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ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS – NOVA AOS 120 ANOS

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 29 de agosto 2014

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Na lua nova de ontem, 28 de agosto de 2014, no Palácio da Luz, a Academia Cearense de Letras realizou solenidade pela passagem dos seus 120 de existência.  É fácil saber que as academias tiveram origem na Grécia antiga, sob a égide de Platão, quatro séculos antes de Cristo. Vinte e três séculos depois,seguindo os moldes da Academia Francesa, um grupo de literatos cearenses, em 15 de agosto de 1894, fundou a Academia Cearense, então a única  no Brasil.

Este fato, por si só, é um acontecimento, pois tirou da então capital metrópole, Rio de Janeiro, a primazia da tessitura e da formatação de uma entidade pioneira voltada, unicamente, ao culto das letras, em todas as suas formas. Orgulhem-se, pois, todos os cearenses por termos fundado a primeira academia de letras do Brasil, apenas cinco anos depois de proclamada a República.

A Academia Cearense de Letras é composta de 40 membros, patroneados por nomes ilustres da nossa cultura, eleitos em processos abertos, a partir de edital publicado com as regras de saber exigidas para o ingresso. O eleito deverá ter mais de 21 votos no primeiro escrutínio. Não alcançado esse número, haverá uma nova eleição entre os dois mais votados. Em seguida, cumprido o prazo legal, é marcada a solenidade de posse.

O atual quadro acadêmico é composto dos seguintes membros: Ângela Gutiérrez, Artur Eduardo Benevides, Beatriz Alcântara, Carlos Augusto Viana, Carlos D’Alge, César Asfor Rocha, César Barros Leal, Cid Sabóia de Carvalho, Dimas Macedo, Ednilo Soárez, Eduardo Diatahy B. de Menezes, Ernando Uchôa Lima, F. S. Nascimento, Francisco Sadoc de Araújo, Genuíno Sales, Giselda Medeiros, Horácio Dídimo, João Soares Neto, José Augusto Bezerra, José Batista de Lima, José Murilo de C. Martins, José Telles da Silva, Juarez Leitão, Linhares Filho, Luciano Maia, Lúcio Alcântara, Manfredo Tomás Ramos, Lourdinha Leite Barbosa, Marly Vasconcelos, Mauro Benevides, Napoleão Maia, Noemi Elisa Aderaldo, Paulo Bonavides, Pedro Henrique Saraiva Leão, Pedro Paulo Montenegro, Regine Limaverde, Sânzio de Azevedo, Teoberto Landim, Ubiratan Aguiar e Virgílio Maia.

Ouvimos de alguns acadêmicos suas impressões sobre o transcurso dos 120 anos da ACL, cujo, Presidente de honra é o poeta Artur Eduardo Benevides.  O bibliófilo José Augusto Bezerra, atual presidente, asseverou: “a Academia Cearense de Letras é a maior grife intelectual do Ceará para todo o Brasil”.Por sua vez, Pedro Henrique Saraiva Leão afirma ser a ACL “prova evidente do pioneirismo cearense no campo literário. Foi uma honra tê-la presidido”.

Para Giselda Medeiros “a comemoração dos 120 anos da ACL é o evento maior de 2014 dentro da cultura cearense”. Para Eduardo Diatahy “é um espanto estar existindo no meio da parafernália de uma cultura de espetáculo; aludo a uma instituição que visa a produção literária e preservar o seu acervo”.  Já Horácio Dídimo refere que “a ACL foi o coroamento da minha formação literária, e deu a oportunidade de ver nos colegas acadêmicos a evolução da cultura cearense”.

Cid Carvalho, enfático, diz: “Além de ser a mais antiga Academia é, igualmente, a de mais longo brilho na história literária brasileira”. Ubiratan Aguiar pondera: “A vanguarda do Ceará não se fez mostrar somente pela libertação dos escravos. Mas, e principalmente, na cultura, com a criação de uma Academia local”.

Por fim, resta-me lembrar da memória de todos os acadêmicos que nos precederam nesse sonho de tornar perpétuo o conhecimento e o desenvolvimento da literatura, em todas as formas e todos os gêneros. Estamos atentos ao progresso dos costumes e das letras, mas guardamos nas nossas almas a curiosidade e o viço da descoberta que aflora em cada página em branco, escrita ou virtual, com a qual nos deparamos a cada dia.

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