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Energia limpa, abundante e renovável

terça-feira, 11 de julho 2017

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Carlos Evangelista, presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), afirma que energia limpa, abundante e renovável já está em um patamar de preços bastante acessível a todos os brasileiros.
O engenheiro, que desde 2015 está à frente da ABGD, projeta que esse mercado atingirá o tamanho de aproximadamente R$ 4,43 bilhões, por ano, apenas em equipamentos e serviços. Confira!

O Estado Verde [OeV]: Quando e com qual objetivo foi fundada a ABGD?
Carlos Evangelista [Evangelista]: A ideia de fundar uma associação nasceu em uma reunião realizada na Conferência Intersolar, em 2015, onde vinte empresários do setor analisaram e concluíram pela necessidade de uma entidade que pudesse agregar valor e atender às demandas políticas, técnicas e regulatórias específicas do setor de geração distribuída (GD), além de fomentar negócios entre os associados.
Em 28 de setembro de 2015, quinze empresas , reunidas em São Paulo , fundaram a ABGD. Organização sem fins lucrativos reúne provedores de soluções, EPC’s, integradores, instaladores, distribuidores, fabricantes de equipamentos, empresas de diferentes tamanhos e segmentos, além de profissionais e investidores do setor. Atualmente, já somos 350 empresas associadas.

OeV: O que é a geração distribuída (GD)?
Evangelista: Formalmente, é o termo usado para designar a geração de energia elétrica realizada junto ou próxima do consumidor [da carga], independente da potência, tecnologia ou fonte de energia; onde o excedente, quando houver, será injetado na rede de distribuição. Simplificando, é a possibilidade que todo consumidor tem de gerar e consumir a própria energia, injetando o eventual excedente na rede da concessionária local.
Atualmente, a Resolução Normativa (REN) 482/2012 da Aneel, revisada pela REN 687/2015 – Aneel, regulamentam a GD oriunda de fontes renováveis e limitam essa potência a 5 MW.

OeV: Qual a grande vantagem da modalidade GD sobre a centralizada?
Evangelista: As modalidades não competem, são complementares. No caso de GD, além da maior eficiência energética [mitiga-se as perdas da transmissão e distribuição, que no Brasil estão estimadas em até 17%], possibilita a todo brasileiro, diminuir os custos com energia elétrica [que está entre os mais altos do mundo], colaborando para a robustez da matriz elétrica brasileira – maior segurança energética – e ainda contribuindo com energia limpa e renovável – alinhando o Brasil aos compromissos assumidos no Acordo de Paris.

OeV: A expansão da GD no Brasil está fortalecendo o setor de renováveis e estimulando a economia?
Evangelista: Sem dúvidas! Após a regulamentação do setor pela Aneel, que permite GD com fontes renováveis de energia, as principais fontes renováveis foram consideradas, cada qual, com suas características, particularidades e especificidades, e o conceito foi reforçado e ampliado na REN 687/2015. Considerando a potência instalada, a energia solar fotovoltaica foi a mais utilizada (69%), seguida pela biomassa e biogás (15%), eólica (9%) e hidráulica (7%). Isso estimula diretamente a economia, fomentando o mercado de equipamentos, comércio e serviços.
A Aneel estimou [em sua segunda previsão] que teremos por volta de 887.000 conexões de GD em 2024, algo em torno de 6,2 GW de potência. Com esses números podemos projetar que esse mercado atingirá o tamanho de aproximadamente R$ 4,43 bilhões por ano, apenas em equipamentos e serviços, sem considerar o valor da energia que será gerada com esses empreendimentos.

OeV: Em 2016, na Europa, o setor das renováveis empregou mais de 1 milhão de pessoas, na China, 3,5 milhões. E no Brasil, podemos ser otimistas?
Evangelista: Atualmente, este é o setor que mais tem criado empregos no mundo. O segmento de energia solar fotovoltaica é o líder na criação de novos postos de trabalho, em especial, na área de instalação. Das 3, 5 milhões de pessoas empregadas na China, 1,65 milhões está no fotovoltaico. No Brasil, em 2016, esse número foi estimado em 4.000 profissionais. Pela diferença de grandeza dos números é possível notar que temos um potencial gigantesco para criar empregos, gerar renda e saltar a frente no setor de GD com energias renováveis.

OeV: Quando será barato e realmente acessível, aos brasileiros, energia limpa?
Evangelista: Já é barato! A energia limpa, abundante e renovável já está em um patamar de preços bastante acessível a todos os brasileiros. É possível produzir a própria energia mais barato do que praticamente todas as 63 distribuidoras de energia do Brasil, se compararmos com as tarifas praticadas pelas mesmas na baixa tensão (BT). E em alguns casos específicos, até mesmo na média tensão.
Estou falando de GD regulamentada pela REN 482/2012. Se formos para o patamar de geração centralizada, algumas fontes como a eólica, têm se mostrado mais atraentes do que as tradicionais. É um absurdo queimar diesel para produzir energia no horário de ponta, além de muito mais caro do que qualquer fonte limpa, trata-se de combustível fóssil, danoso ao meio ambiente.

OeV: O Ceará já foi vanguarda na geração de energia renovável. O que precisamos fazer para voltarmos ao topo do ranking?
Evangelista: Os números e gráficos mostram que o Estado está caminhando para retomar a liderança, com trabalho sério, políticas públicas bem elaboradas, legislação estável, segurança jurídica para os empresários e investidores, e trabalho árduo.
O governo do Ceará acertou ao aderir ao convênio 16/2015 do Confaz, que prevê a incidência do ICMS apenas na diferença entre a energia consumida e a energia injetada, isso foi um grande passo. Temos certeza que logo isentarão de ICMS todos os consumidores que aderirem a GD, o que trará um crescimento e desenvolvimento consideráveis para o Estado [equipamentos e serviços], além de gerar mais receita tributária.

OeV: Por ocasião da posse da nova diretoria do Sindienergia, dia 4/7, na Fiec, o senhor lançou o segundo Congresso & Feira de Exposição de Geração Distribuída , promovido pela ABGD, que acontecerá em Fortaleza, dias 25 e 26 de outubro. Por que Fortaleza? Quais as expectativas?
Evangelista: Escolhemos Fortaleza, primeiro, pelo excelente trabalho desenvolvido pelo Sindienergia em conjunto com a Fiec, incentivando empresas a investir em GD, com fontes renováveis de energia. Ademais, o Ceará, através de boas políticas públicas está caminhando para se tornar líder no setor; nada mais natural trazer para a capital cearense.

O evento [congresso e feira] é dirigido aos profissionais e empresários representantes da indústria, comércio e serviços, que tenham como atividade principal ou estratégica, a GD com fontes renováveis de energia. São empresas ligadas ao setor das renováveis, EPC’s, integradores, provedores de soluções, fabricantes, profissionais liberais; todos buscando fomentar negócios, networking e desenvolver conhecimento para atuar profissionalmente no segmento de GD. É um congresso de empresários do setor!

Por Tarcilia Rego
tarciliarego@oestadoce.com.br

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