quarta-feira, 17 de outubro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Crise na produção da mandioca em Salitre

quarta-feira, 10 de janeiro 2018

Imprimir texto A- A+

A crise na produção da mandioca afeta a produtividade de farinha no município de Salitre, maior produtor da região e 13º município cearense com o maior índice de pobreza, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Produtores avaliam que cerca de cinco mil pessoas estão desempregadas e mais de 100 casas de farinha estão fechadas.

O principal fator de crise do setor é a estiagem, com queda substancial na produção da matéria-prima. A economia da cidade está sendo afetada e os comerciantes sentem o impacto em 70% de suas vendas.

Segundo o produtor de farinha de mandioca, Elias Antonio Albuquerque, só cinco por cento das casas de farinha estão em funcionamento, e em situação precária, operando com uma matéria de baixa qualidade, o que provoca uma queda da aceitação do produto no mercado. A área de plantio da mandioca fica em torno de 16 mil hectares e a produtividade alcança oito sacas por hectares. O município tem uma população de 16 mil habitantes, dos quais 70% sobrevivem da cultura da mandioca.

Para amenizar o impacto dos prejuízos, os produtores de farinha de Salitre chegaram a comprar a mandioca de outros estados, como Alagoas e São Paulo, a fim de suprir a falta do produto e não ter a produção praticamente parada. Contudo, eles afirmam que, além de não ser boa qualidade, a matéria-prima chega às casas de farinha com o prazo de validade vencido.

Elias diz que a importação da farinha de mandioca produzida no Sul e Sudeste do país contribui para aumentar a pobreza no município. Ele denuncia a falta de investimentos governamentais para mecanizar e modernizar a atividade em Salitre, que permitiriam a competitividade da produção local com os produtores de outras regiões ricas do Brasil.

“Com investimento em máquinas mais modernas, passaremos a produzir com menores custos e oferecer uma farinha com preço mais barato, que permitirá a sobrevivência da cadeia produtiva, gerando emprego e renda, movimentando o comércio e a todas as demais fontes econômicas”, avalia. A pecuária e a avicultura também são beneficiadas com a mandioca.

Escassez
O prefeito do município de Salitre, Rondilsom Ribeiro de Alencar, enfatizou que apesar das circunstâncias da seca, a mandioca é ainda uma das maiores fontes produtoras de renda. Com dois anos de escassez do produto, o prefeito enfatiza o período de dificuldades. Ele destaca os prejuízos na cidade, e diz que para superar o drama está buscando recursos junto ao governo do Estado. Alencar espera mais incentivo para o plantio da mandioca.

“A salvação ainda está sendo os programas governamentais como o seguro safra, onde os produtores que perderam suas plantações estão recebendo essas compensações”, diz o prefeito.” Ele ressalta que de fato a seca está avassaladora. Acrescenta que, na sede do município, há 27 casas de farinha paradas, gerando um grande número de desempregados. (Amaury Alencar)

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter