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Governos ativam o mecanismo de ambição na COP23

terça-feira, 21 de novembro 2017

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Terminaram as negociações de clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em Bonn. O diálogo Talanoa, acordado na Alemanha, na Conferência das Partes (COP23), coloca em movimento o plano que os governos fizeram em Paris há dois anos para acelerar a ação climática em intervalos regulares, a fim de limitar o aumento da temperatura global para 1,5° C e tornar nossas economias adequadas para o futuro.
O ano de 2018 servirá como uma avaliação a respeito da real adequação das ações climáticas planejadas para efetivamente limitar o aquecimento global. Até 2020, os países terão que voltar à mesa com planos de ação fortalecidos que fecham a lacuna.
Embora ainda haja um trabalho importante, Bonn fez progressos na elaboração de um livro de regras claro e abrangente para o Acordo de Paris – isso é crucial para ajudar os governos a planejar suas economias e dar confiança aos investidores e empresas de que a economia com baixas emissões de carbono veio para ficar. Os países terão de finalizar o livro de regras na COP24 na Polônia no próximo ano.

Intensificar
A COP23 mostrou apetite por ação urgente. Um aumento nas emissões globais e os graves impactos climáticos que atingiram todo o mundo neste ano, impulsionaram o chamado dos países vulneráveis para a ação pré-2020 e pressionam todos os países para que intensifiquem sua ambição climática.
Embora não estivessem previstas grandes contribuições financeiras na COP23, ela ajudou a enviar sinais de que mais financiamento precisa fluir antes de 2020. Os governos estão agora em posição de mudar de ação e gastar dinheiro real para lidar com os impactos das mudanças climáticas. Eles podem começar com isso já em dezembro, quando o presidente francês, Emmanuel Macron, recebe líderes em Paris para a cúpula de alto nível One Planet Summit.

Pressão
Os governos reconheceram a importante dimensão social da transição da economia global. A presidência fijiana merece um crédito especial para o Plano de Ação de Gênero e a Plataforma de Povos Indígenas em Bonn.
A crescente expansão do apoio à ação por estados, cidades, empresas, investidores e comunidades exibida em Bonn aumenta a pressão para que os governos façam mais, e mais rápido, enquanto tentam acompanhar as rápidas mudanças na economia real.

*Com a colaboração de assessoria de imprensa especializada

Mais ambição em cortes de emissões e finanças

Conheça as avaliações de especialistas com longa experiência no acompanhamento das negociações climáticas da ONU e participaram da COP23. Confira!
“Bonn cumpriu a sua promessa, mas não atendeu às necessidades do planeta. Previa-se uma COP técnica, desinteressante, e foi exatamente isso… O que precisamos agora é mais ambição em cortes de emissões e finanças, e isso esteve fora da mesa. Enquanto isso, a janela para evitar o aquecimento global de 1,5 graus está se fechando rapidamente.” Carlos Rittl, Secretário executivo, Observatório do Clima.

“Os representantes das energias sujas ou de combustíveis fósseis foram praticamente ignorados e estavam ausentes dos debates do futuro energético. O que vimos foi uma competição forte e saudável dos representantes das energias renováveis – bioenergia, eólica, pequenas hidros ou solar… Foi interessante observar o quanto o governo dos EUA ficou isolado nesta conferencia, mostrando que não tem nem apoio interno nem externo, é um governo que no tema de Clima parece nem ter o apoio de sua própria delegação.” Ana Toni, diretora geral do Instituto Clima e Sociedade.

“Em geral, as negociações tiveram algum avanço, porém ainda estão muito aquém do necessário para enfrentar os problemas climáticos que, da porta para fora das conferências da ONU, são reais e afetam principalmente populações mais pobres. São vidas que não podem mais esperar pela boa vontade dos negociadores. Tivemos um destaque vindo de alguns setores da sociedade americana que, num claro contraponto à decisão de Donald Trump de abandonar o acordo de Paris, se comprometeram com ações positivas para o clima.” Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

“Precisamos de mais ambição nas negociações, e muito mais ação prática nos países, onde as emissões ocorrem. O Brasil, em especial, continua tomando decisões políticas que vão na contramão dos objetivos do Acordo de Paris”. Maurício Voivodic, diretor-executivo do WWF Brasil.
“No próximo ano, esperamos que a Polônia honre o espírito de Paris. Eu estava em Varsóvia alguns dias atrás e encontrei muitos empresários, campeões de energia renovável e mobilidade elétrica… A COP24 será uma oportunidade para o governo demonstrar que está ouvindo as vozes dentro e fora do país que querem que o Acordo de Paris seja bem-sucedido.” Monica Araya, fundadora e diretora da Nivela.
“Sabemos por experiência que colocar as mulheres no cerne da luta contra as mudanças climáticas pode resultar em ações mais impactantes, equitativas e sustentáveis. O Plano de Ação de gênero é projetado para fazer exatamente isso. Destaca e apoia o papel que as mulheres podem e efetivamente desempenham na construção de resiliência e adaptação aos impactos das mudanças climáticas. Ele focaliza a atenção global sobre como podemos transformar palavras em ações.” Patricia Espinosa, Secretária Executiva da UNFCCC.

Da Redação do OeV
oev@oestadoce.com.br

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