29 C°

sábado, 22 de julho de 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Florestas: pouco a comemorar e muito a fazer

terça-feira, 11 de julho 2017

Imprimir texto A- A+

No próximo 17 de julho, comemoramos o Dia de Proteção às Florestas. Um dia para lembrar os inúmeros benefícios provenientes das mesmas, principalmente se as protegemos. Além de sombra e água fresca de coberturas florestadas, as verdes matas fornecem a humanidade, bens valiosíssimos como oxigênio, lindas paisagens ambientais, solo saudável, madeira e armazenamento de grandes quantidades de água e carbono, tanto na estrutura da vegetação quanto no solo.
Porém, há milênios, derrubamos e queimamos florestas, o que para muitos povos, não passam de uma boa fonte de combustível. O fato é que a evolução do consumo mundial de energia, baseada em combustíveis fósseis, conduziu a humanidade para uma matriz energética insegura, cara e agressiva para o meio ambiente.

A combustão da lenha para o cozimento de alimentos é, ainda hoje, uma prática comum no Brasil e em especial no Nordeste, principalmente no meio rural, onde esse insumo é muitas vezes a principal fonte energética local, sendo encontrada disponível na natureza para coleta manual e sem ônus financeiro, um estímulo à extração ilegal do recurso.

O Brasil ocupa o primeiro lugar na produção do carvão vegetal, onde 85% do carvão produzido são utilizados nas indústrias, as residências respondem por 9% do consumo e o setor comercial como pizzarias, padarias e churrascarias 1,5%.

A queima de lenha e carvão vegetal representam 19,9%, da matriz energética brasileira. Felizmente, a participação das energias renováveis vem aumentando e passou de 39,4% em 2014 para 41,2% em 2016, segundo o Ministério de Minas e Energia. Até mesmo, o uso de madeira legalizada, oriunda de reflorestamento, causa danos aos ecossistemas naturais.

Dados oficiais divulgados pelo governo federal, no fim do ano passado, apontam que entre agosto de 2015 e julho de 2016 (calendário oficial para medir o desmatamento no Brasil), só a Amazônia, maior e mais estratégica floresta tropical do Planeta, perdeu 7.989 quilômetros quadrados (km²). Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) o desmatamento no período equivale à derrubada de 128 campos de futebol por hora de floresta.

As matas tropicais constituem-se como importantes estoques de carbono que contribuem para a estabilidade do clima global e ainda abrigam cerca de 50% da biodiversidade terrestre, desempenhando papel fundamental na regulamentação e oferta de recursos hídricos e para a conservação dos solos. Segundo a ONU 25% dos habitantes de planeta dependem das florestas para sobreviver.

Não por acaso, na Agenda de 2030 para Desenvolvimento Sustentável, da ONU, seis objetivos, entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs), são sobre florestas e 26 metas associadas, que terão de ser alcançadas até 2030. Também, em abril último, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou os Objetivos Globais da Floresta como parte do plano estratégico da organização 2017-2030.

Dia 17 de julho, temos pouco a comemorar e muito a fazer. A floresta em pé, como afirma a empresa Natura, “gera riqueza” e mais importante, em pé, garante a continuidade de vida humana na Terra. De forma repetitiva, sempre escrevo: sem floresta, sem vida humana. Lembre-se, florestas não precisam de pessoas, nós, sim, precisamos delas para viver e garantir vida aos nossos descendentes.

Por Tarcilia Rego
oev@oestadoce.com.br

outros destaques >>

Facebook

Twitter