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Poluição: nem para as gerações presentes e nem para as futuras

Por Tarcilia Rego*- Editora do caderno O Estado Verde.

terça-feira, 05 de dezembro 2017

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A poluição é responsável por quase um quarto –12,6 milhões – de todas as mortes de seres humanos. A informação está no relatório “Rumo a um planeta livre de poluição”, da ONU Meio Ambiente, publicado dia 16 de novembro. O estudo está no centro das discussões da terceira Assembleia Ambiental das Nações Unidas (Unea), a instância decisória mais elevada para deliberações sobre questões ambientais, que começou ontem (4) e segue até amanhã (6), em Nairóbi, no Quênia.

O documento – já está sendo considerado o mais amplo trabalho sobre o assunto, produzido e publicado pelo organismo – descreve os desafios a serem enfrentados para combater a globalização da poluição, traça um panorama do problema e elenca 50 políticas para enfrentar a degradação dos ecossistemas, tendo como base cinco eixos centrais: liderança política e parcerias em todos os níveis, mobilizando os setores industrial e financeiro; ações contra os piores poluentes e uma aplicação mais eficaz das leis ambientais; abordagens renovadas para gerenciar as economias, através da eficiência no uso de recursos, mudanças nos estilos de vida e uma gestão de resíduos aprimorada; investimentos novos, massivos e redirecionados para tecnologia limpa e de baixo carbono, para soluções baseadas nos ecossistemas, bem como para pesquisa, monitoramento e infraestrutura para controlar a poluição e conscientização para informar e inspirar as pessoas em todo o mundo.

Segundo a publicação, poluição pode ser traduzida em “prejuízos quanto ao uso do meio ambiente para o trabalho e recreação, além de ameaçar os valores culturais, espirituais e estéticos que muitas pessoas atribuem para a riqueza e diversidade dos ambientes naturais e humanos.”.

Os números são desanimadores. Em 80% dos centros urbanos, a qualidade do ar não atinge os parâmetros de saúde estipulados pela OMS – Organização Mundial de Saúde. Mesmo que um indivíduo não viva em uma dessas cidades, são grandes as chances de que ele faça parte do grupo de 3,5 bilhões de pessoas que dependem de mares poluídos para se alimentar ou da parcela de população mundial que não tem acesso a banheiros adequados – 2 bilhões de pessoas.

Mais de 80% do esgoto mundial é despejado no meio ambiente, sem tratamento, poluindo os solos usados na agropecuária e nos lagos e rios, que são fontes de água para 300 milhões de pessoas.

Não por acaso o relatório contempla a necessidade urgente de assegurar o abastecimento de água limpa e saneamento “a cada família no planeta” e ressalta que o custo humano – em termos de redução de doenças diarreicas, malária e outras doenças evitáveis – “é imensurável”.

 

A boa governança relacionada à poluição, reduz os encargos
ambientais e as injustiças, e pode
melhorar a disponibilidade de recursos para todos.

Chama ainda a atenção, para os riscos enfrentados pelos mais vulneráveis. Meninos e meninas podem ter o desenvolvimento físico e mental atrofiado por conta da exposição à poluição durante os primeiros mil dias de vida. Os segmentos mais pobres dependem de ecossistemas saudáveis, cujo equilíbrio é afetado pela poluição, ou de empregos nas ocupações mais insalubres do mundo.

Também é devastador, o impacto ambiental da poluição do mar. Hoje, os oceanos possuem 500 “zonas mortas”, cuja concentração de oxigênio é pequena, a tal ponto, que torna inviável a presença de vida marinha. Nos últimos 20 anos, a proliferação de resíduos descartáveis e microesferas de plástico tornou o problema do lixo do mar, ainda mais sério. A “menos que os países ajam agora, os mares serão atingidos por uma maré de plásticos provocada pelo consumo humano”, conforme o estudo.

O último parágrafo do relatório alerta que os desafios apresentados pela poluição exigem um esforço global, com o trabalho conjunto de governo, setor privado e sociedade civil, de forma a solidificar a vontade política necessária para promover ações para prevenir e reduzir o problema para as gerações presentes e as futuras.

De acordo com as Nações Unidas, boa governança relacionada à poluição, reduz os encargos ambientais e as injustiças, podendo ainda melhorar a disponibilidade de recursos para todos, além de contribuir para o cumprimento da Agenda 2030 ou Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), instituídos em 2015.
* O relatório “Rumo a um planeta livre de poluição” está disponível no portal do Estado Verde: www.oestadoce.com.be-oev.

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