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Educação ambiental – Sem informação, nada de sustentabilidade

terça-feira, 15 de outubro 2013

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Por Souto Filho
soutofilho@oestadoce.com.br

Historicamente, o homem exerce uma pressão sobre os recursos naturais, e as interferências humanas sobre o meio ambiente são, ao longo do tempo, respondidas pela natureza. Neste contexto, é preciso conscientizar as populações sobre os problemas ambientais que podem ser gerados pelas atitudes do homem na Terra. Assim, a educação ambiental, através de uma forma dinâmica, procura desenvolver uma consciência crítica sobre as problemáticas do meio ambiente.

Procura também ensinar as formas adequadas de uso dos recursos naturais, instruindo e promovendo a cultura ambiental, visando uma postura e consciência equilibrada entre o homem e a natureza. Hoje, é comemorado o Dia do Educador Ambiental. Entretanto, a grande pergunta é – Quem são os responsáveis por passar esta informação à sociedade?

A orientadora de Célula de Educação Ambiental do Conselho e Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Maria José Holanda, revelou que sem educação não existe sustentabilidade. Para ela, não são multas ou sanções que farão a população se conscientizar e evitar praticar ações que denigrem o Meio Ambiente. Entretanto, ela acredita que é possível mudar paradigmas, mesmo que em longo prazo.

De acordo com Maria José, apesar de ter uma visão otimista dos preceitos da sustentabilidade realizada pela população, ainda não é plausível analisar mudanças de postura ou previsões de quanto o conceito de preservação do Meio Ambiente tornou-se prática cotidiana na vida das pessoas. Ela ressaltou que muitas coisas avançaram, mas é difícil mensurar estas atitudes em números.

A coleta seletiva é, sem dúvida, uma base para qualquer sociedade sustentável. Entretanto, a orientadora explicou que não existe separação de resíduos sem uma preparação educacional. “Por mais que coloquemos equipamentos de captação de resíduos de forma seletiva, não vai acontecer nada se as pessoas não tiverem educação ambiental. A principal ferramenta para a implementação da PNRS [Política Nacional de Resíduos Sólidos] é a educação. Podem existir equipamentos, mas se isso não estiver nas mentes das pessoas elas podem até ver a lixeira, mas jogarão o lixo ao lado”.

Em contrapartida, desenvolver a educação ambiental também é uma obrigação dos poderes públicos. No Ceará, está ação é de responsabilidade da Secretaria de Educação do Estado (Seduc) e do Conpam, conforme rege a Política Estadual de Educação Ambiental, instaurada em 31 de março de 2011. Os dois órgãos dividem as ações em diferentes vertentes sociais.

Maria José relatou que a Seduc é responsável por desenvolver a educação ambiental no ensino formal. Para o órgão, as escolas são o principal foco. Contudo, ao contrário do que muitos especialistas sugerem, de que deveria existir uma matéria exclusiva que falasse sobre Meio Ambiente para os alunos, Maria José explicou que isso não é recomendado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, e sugere que o Meio Ambiente deve ser tratado nas instituições de ensino de forma transversal, sendo base para todas as disciplinas oferecidas nos ensinos fundamentais, médios e superiores.

EDUCAÇÃO NA “INFORMALIDADE”

Já o Conpam é responsável por tratar o assunto de forma informal. No caso, levando os conceitos de sustentabilidade à sociedade através de palestras, campanhas, seminários e ações educativas, fazendo

desta metodologia uma forma estratégica de trabalhar a educação de uma forma mais horizontal. “Apesar de dividirmos responsabilidades, tudo é feito para eu possamos alcançar o mesmo objetivo. Este objetivo é fazer com que todos os cidadãos tenham acesso às informações relacionadas o Meio Ambiente”. Para isso, o Conpam, entre outras ações, utiliza cursos de capacitação para formar orientadores sustentáveis.

Através dos cursos de Formação de Educadores Ambientais (voltado para professores), Agentes Multiplicadores de Educadores Ambientais (estudantes, líderes comunitários e sociedade civil) e Curso para Agricultores, o órgão já capacitou 14 mil pessoas.

TODOS SÃO RESPONSÁVEIS

O setor privado também tem responsabilidade fundamental no desenvolvimento da Educação Ambiental. Segundo a advogada do Núcleo de Meio Ambiente (Numa), da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Elaine Cristina de Moraes Pereira, embora a Política Nacional de Educação Ambiental destine ao

Poder Público, competência para definir políticas públicas que incorporem e promovam à educação ambiental em todos os níveis de ensino, as empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas, devem promover programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando melhoria e controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente.

“Muitas das grandes empresas que chegam para se instalar no Ceará, ao mesmo tempo em que são cobradas pelo órgão licenciador a terem essa preocupação com a educação ambiental e incentivadas a colocarem em prática as ações educativas, trazem na bagagem a experiência e o êxito de trabalhos de educação já realizados em outras localidades, o que é muito importante”.

   

REPERCUSSÃO POSITIVA

Para a advogada, o principal intuito da entidade é fazer com que o empresário compreenda que as ações de educação ambiental, quando adequadas ao perfil da indústria, repercutem diretamente na sua linha de produção, através da otimização do uso de insumos e da melhoria da eficiência energética, melhorando significativamente o seu valor de mercado.

Elaine revelou que, atualmente, a preocupação das empresas em garantir o seu lugar em um mercado tão competitivo, faz com que elas invistam, consideravelmente, em ações ambientais. E a educação e conscientização do público interno é o ponto de partida para que esse investimento resulte em bons resultados. Nessa mesma linha de raciocínio, elas têm expandido as ações, ultrapassando “os próprios muros” e atingido as comunidades do entorno das fábricas.

“Na maioria das vezes, os projetos com as comunidades que vivem no entorno das indústrias são realizados em escolas públicas, uma vez que os alunos, crianças ou não, são excelentes multiplicadores do conhecimento que adquirem. Atitudes como essas mostram que pequenos atos são capazes de gerar grandes transformações. Através da educação ambiental existe uma troca de experiência entre as pessoas, proporcionando mudanças de comportamentos e tornando-nos cidadãos mais conscientes”.

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