29 C°

quinta-feira, 23 de novembro de 2017.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Os perigos existentes no ar que respiramos: causas e consequências

terça-feira, 04 de julho 2017

Imprimir texto A- A+

Você já reparou no ar que respira diariamente e nos males que ele pode lhe causar? Exatamente isso, uma constatação controversa e paradoxal até. Como um elemento extremamente vital para a sobrevivência humana também pode ser letal se contaminado? Os riscos de inalar as impurezas “invisíveis” contidas no ar são altos e podem ser, infelizmente, fatais para o homem. Sobre a poluição do ar e seus perigos que O estado Verde aborda as nuances desse assunto e traz informações importantes para quem ainda duvida de tais males.

Para se ter uma noção do quão grave são os impactos da poluição em nosso dia a dia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), este é um perigo invisível que afeta aproximadamente 80% da população. A cada 100 mil brasileiros, 14 morrem por ano em decorrência da poluição do ar. De 2017 a 2030, estima-se que 375 mil brasileiros morrerão tendo como principal causa o ar poluído.
Entre os principais problemas de saúde causados pela má qualidade do ar, estão: câncer de pulmão, lesões pulmonares, problemas cardíacos e o aumento de problemas respiratórios entre idosos e crianças. Um outro ponto importante é que indivíduos que tem asma, bronquite, rinite ou enfisema podem ter os sintomas agravados devido à exposição a estes poluentes.

Esclarecendo
Tivemos o importante auxílio da dra. Evangelina Vomittag, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade e pesquisadora sobre os impactos da poluição na saúde, que esclareceu ao leitor inúmeros questionamentos acerca do assunto. “Se pensarmos numa água tóxica, por exemplo, ela entrará no organismo via ingestão e segue para o intestino. A barreira do intestino é muito maior, ou seja, há uma proteção muito maior de que não entre a toxicidade daquilo que você se alimenta diretamente na circulação sanguínea. Fora isso, você não tem a opção de não respirar um ar não poluído. Enquanto que com a água, você tem a opção de comprar uma água engarrafada. Isso não existe em relação ao ar”, diz a especialista.

Há mais de 20 anos, o Conselho Nacional do Meio Ambiente criou um programa de controle do ar que deveria ser feito pelos estados, mas a maioria deles não realiza a fiscalização do controle do ar. O que nos torna vulneráveis diante de um problema que pode ser minimizado se houver medidas preventivas. A partir do momento que não há um controle, as consequências podem ser alarmantes, em particular, nas cidades onde estão concentradas áreas de indústrias. Como não há monitoramento não há como saber a qualidade do ar que respiramos.

Os vilões
A combustão de materiais sintéticos e derivados do petróleo libera gases altamente tóxicos como o monóxido de carbono (CO), cianeto de hidrogênio (HCN) dióxido de nitrogênio (NO2) e dióxido de enxofre (SO2). A inalação desses produtos pode resultar em processo inflamatório das vias aéreas e consequências sistêmicas graves.

O monóxido de carbono, por exemplo, é um gás asfixiante, incolor, inodoro, insípido e não irritante produzido pela combustão incompleta dos hidrocarbonetos. Sua concentração na atmosfera é menor do que 0,001%, níveis em torno de 1% podem levar a lesões graves, já que é rapidamente absorvido pelo epitélio pulmonar e possui grande afinidade com a hemoglobina (maior que a do oxigênio).

A fisioterapeuta Renata Gomes, especialista em Terapia Intensiva e que já foi integrante do Programa de Reabilitação Pulmonar do Hospital das Clínicas de Fortaleza, expõe os riscos geral e as consequências de se respirar impurezas. “A lesão por inalação de fumaça é o resultado do processo inflamatório das vias aéreas após respirar de gases tóxicos e pode se caracterizar por queimaduras nas vias aéreas, em caso da inalação em situações de incêndios em lugares fechados”, explica a profissional.

“Outra forma de lesão por inalação é a asfixia, já que a combustão diminui consideravelmente a concentração de oxigênio disponível (a concentração normal de 21% cai para níveis em torno de 10 a 13%). E a irritação pulmonar que agudamente pode levar a um processo inflamatório grave com necessidade de assistência médica imediata”, completa.

Alguns indivíduos estão mais predispostos a sofrerem com os males da poluição, são aqueles que apresentam condições pulmonares crônicas que cursam com aumento da hiper-reatividade pulmonar, como por exemplo, os asmáticos. A poluição pode desencadear crises que se caracterizam por dispneia (cansaço), e ausculta pulmonar rica em sibilos (som pulmonar que se caracteriza pelo estreitamento das vias aéreas distais). Esse quadro pode levar o indivíduo a procurar ajuda médica em seus casos mais graves.

Cuidados gerais
O cidadão pode se “defender” de diversas formas, explica dra. Evangelina. “Em primeiro lugar, em relação aos sintomas mais comuns das vias aéreas superiores, por exemplo, no caso de alergias respiratórias, da rinite, da dor de garganta e da sinusite. Em caso de manifestação desses sintomas, deve procurar evitar muita exposição ao ar poluído. Evitar deixar janelas abertas por muito tempo para diminuir a entrada do ar impróprio também ajuda. Deve-se evitar também outras causas de alergias como tapetes e objetos que, com a poluição do ar, são mais difíceis para a limpeza e higienização. Se o ar está muito seco (baixa umidade), coloque uma bacia com água ou mesmo uma toalha molhada nas janelas para que ar do interior da casa fique mais úmido e, com isso, o sistema respiratório melhore suas defesas”, detalha.

Do ponto de vista mais amplo, o que tem que ser melhor pensado são as atitudes coletivas que impactam no aumento da poluição do ar e de que forma ou quais medidas podem ajudar na sua diminuição. São atitudes que se você tomar com base em escolhas inteligentes que beneficiem toda a cidade em qual você mora, todos saem ganhando. Por exemplo, ao invés de usar o transporte individual, por que não optar pelo coletivo? Utilize transporte ativos como o uso da bicicleta ou mesmo caminhadas. Além de você estar fazendo atividade física e melhorando sua saúde, você também acaba auxiliando na redução de emissão de poluentes. Outra escolha simples, mas que gera um impacto grande é quanto à escolha de transportes que usam combustíveis mais limpos, então se você for comprar um carro, evite carros movidos a diesel. Ou mesmo opte pela bicicleta. Procure participar mais das discussões que envolvam a tomada de decisões que impactam a vida na qualidade de vida na sua cidade e pensar em atividades que possam trazer mudanças do ponto de vista coletivo.

POR  FELLIPE MÁLAGA
oev@oestadoce.com.br

outros destaques >>

Facebook

Twitter