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Milhões de pessoas no mundo ainda sofrem com insegurança alimentar

terça-feira, 11 de abril 2017

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Você desperdiça alimentos? Então pense duas vezes antes de jogar comida fora. Globalmente, em 2016, mais de 100 milhões de pessoas enfrentaram e estão enfrentando insegurança alimentar, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Uma situação “severa” e que está aumentando no mundo: são 108 milhões nessa condição, contra 80 milhões em 2015. Um aumento de 35% em relação a 2015.

Os dados são do novo relatório global da agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em parceria com a União Europeia, sobre crise alimentar. Lançado dia 31 de março, denominado “Global Report on Food Crises” – 2017, o estudo aponta que os conflitos civis – determinantes em nove das 10 piores crises humanitárias – e os padrões climáticos foram os principais motores da insegurança alimentar, intensificada ano passado.

Podemos evitar
Os efeitos agudos e de grande alcance dos conflitos que provocam o deslocamento generalizado (interno e externo), impactam, significativamente, sobre milhões de pessoas que necessitam de assistência urgente. As populações mais afetadas são as da Síria (6,3 milhões de deslocados internos) e dos refugiados sírios nos países vizinhos (4,8 milhões); Iraque (3,1 milhões); Iémen (3,2 milhões), Sudão do Sul (3 milhões), Somália (2,1 milhões) e Nigéria (2,1 milhões).
Para o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, o custo em termos humanos e de recursos só aumentará se as situações se deteriorarem. “Podemos evitar que as pessoas morram de fome, mas se não aumentarmos nossos esforços para salvar, proteger e investir em meios de subsistência rurais, dezenas de milhões continuarão severamente inseguros em termos alimentares”, disse.

2017
As crises alimentares em 2016 foram generalizadas e severas, afetando populações nacionais inteiras. O relatório destaca que, em 2017, a demanda por ajuda humanitária e resiliência alimentar aumentará ainda mais, tendo em vista que quatro países no mundo estão em risco de sofrer com uma epidemia de fome: Sudão do Sul, Somália, Iêmen e Nigéria.
Outros países que exigem fortes operações de assistência devido à insegurança alimentar generalizada são Síria – incluindo refugiados nos países vizinhos –, Iraque, Malauí e Zimbábue. Na ausência de medidas imediatas e eficazes, a situação de segurança alimentar nesses países continuará piorando nos próximos meses, de acordo com o relatório que pode ser lido em: http://www.fao.org/3/a-br323e.pdf .

El Niño
Em alguns países, a segurança alimentar tem sido minada por desastres naturais e eventos climáticos também. A natureza persistente de fenômeno como o El Niño, se manifestou em grande parte em condições de seca que prejudicou os meios de subsistência agrícolas em 2016,principalmente daqueles países sem capacidades para responder aos fenômenos e com populações caracterizadas por serem resilientes.
A análise abrange dez países que foram afetados pelo El Niño: três na África Oriental (Somália, Etiópia e Djibuti);seis na África Austral (Malawi, Madagáscar, Lesoto, Zimbábue, Moçambique e Suazilândia); e um no Caribe (Haiti). Na Etiópia, o impacto sobre a agricultura foi de tal monta em decorrência do fenômeno climático que deixou uma estimativa de 9,7 milhões de pessoas necessitadas de assistência alimentar, urgente.
Os preços recordes dos alimentos básicos, nomeadamente em alguns países da África Austral, Nigéria e Sudão do Sul, também restringiram severamente o acesso dos alimentos às populações vulneráveis, agravando agudamente a insegurança alimentar e o risco de desnutrição.

Por Tarcilia Rego
Tarciliarego@Oestadoce.com.br

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