sexta-feira, 22 de março de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Dragão do Mar calada

segunda-feira, 06 de outubro 2008

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Foram muitos os telefonemas de autoridades, empresários, políticos de uma maneira geral (do suplente de vereador a um Senador da República, passando por ex-prefeitos, prefeitos e deputados, dentre os quais cito Moésio Loiola e Ronaldo Martins), que nos telefonaram na sexta-feira, 03, ao tomarem conhecimento de que a Rádio Dragão do Mar de Fortaleza não iria fazer (como não fez), a cobertura das Eleições-2008, projeto jornalístico que foi durante os últimos 30 anos, pelo menos, marca registrada da emissora. Ainda sem informações mais claras, quem telefonou (e aí entram também pessoas do povo, comuns, como servidores públicos, comerciários, gente do interior que mora em Fortaleza e profissionais da imprensa como Adísia Sá, Julieta Brontée, Chico Campos, Vicente Alencar, Bezerrinha, Fernando Maia, Catunda Pinho, Paulo Tadeu, Jânio Alves, Flávio Moreira, Nelson Oliveira, Ricardo Palhano (nosso patrão aqui no O Estado) – dentre muitos outros, todos querendo saber mais sobre a transferência acionária da Rádio Dragão do Mar a um segmento da Igreja Católica, no caso, a RCC (Renovação Carismática Católica) via Shalom. Dei as informações que foram passadas para nós funcionários: a Rádio foi negociada com o Shalom. “Até dia 30 de setembro/2008 toda a responsabilidade é com o dr. Sérgio Cals, a partir desta quarta-feira, 1º de outubro, estamos assumindo a direção da emissora” – explicou-me um jovem simpático, risonho, que se apresentou como Alexandre. E no primeiro momento foi só isso. A Dragão do Mar, com um vitrolão tocando músicas religiosas e foi suspensa toda a programação que vinha sendo praticada, sem qualquer aviso-prévio aos servidores e uma satisfação aos parceiros, aliás, passando por cima de contratos ainda vigentes. A Dragão deixou de fazer a cobertura das eleições, ficou calada, desmistificando o livro do saudoso Blanchard Girão, que diz: “Só as Armas Calarão a Dragão” – e agora o Shalom.

Ano do Cinquentenário
Algumas manifestações que começaram a ser registradas por colegas radialistas, sobretudo, pois, a imprensa (jornais e revistas, a meu ver, nem mesmo os Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas ainda não se posicionaram a respeito da legalidade ou não da “venda”, talvez até porque foram pegos de surpresa como todos os que militam na emissora tida como a Academia do Rádio Cearense. Pois bem, algumas manifestações que tomamos conhecimento, por parte do Carneiro Portela, Flávio Moreira, Fernando Maia e Vicente Alencar foram de profunda perplexidade, até porque este é o ano do cinqüentenário da Dragão, quando a emissora recebeu da Câmara Municipal de Fortaleza, da Assembléia Legislativa e da Maçonaria as mais significativas homenagens. No flagrante, aliás, recebia eu o Troféu Liberdade, conferido à Dragão do Mar de Fortaleza, por iniciativa do Grão Mestre da Loja Maçônica n° 122, dr. Sebastião Brasilino de Freitas Filho, que aparece ao lado dos demais homenageados. A negociação da Rádio Dragão do Mar no ano em que ela “festeja” seus 50 anos, sem dúvida, foi um grande golpe para os que amam a sua luta em busca da liberdade ao longo da história.
 

Desrespeito e desprezo
A maneira como foi entregue a direção da Rádio Dragão do Mar de Fortaleza ao novo grupo acionário (se é que realmente, o negócio foi fechado de acordo com a lei. Nós não temos informações claras, pelo menos até a hora que fechei a coluna) – analisada com prudência e caridade cristã, foi no mínimo desrespeitosa para com todos os envolvidos com a sua história atual: funcionários, patrocinadores e ouvintes. Sem ter feito nenhuma reunião (eu falei nenhuma reunião com os funcionários e qualquer comunicação aos comunicadores que tinham programas e compromissos comerciais vigentes a cumprir), a emissora foi entregue às 5horas da manhã de quarta-feira, 1º de outubro à Comunidade Shalom, que obviamente, vai anunciar em breve a sua programação. Com certeza, num padrão bem diferente da tradição da rádio.
 

Frustração por ser leal
Indagaram-me, por exemplo, dentre outros, os amigos Aloísio Carvalho, Paulo Quezado, Cícero Elionaldo Cruz, senador Inácio Arruda, desembargador José Barreto de Carvalho e o juiz da capital, Francisco José Martins Câmara “como você se sente Viana, proibido de fazer o que você mais gosta – a transmissão das eleições, com suas informações e comentários, gerando, sem dúvida, a maior audiência da emissora?”. A resposta, pois, não poderia ser outra: frustrado. E, principalmente, por ser um cidadão que cumpre os deveres e se considera uma pessoa leal, pois, por mais de uma vez revelei ao dr. Sérgio Cals, que tinha propostas para deixar a emissora, mas, que eu jamais sairia sabendo que a empresa passava por dificuldades. Mas, sempre o adverti: se o senhor vai vender, passar à frente, avise-me e aos demais da “casa”, com uma certa antecedência. Fomos todos apunhalados pelas costas. E o que é pior, tudo em nome de Deus. Voltarei ao assunto. Ah! Fiz a minha coberturazinha das eleições através do nosso site, que virou blog e jornal eletrônico.

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