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Pessoas, livro, mundo e biblioteca: palavras chaves da Bienal do Ceará

terça-feira, 18 de abril 2017

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Robótica, meio ambiente, circo, teatro, contação de história, leitura, exposições, palestras e trocas de ideias. Este é o mundo diverso da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará que acontece no Centro de Eventos do Ceará. Sob o tema “Cada pessoa um livro ; o mundo, a biblioteca”, mais parece um encontro da diversidade.

Um dos diferenciais é ter sua programação marcada pela transversalidade e instigante O tema expressa a noção de acervo, seja ele individual ou coletivo, sincrônico ou diacrônico, material ou imaterial, oral ou escrito, xilografado, impresso ou digital.
Não poderia ser diferente, a “nossa bienal é a do acervo, acervo humanitário e a do planetário”, como disse o secretário de Cultura do Estado, Fabiano dos Santos Piúba. É uma Bienal que traz “como palavras chaves, pessoas, livro, mundo e a biblioteca”. Se cada pessoa tem um livro e cada livro traz um mundo…

Como não pensar em diversidade. A nossa Bienal do Livro que acontece desde o dia 14de abril e segue até o dia 23, realizada pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com o Instituto Dragão do Mar, com apresentação do Ministério da Cultura e do Bradesco tem nesta edição, uma programação especial voltada para todos os públicos e gostos.
O evento é o palco para o encontro de 160 escritores, 300 convidados, 110 estandes, dez ilhas temáticas e 350 editoras expondo e 125 horas de atividades. A Bienal é um dos principais momentos do calendário cultural do Ceará e do Brasil, com uma ampla programação, referência de qualidade quanto a livro, leitura, arte, cultura e pensamento, reunindo grandes escritores e diversos outros artistas do Ceará, do Brasil e do exterior.

Daniel Munduruku
“A temática traz em si infinitas possibilidades: a diversidade de expressões, a multiplicidade de vozes; incontáveis itinerários narrativos a proporcionar conexões transculturais, encontros de mundos, diálogos no espaço presencial e no da blogosfera”, destaca Mileide Flores, coordenadora geral da Bienal.
“Estamos trazendo alguns escritores indígenas, entre eles, Daniel Munduruku”, disse à nossa editoria, a coordenadora geral da Bienal do Ceará, Mileide Flores. “Dia 19 é o Dia do Índio”, ela lembrou, ressaltando a característica de diversidade da mostra cultural. Pertencente à etnia indígena mundurucu o escritor convidado é professor, graduado em filosofia, história e psicologia e mestre em antropologia social pela Universidade de São Paulo.

“Outra característica nossa: nunca estamos trazendo o escritor para o bate e volta. Nossos escritores foram convidados pelo secretário de Cultura, para estar conosco sempre três dias. Como ela tem esse olhar social mais cultura, educacional que são os vieses da nossa Bienal, então a palavra do escritor ao ver, não só a participação dele, mas a participação do outro de como essa teia foi entranhada, para a gente é muito importante”, completa Mileide.

Diferente de Parati
Isso faz da nossa Bienal diferente da de Parati, por exemplo? Perguntei a Mileide. “Faz, a metodologia das duas é totalmente diferente”, respondeu. “Eu não sei como está lá, me distanciei de Parati. Lá é uma festa literária, não quer dizer que eles também não pensem nas questões sociais da leitura e a nossa não deixa de ser uma festa, também. Nosso objetivo maior é incentivar a leitura, é um projeto de política pública de governo” .

Inclusão
Conversei também com o escritor cearense, Kelsen Bravos, um dos curadores da Bienal do Livro do Ceará. Falamos sobre títulos e expectativa relacionados ao público infantil, e sobre sustentabilidade. Ele informou que com relação à expectativa de público infantil, escolas podem agendar visitação via site da Bienal. “Qualquer escola pode fazer a sua inscrição”, disse.
“Nós temos uma perspectiva muito boa, estão previstas caravanas vindas do interior trazendo estudantes, para conferir o evento. A expectativa é a melhor possível, até por que os últimos resultados do Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, tem colocado o Ceará como um Estado leitor. A nossa criançada está lendo muito”, contou, emocionado.
Com relação à sustentabilidade explicou: “estamos trazendo autores como Ieda de Oliveira que trabalha muito com a temática. Ela está vindo para o lançamento de um livro chamado “Delícias do Brasil” e que trata de toda a culinária das diversas regiões brasileiras. E ela conversa sobre a alimentação saudável, a horta orgânica” .
Bravos também destacou a inclusão, aspecto que considera importante . “Nós organizamos um encontro com mediadores de leitura uma das quais é o ‘Leitura para todos’.” A Bienal vai discutir a questão dos deficientes auditivos, visuais e também do autista. “Contará até com uma mesa específica para literatura sobre bebês.”

Programação infantil
A programação infantil reúne contação de histórias, teatro de bonecos, espetáculos infantis, shows, vivências circenses, conversas sobre empoderamento feminino infantil, e ainda feira de robótica e de games. Para o coordenador do espaço destinado às crianças, Teddy Williams, as atividades ajudam na construção do contato com a literatura e a leitura, uma vez que os educadores as vivenciam junto com os estudantes.
Tino Freitas, autor do espetáculo “Quem quer brincar comigo?”, destaca a riqueza do momento, em que as crianças e os adolescentes podem ter contato não apenas com o livro, mas com os seus escritores. Além disso, a XII Bienal tem um espaço lúdico, montado pela Secretaria Municipal de Educação (SME), na qual os estudantes podem ter acesso a Internet, desenhar, pintar e se divertir, interagindo com os colegas.
A feira literária busca a socialização de práticas pedagógicas existentes entre as escolas, com foco na leitura e na escrita. Mais de 350 editoras estão presentes na exposição, algumas como Melhoramentos, Companhia das Letras, Imeph e muitas outras, com obras voltadas para o público infantil.
Hoje, na programação da Bienal, às 16 horas, acontecem as Rodas de Saberes com Mestres e Mestras da Cultura – As mãos são artes, a cabeça imaginação, com os mestres, Espedito Seleiro (Artesanato em couro – Nova Olinda); Bibi (Artesanato, escultor – Canindé) e Zé Pedro (Artesanato em cipó – Guaramiranga) com a mediação de Oswald Barroso.

Lançamento de livros
A partir das 18 horas tem mais lançamento de livros: “Meu Coração Coroado (Editora Senac/Ce) do Mestres Espedito Seleiro; “Estações” do escritor e professor Epitácio Macário; “O piolho, a princesa e o trovador “ (Editora Imeph) de Arlene Holanda e Lenice Gomes; “Revirando o Meu Guarda Roupa” de Fernanda de Façanha e Campos ; “Vida Escola Vida” de Flávio Santos e “Vidas Narradas: bancários em tempos de privatização” de Alcides Fernando Gussi.
A Bienal ocorre até 23 de abril no Centro de Eventos do Ceará. Confira a programação completa em: bienaldolivro.cultura.ce.gov.br/noticias/programacao-completa-da-xii-bienal-internacional-do-livro-do-ceara/ .

Por Tarcilia Rego
tarciliarego@oestadoce.com.br

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