28 C°

segunda-feira, 26 de junho de 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Impacto ambiental do Porto do Pecém no ecossistema marinho

terça-feira, 14 de março 2017

Imprimir texto A- A+

O ecossistema marinho é uma definição comumente utilizada na biologia como forma de denominar toda a junção e a interação ecológica entre o biótico, seres vivos, e o abiótico, elementos sem vida, presentes no mar e que sofrem influências oceânicas e das zonas costeiras. A tendência para esses ecossistemas costeiro nas últimas décadas, tem sido a de um declínio progressivo devido ao crescimento das populações humanas, às crescentes procuras por recursos costeiros e a utilização desse ambiente natural.

Ao levar em consideração as influências citadas, é possível que a primeira, a oceânica, seja mais alterada pelas atividades, tanto as diretas quanto as indiretas, do ser humano. As alterações diretas são claramente notadas através dos diversos meios de locomoção que as zonas oceânicas por todo o globo, a exemplo dos navios, barcos, lanchas, entre outros. E este uso pode se agravar, caso sejam levadas em consideração todas as formas de poluição, como o despejo do esgoto nos manguezais – poluição indireta – visto que os manguezais deságuam no mar, ou diretamente no mar.

Assim, é de se esperar, que uma das formas mais graves de perturbação ao ecossistema marinho, impactando tanto seres vivos, quanto a parte abiótica, é por meio da construção e da manutenção de portos, estaleiros e do tráfego intenso que tais complexos geram.
Sendo assim, podem ser ressaltadas duas principais maneiras onde essas construções alteram e poluem o ecossistema, o físico e o químico. Respectivamente, a primeira vai alterar o curso das correntes marítimas por causa da estrutura portuária. Ademais, as embarcações forçam a migração de espécimes, pois muitas viram presas dos cascos e tanques da água de lastro. Tal situação facilita a ocorrência de bioinvasores, ou seja, a introdução de espécies invasoras – não pertencentes aquele habitat e que acabam concorrendo diretamente com as espécies nativas.

Também, deve ser considerada a poluição pela liberação de lixo, esgotos e outros efluentes, petróleo e derivados e substâncias presentes em tintas anti-incrustantes na água, por acidentes ou por perdas durante operações de carga e descarga. Todos esses efeitos afetam a água, o ar, os sedimentos e os seres vivos, enfim, o ecossistema como um todo.

Terminal Portuário do Pecém
Em março de 2002, oficialmente, foi inaugurado o Terminal Portuário do Pecém e nesta mesma região, estão sendo instalados diversos polos industriais. Apesar de ter sido construído num suporte off shore – afastado da costa e conectado à mesma por meio de uma ponte erguida sobre pilotis – , o que irá reduzir drasticamente o impacto do Porto sobre o ecossistema costeiro, a toxicidade de materiais químicos contaminantes, como o próprio petróleo já citado, agravam ao se fixarem nos sedimentos e prejudicando todas as formas de vidas bentônicas localizadas próximas ao complexo portuário e ao tráfego de embarcações.

Alguns problemas já podem ser identificados: os sedimentos da área mais tóxicos tendem a ter menos peracáridos; diminuição de espécies; baixa diversidade e mudança no comportamento das ondas. Outro fator preocupante relacionado ao tráfego e a própria manutenção do complexo portuário decorre do fato de existir uma abundante distribuição de ictioplâncton, ou seja, peixes que vivem em locais de correntes marítimas, na região costeira do Ceará, já que estas regiões são utilizadas como locais para desova desses animais. Se comparado a outros ambientes costeiros que não possuem um complexo portuário, muito menos tráfego de embarcações, como no mar do Pecém, a ictiofauna, principalmente no que diz respeito aos ictioplânctons, está levemente ameaçada.

Diante dos fatos, faz-se necessário não somente uma reflexão, mas também, uma análise acerca do impacto do Porto do Pecém sobre o ecossistema marinho, principalmente na zona costeira, como uma ampla divulgação de trabalhos entre a comunidade científica, visando à melhoria, tanto do ecossistema marinho quanto do costeiro, e também, um conhecimento da população acerca dessas diferentes formas de poluição, já que muitos dependem socialmente e economicamente da região, como por exemplo, a comunidade pesqueira de todo o município de São Gonçalo do Amarante.

outros destaques >>

Facebook

Twitter