Nacional
Sexta-feira, 08 de novembro de 2013
A ÉTICA E A ESPIONAGEM

A ética é una e  universal. Inexistem diversas éticas. O que era ético para o troglodita, nosso ancestral, continua ético para nós e será ético para o homem cibernético, no futuro. O que existem são novas situações éticas. Por exemplo: até pouco não havia a ética do computador, porque os computadores não tinham sido inventados. Hoje, a ética condena os hackers e os vírus.  O que  varia no tempo e no espaço é a moral, essa prima pobre da ética. Décadas atrás era imoral usar biquíni na praia. Hoje, aceita-se o monoquíni e até o  não-quini. Entre nós, a moral recomenda que um homem deve estar casado apenas com uma mulher, coisa que a lei veio confirmar, apesar dos casamentos gays.  Mas se tomarmos um avião e  descermos em Riad, na Arábia Saudita, veremos que um árabe pode estar casado com até oito mulheres, desde que as possa sustentar. A ética, no entanto, determina que lá e cá, tanto no passado quanto no presente e no futuro, a mulher deve ser respeitada. Por isso conclui-se como é difícil ser ético.

Essa introdução faz-se, com todo o respeito, para contraditar o senhor Raphael Mandarino, diretor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, para quem, conforme mestre Merval Pereira, existe a ética do Estado e a ética do cidadão comum. Não é nada disso. A ética é universal e una. Para tudo e para todos.  Torna-se imoral um Estado espionar outros. Antiético, também.  Como vaticinou a presidente Dilma Rousseff em seu estrilo contra Barack Obama, dia virá em que a Humanidade irá banir a espionagem,  sobre governantes e sobre cidadãos comuns. 

Como a espionagem veio para ficar ainda por muitos séculos, criou-se a contraespionagem, forma para trocar seis por meia dúzia. Diz-se que uma é defesa, outra agressão, apesar de  constituírem a mesma coisa, ou seja, crimes éticos. 

A Abin nasceu filha espúria do SNI, por sua vez gerado pelo SFICI, aquele que funcionava em cima da Casa da Borracha, esquina da Uruguaiana com Presidente Vargas. Tem gente sugerindo a dissolução da Abin, como outros imaginam o fim da espionagem.  Bobagem, ainda que a ética pudesse  recomendar  essas cirurgias.

Para concluir: espionar é antiético. Imoral, também. Mas os nazistas espionavam, assim como os terroristas, hoje. Como combatê-los, senão com as mesmas armas?  Dentro das limitações do Estado brasileiro, fica difícil invadir o e-mail ou o telefone do presidente dos Estados Unidos, mas monitorar as andanças de funcionários da embaixada americana sempre será possível. Sendo assim, que o dr. Mandarino prossiga, ainda que trocando as bolas. Se preferível, esquecendo o comentário de que “espião até mata, se for preciso defender seu país”...

 

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