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“A regra das habitações em Fortaleza é irregular”, afirma presidente do IAB/CE

terça-feira, 14 de novembro 2017

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FOTO LUCAS MOURA

No último dia 8, diversos países, inclusive o Brasil, celebraram o Dia Mundial do Urbanismo. A data foi criada em 1949 por Carlos Maria della Paolera, professor da Universidade de Buenos Aires. O intuito era “aumentar o interesse profissional e público no planejamento, tanto local como global, de uma cidade”. Mas ao que parece, pelo menos aqui no Brasil, nó estamos cada vez mais longe de cidades planejadas e mais próximos de centros urbanos caóticos e impessoais.

O termo urbanismo surgiu no final do século XIX, em decorrência da Revolução Industrial, com o objetivo de criar condições satisfatórias e ordenadas de vida, de acordo com as necessidades humanas, como: meios de locomoção, moradias, lazer, criação de áreas verdes, e, principalmente, a promoção e a manutenção ou o resgate da identidade cultural da localidade ou comunidade.

Segundo o doutor em Sociologia e urbanista, Pedro Jacobi, da Universidade de São Paulo, a dinâmica urbana da cidade é “excludente, segregadora e determina uma paisagem cada vez mais marcada pela prevalência de estratégias de sobrevivência que destroem a cobertura vegetal e privilegiam práticas de deterioração do meio urbano.”

Bem diferente do que sonhou Paolera, ao desenhar o símbolo que representa a trilogia dos elementos naturais essenciais à vida, como o sol (em amarelo), a vegetação (em verde) e o ar (em azul), remetendo ao equilíbrio entre os meios natural e os seres humanos. O que ele buscava era “garantir a união íntima da cidade com a terra habitada, dando ampla abertura para a natureza entre as massas inertes da construção urbana”.
Mas essa união não foi possível. Talvez, pela falta de planejamento urbano, um campo instigante que envolve, além de arquitetos, cientistas sociais, geógrafos, entre muitos outros, o cidadão. Trata-se do campo que planeja e propõe modificações na grande criação do homem, as cidades.

Irregular
De acordo com o arquiteto, Custódio dos Santos, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/CE).” Uma cidade precisa de planejamento de médio e longo prazos. Um município sem um instituto de planejamento, não pode existir”, disse, fazendo referência a desativação do Instituto de Planejamento (Iplan), em 1997, pelo então prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães.

“A regra geral das habitações na nossa cidade, é irregular e não obedece a um plano diretor. São muitos os puxadinhos e a fiscalização urbana é caótica. Esse modelo que estamos vivendo é ultrapassado, excludente! As pessoas de menor renda têm um custo muito alto e sem acesso.”
Santos disse que agora está na expectativa da “construção de uma nova cidade”, referindo-se ao Projeto Fortaleza 2040. “Estamos repensando a cidade na perspectiva de 20 anos à frente para criar uma nova centralidade, em Fortaleza, onde vivem 40% da população do Estado”, encerra.

O caminho
Sobre o assunto, conversamos também, com a atual secretária de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza. Para Águeda Muniz, “Fortaleza é uma capital que tenta acompanhar a evolução e modernização dos sistemas urbanos, sempre levando em consideração os aspectos de sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico. Pela primeira vez temos uma Política Ambiental alinhada com essas referências urbanísticas que impulsionam cada vez mais um crescimento ordenado e equilibrado entre o ambiente natural e construído”, disse.

“A gestão municipal tem total responsabilidade e protagonismo na construção da cidade, levando em consideração o planejamento e a constituição de políticas públicas que ofereçam mais qualidade de vida e oportunidades ao cidadão, com participação social na construção de uma agenda de direitos à cidade. Entendemos que o caminho é a participação social e abertura para uma gestão compartilhada onde todos tenham direitos e deveres para com a cidade.”

Gabarito
Para a turista do interior de São Paulo, Rita Stela Manzine, Fortaleza “é muito mais maravilhosa, quando olhamos para o mar”. Segundo ela, os prédios são altos demais e “tiram um pouco a beleza da Beira Mar”, colocou.

“Talvez por viver em uma cidade menor e mais verde (ela é de Araraquara), eu não esperava uma cidade com tantos prédios e ao mesmo tempo com tantas construções pobres, para não dizer favelas, encobrindo um pouco a beleza natural de Fortaleza.”

Em Fortaleza, de acordo com Águeda, “o gabarito está estabelecido no Plano Diretor de Fortaleza, em vigor desde 2009, em 95 metros para o Centro da Cidade e variando de 15 a 72 metros, de acordo com a zona”, explica. O termo gabarito é usado para se referir a altura de uma edificação.
“Esse parâmetro praticado na cidade não acarreta prejuízos ambientais. O gabarito está estabelecido no Plano Diretor de Fortaleza, em vigor desde 2009, em 95 metros para o Centro da Cidade e variando de 15 a 72 metros, de acordo com a zona. Esse parâmetro praticado na cidade não acarreta prejuízos ambientais.”

Por Tarcilia Rego
tarciliarego@oestadoce.com.br

 

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