30 C°

sábado, 16 de dezembro de 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

É pela água, os novos caminhos do Parque do Cocó

Por Tarcilia Rego oev@oestadoce.com.br

terça-feira, 05 de dezembro 2017

Imprimir texto A- A+

IMAGENS REPRODUÇÃO

Uma proposta que “fortalece o reconhecimento do valor” de uma área verde, “na vida cotidiana do cidadão”. Está é a ideia que está no centro do projeto vencedor do Concurso Nacional de Ideias para o Parque Estadual do Cocó de autoria da arquiteta urbanista Marina Mange Grinover, doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e sua equipe.

O projeto vencedor veio da Capital paulista, já o segundo colocado é de Fortaleza, de autoria de Ricardo Henrique Muratori de Menezes, e em terceiro lugar, o trabalho de Alexandre Brasil Garcia, de Belo Horizonte. O trabalho de Gabriela Tie Nagoya Tamari, de São Paulo, recebeu menção honrosa.
O resultado foi anunciado no último dia 30, com transmissão ao vivo via internet, pela página da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), no Facebook (sema.ceara). O primeiro lugar ganha R$ 80 mil, o segundo cinquenta e o terceiro 25 mil. O primeiro colocado vai ter a ideia aplicada no Parque. As propostas foram avaliadas por uma equipe multidisciplinar, coordenada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil “IAB-CE).

17 áreas
Pelo sistema adotado pelo concurso, um programa de computador utilizado deu acesso às identidades dos concorrentes no momento da leitura da ata, pelo titular da Sema, Artur Bruno. “Foram 81 pessoas inscritas, 18 apresentaram trabalhos. É um projeto muito grande, 17 áreas com várias características”, disse Bruno.
O secretário fez um histórico da regulamentação do Parque e falou da intenção de ocupar as 17 áreas degradadas com equipamentos de esporte, lazer, contemplação e educação ambiental. “Para cada local, nós pedimos ideias”, disse.

Custódio Neto, presidente do IAB-CE, elogiou a iniciativa do governo do Estado. “A maneira mais democrática e transparente de realizar um concurso”, disse. Segundo ele, para os arquitetos “é uma bandeira histórica, por que defende a democratização das oportunidades de participar das obras públicas no país”, a exemplo do que acontece em outros países, como na França, “onde todas as obras públicas são feitas através de concursos”.

Próximos passos
Haverá um prazo para recursos e impugnações (de 2 a 11 de dezembro de 2017), até a homologação oficial do resultado, dia 14 de dezembro de 2017. Tudo correndo bem, sem interpelações ou recursos, a solenidade de premiação acontece no próximo dia 17, com a presença do governador Camilo Santana. Os trabalhos serão expostos entre 11 de janeiro e 12 de março de 2018.

Será feito um levantamento dos imóveis na região do parque – cerca de 600 – assim como um estudo para avaliar a aplicação do projeto, preservando as comunidades tradicionais. Uma consultoria será contratada para verificar se as comunidades que moram na área ou no entorno do Cocó, são realmente comunidades tradicionais.

Água, uma fonte de geração de riqueza e renda

De acordo com a proposta da equipe paulistana, “entende-se que é preciso tratar o parque e sua preservação dentro de um raciocínio em que a sociedade faça parte dos processos de desenvolvimento, preservação e ocupação do mesmo”.

Segundo o Memorial Descritivo do vencedor, a equipe identificou as fronteiras do parque, as áreas de fragilidade e ruptura da área, e mapeou “na escala ecológica, fragilidades e potenciais dos processos ambientais, identificando os pontos de degradação e a resiliência dos ecossistemas envolvidos”.

Partindo do reconhecimento e das identificações “elaborou-se, na escala do construído, uma série de programas de uso e desenvolvimento econômico que permitem ao Cocó, tornar-se uma fonte de geração de riqueza e renda, capazes de financiar sua própria preservação” .

Água
Dada a extensão do parque e sua importância como infraestrutura de drenagem da cidade de Fortaleza, os urbanistas vencedores escolheram a água como o elemento básico – com seu regime e seus ciclos – para criar os “novos caminhos de lazer e transporte no parque”. Um elemento “capaz de fazer a costura territorial”, conforme Memorial Descritivo.

“Simultaneamente, fortalecemos usos e respondemos às precariedades da infraestrutura urbana de mobilidade, drenagem e esgoto. As águas residuais das áreas de intervenção serão tratadas em estações descentralizadas, com sistemas compactos anaeróbios com pós-tratamento e polimento em sistemas de alagados, construídos para fitorrestauração. No que se refere à dre¬nagem urbana, são considerados dispositivos integrados ao paisagismo que tratam a água escoada ao longo das redes de transporte e coleta, antes do lançamento no rio.”

outros destaques >>

Facebook

Twitter