um pouco.”

Cuidar
Este ano, a Black Friday acontece no dia 24 de novembro, e segundo uma pesquisa realizada pelo Google, os consumidores brasileiros pretendem gastar um valor médio de R$ 1.071.
Se a sexta Black Friday é um ânimo ao consumo desenfreado, o Dia de Não Comprar pode ser um ponto de partida para qualquer pessoa que queira se tornar ambientalmente amigável. O pensamento do advogado José Rocha vai nessa linha. O turista que visita Fortaleza por conta de um congresso em sua área, também se considera consumidor responsável. “A pessoa deve cuidar para não ser levado pelo apelo das propagandas”, disse.
“É preciso ter consciência, do que você precisa, realmente. O cidadão não pode ser levado pela propaganda, pela divulgação e pelas ofertas , é preciso selecionar. Principalmente neste momento econômico que estamos vivendo, um momento de crise só deve comprar o necessário. Ademais, ser um bom consumidor contribui, perfeitamente, para um meio ambiente mais saudável.”

Ambientalistas
Ele tem razão, ambientalistas renomados mundialmente não pensam diferente dele. Para o biólogo americano Thomas Lovejoy, da Universidade George Mason, presidente de biodiversidade do Centro Heinz para Ciência e consultor do Banco Mundial sobre meio ambiente, “nós deveríamos estar em guerra contra o nosso estilo de vida”. Para Paul Singer, professor titular da USP, especialista em Economia Solidária, “o padrão de consumo no mundo vai ter que mudar”. Na mesma linha, o teólogo brasileiro, Leonardo Boff, costuma afirmar que “a Terra como conjunto de ecossistemas já se tornou insustentável, porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já passou em 40% de sua capacidade de reposição”.
Outro renomado preocupado com o estilo consumista da atual sociedade global, é o cientista indiano Rajendra Pachauri, que presidiu o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, além de ganhador Prêmio Nobel da Paz. Segundo Pachauri, “o estilo de vida ocidental é insustentável”.

Consumidor consciente
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o consumidor consciente é um agente transformador da sociedade. “É aquele que leva em conta, ao escolher os produtos que compra, o meio ambiente, a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, além de questões como preço e marca. Sabe que os atos de consumo têm impactos e que, mesmo um único indivíduo, ao longo de sua vida, produzirá um impacto significativo na sociedade e no meio ambiente.”
Ainda segundo o MMA, o consumo consciente “pode ser praticado no dia a dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços, ou pela escolha das empresas da qual comprar, em função de seu compromisso com o desenvolvimento socioambiental.” Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.

Black Friday

A oitava edição da Black Friday deve consolidar o evento como uma das principais datas de vendas do comércio brasileiro. As estimativas apontam um volume de negócios próximo de R$ 2,2 bilhões, 20% a mais que em 2016, apesar da desconfiança do consumidor com o Dia, como demonstra a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CDNL).
Segundo o levantamento, que ouviu 1.616 pessoas nas 27 capitais brasileiras, 39% dos consultados planejam fazer compras durante a promoção, enquanto 43% também querem comprar, mas vão analisar os preços antes. O índice reflete a dúvida surgida nas edições anteriores de que parte das lojas simulava descontos e, na verdade, cobrava os mesmos preços de antes, ou oferecia reduções muito pequenas.
A pesquisa revela também que os consumidores consideram gastar cerca de R$ 1 mil, este ano. Smartphones (29%), roupas (28%) e eletrodomésticos (25%) lideram o desejo de compra. Os ambientes preferidos são os sites de lojas nacionais (56%) e os shoppings centers (23%). Os consumidores que pretendem comprar apenas no dia da Black Friday somam 40%, enquanto 26% calculam que vão adquirir produtos ao longo de novembro.

“Buy Nothing Day”

O Dia Mundial sem Compras (DMsC) ou “Buy Nothing Day” ocorre no último sábado de novembro, com exceção dos Estados Unidos e do Canadá onde é celebrado no Dia de Ação de Graças (última quinta-feira de novembro). O objetivo do DMsC é não se comprar nada na data e discutir sobre os efeitos nocivos do consumo desenfreado.
Durante a celebração do Dia Mundial sem Compras tende abrir mão do consumismo resistindo às tentações consumistas! Para celebrar a data, que tal colocar para si o desafio de tentar passar o dia inteiro sem comprar uma única coisa? Que tal, também, divulgar o dia junto dos seus conhecidos e desafiá-los a fazer o mesmo? Quem comprar algo nas promoções da Black Friday perde o desafio. Quem não comprar nada, ou o último a comprar algo, é o vencedor, tendo direito a um prêmio.

Repensar
O importante mesmo é que cada cidadão repense o seu modo de viver e de consumir, refletindo sobre suas reais necessidades. Dessa forma, gera-se menos resíduo e menos desperdício. A dona de casa, Josany Rocha, turista procedente da Paraíba, afirma que segue este princípio e não vai sair por aí consumindo dia 24.
“Eu já tenho o que eu preciso, então eu não tenho necessidade de sair comprando qualquer coisa, só por que é Black Friday. Fazer compras, consumir sem necessidade não é de meu feitio. Estou mais para Dia Mundial Sem Comprar .”

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