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Entretenimento sustentável

terça-feira, 07 de maio 2013

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Por Tarcilia Rego
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A Las Vegas Strip, avenida que abriga os mais conhecidos casinos do mundo, onde o desperdício não é apenas encorajado, mas uma parte fundamental do modelo de negócio, teve de se reinventar ao longo dos últimos anos como um modelo de sustentabilidade.  É realmente possível para a avenida que segundo a lenda é tão iluminada que pode ser vista do espaço, tornar-se verdadeiramente verde?
Las Vegas, nome originado da pradaria verde na região (Vegas em espanhol), foi fundada em 1905 para suportar 800 moradores a partir das bases de reabastecimento de comboios de carga e gado da Antiga Trilha Espanhola estabelecida desde os idos de 1800. Em 1911 foi, oficialmente, reconhecida como cidade. Atualmente, a cidade propriamente dita, conta com uma população fixa de aproximadamente 600 mil habitantes, na região metropolitana vivem 2 milhões, e anualmente recebe 40 milhões de turistas.

INCENTIVOS
A avenida dos cassinos pode orgulhar-se de ser o endereço de uma das maiores concentrações de edifícios com certificação LEED (normalização criada pelo governo norte americano para reconhecer “Construções Sustentáveis”  de acordo com os critérios de eficiência energética, design e racionalização de recursos) no mundo. Em 2005, o governo do estado de Nevada, onde localiza-se Las Vegas, aprovou um generoso pacote de incentivos . O programa foi ajustado dois anos depois, mas até então o número de projetos LEED em Nevada saltou de 14 em 2005 para 97 em 2007.

Dois dos maiores beneficiários do programa foram a MGM Resorts International e a Las Vegas Sands Corp. As duas empresas receberam milhões de dólares em incentivos fiscais para a construção do novo complexo City Center e da torre Vdnetian Palazzo, respectivamente.

A Sands Corp obteve a certificação Gold LEED (categoria ouro) na remodelação de vários edifícios existentes e a Silver LEED (categoria prata) no Palazzo. O City Center da MGM tem igualmente certificação Gold LEED. No entanto, mais importante ainda, do ponto de vista ambiental, considerando longo prazo, as empresas de jogos implantaram práticas sustentáveis que surpreendem, de modo a poderem abraçar a causa verde.

ÁGUA
De acordo com o vice-presidente de sustentabilidade do Caesars, Gwen Migita,  a conservação da água é um dos elementos centrais da sua estratégia ambiental. Algumas das inovações incluem a instalação de peças nos lavatórios e chuveiros, de modo a minimizar o fluxo de água. “Bem como a mudança nos autoclismos (descargas) tradicionais, com o padrão de 7,8 litros, por descargas de 5,8 litros com eficiência comprovada através das significativas reduções de consumo de recurso hídrico, em diversos países”. Também foi instalado um túnel gigante da máquina de lavar roupa, destinado a lavar toalhas e lençóis, que pode economizar até 136 litros de água por quarto. O Caesars é um dos resorts mais antigo e tradicional de Las Vegas.

LIXO
Outra área em que os cassinos estão buscando a sustentabilidade é com relação a reciclagem e reaproveitamento de resíduos. Os cassinos geram cerca de 500 mil toneladas de resíduos por ano, a maioria dos quais, até muito recentemente, foi parar diretamente nos aterros sanitários. Atualmente, a maioria dos cassinos instalaram “ïlhas” para segregação e triagem de “lixo” nos fundos das casas de diversão em mais uma demonstração de esforços para recuperar alguns destes resíduos e transformá-los em recursos. Empresas estimam que o esforço retirou dos aterros, cerca de 55% dos resíduos gerados.

Plástico, papel e produtos de alumínio são recuperados e compactados em fardos, depois são vendidos no mercado aberto. Os resíduos orgânicos (maioria alimentos) ou são enviados para uma fazenda de porcos nas proximidades ou compostados.  O óleo usado no cozimento é recolhido e vendido para ser convertido em biocombustível. O Hotel Caesars tem um programa de “recuperação de ativos” que envolve resgatar colheres e copos e outros itens do lixo. O programa faz a empresa poupar cerca de US $ 800 mil anualmente.

Quando as pessoas vão à Las Vegas, talvez, o cuidado com o meio ambiente ou o foco em sustentabilidade, sejam as menores das suas preocupações. Afinal, estão ali, muito mais pelo vício do que pela virtude. Mas, quem sabe, o esforço dos dirigentes das incontáveis organizações de entretenimento instaladas em Las Vegas, agora, mais focados na diminuição da “Pegada de Carbono ou Pegada Ecológica”, possa sensibilizar os habitués frequentadores das jogatinas, a iniciarem um jogo mais verde. Incontestavelmente, os empresários em Las Vegas, estão faturando “alto”, mas com certeza, a natureza, está agradecendo.

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