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Tarik Otoch

Esportes

Incrível, mas a FIFA tem razão

segunda-feira, 31 de março 2014

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O Brasil deve receber cerca de 600 mil turistas na Copa do Mundo, segundo os dados oficiais, e esse pessoal, mais os 64 jogos do Mundial, deve causar um rebuliço só no mês que baterá recorde de feriados na nação. Na iminência da chegada dos gringos e visitantes interestaduais, o Brasil começa a ser alvo dos mais variados guias turísticos. E, junto com a terra, nossos costumes viram alvos de reportagens e análises estrangeiras. Uma delas foi publicada pela Fifa, em 21 de março, e revoltou muita gente no país do futebol. O melindre foi tanto que a vilanesca entidade de Blatter precisou tirar do ar a reportagem.

Se interpretamos as 10
orientações da Fifa como
ofensas, deveríamos nos preocupar em solucionar os problemas
e não silenciar quem os identificou

A revista eletrônica “Fifa Weekly” trouxe, na penúltima edição, a famigerada matéria “Brazil for beginners” (Brasil para iniciantes, em tradução livre), na qual antecipava ao turista estrangeiro algumas peculiaridades culturais para ajudá-lo a não entrar em confusões. “Cerca de 600 mil visitantes são esperados no Brasil neste verão e, se você for um deles, aqui estão 10 grandes dicas para evitar algum desentendimento cultural”, alertava a peça jornalística. As dez peculiaridades do nosso povo que a Fifa achou importante alertar ao estrangeiro foram:
1) Nosso “sim” nem sempre significa “sim” e pode significar um “talvez” ou até mesmo um “não”;
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2) Nossa pontualidade é flexível e ninguém espera que você chegue no horário marcado;
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3) Por aqui, o contato corporal é bem caloroso, ao contrário do que há na Europa;
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4) Não respeitamos filas;
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5) Em um rodízio de carnes, a melhor peça é sempre servida por último;
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6) No trânsito, impera a lei da sobrevivência do mais forte;
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7) Açaí é muito bom para repor as energias;
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8) Apesar da nudez carnavalesca e dos biquínis pequenos, topless é proibido e pode até resultar em multas;
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9) Espanhol não ajuda na comunicação: a língua nacional é o português brasileiro, uma variação do português, e não diga que Buenos Aires é a capital do Brasil;
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10) No Brasil, as coisas são feitas nos últimos minutos. Isso vale até para os estádios. 

FÚRIA E INTOLERÂNCIA

Pronto, soltaram os cães guardiões do inferno. Os 10 alertas acima foram interpretados por muitos compatriotas nossos como mandamentos de satanás, xingamentos europeus, bullying. E isso a gente não aceita. Na nossa casa, mandamos nós e somente nós podemos falar mal. A própria forma com a qual as matérias foram escritas na internet acusava a ofensa que o brasileiro recebeu: sempre de forma melodramática e provocativa.

• Mas, penso eu, um misto de intolerância e fúria antiFIFA (desencadeada, na massa, a partir da belíssima Copa das Manifestações) foram os verdadeiros culpados por tamanha ofensa recebida.

• Porque simplesmente não há ofensa! Há, isso sim, uma população com ódio da entidade de Blatter e Valcke e incapaz de receber alguma crítica e pensar a respeito.
• Fechamos os olhos e rebatemos com força tudo o que falam sobre o Brasil, por mais sensato que seja. Se é sobre nosso grande futebol, nos gabamos, mas se é sobre nossas mazelas… Se é ruim, não deveria ser falado.

• Não aceitamos as críticas e, imediatamente, começamos a apontar dedos para desviar a atenção. Procuramos culpados e que culpado melhor que a Fifa? 

HORA DE TER BOM SENSO

Se você é um brasileiro atento e sensato, pessoa de raciocínio razoável e aversa a extremismos, concordou com cada uma das 10 características mencionadas pela Fifa. Não é preciso gostar da entidade (se é que isto é possível) ou detestar o Brasil (postura tola) para identificar que não há parcialidade alguma na orientação ao turista estrangeiro. Somos exatamente daquele jeito e se interpretamos as orientações como ofensas, deveríamos nos preocupar em solucionar os problemas e não silenciar quem os identificou. O Brasil tem muitas riquezas e a Fifa é um antro de imoralidade, mas os rótulos não determinam todas e quaisquer faces de nenhuma instituição, seja povo ou empresa. Nem tudo o que a Fifa faz é errado e nem tudo que o brasileiro é, é bom.

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