sábado, 21 de setembro de 2019.
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"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Queimando a largada

Fernando Maia

Colunista - Política

quarta-feira, 07 de novembro 2012

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O senador Inácio Arruda perdeu a carona para continuar a sua caminhada no tapete azul do Senado Federal, por onde desfilou nos últimos anos.  Poderia estar fortalecido sem a humilhação das urnas: menos de 20 mil votos. Foi o grande derrotado e com ele sucumbe o PC do B que se provou partidinho mixuruca. Não aproveitou o momento da primeira pesquisa, quando liderava a preferência do eleitorado. Procurado pelo PSB para negociar o efêmero sucesso, com o rei na barriga, acreditou que seria vitorioso. Culpa não lhe cabe. O principal responsável foi Carlos Augusto Diógenes, o Patinhas, presidente da Executiva do PC do B, no Ceará, queimando a largada na reunião dos comunistas com o PSB. Ciro Gomes conduzia a conversa para sugerir a recondução de Inácio ao Senado Federal em troca do apoio à candidatura de Roberto Cláudio. O momentâneo entusiasmo foi contido pelo Patinhas fechando a porta. De plano, declinou a proposta acreditando nos números da pesquisa. Os dois fizeram o caminho de volta com a crista baixa na reta final, já sem cacife para exigências. Tiveram que se conformar com promessa de ajuda para a Câmara dos Deputados, ameaçando a reeleição de Chico Lopes e João Ananias com poucas chances de vencê-los. O senador Inácio Arruda não soube avaliar o potencial que julgava ser seu e não era. Foi eleito senador com a renúncia do então deputado Eunício Oliveira sacrificando-se para garantir a vitória de Cid Gomes, incluindo o seu punhado de votos e não mais do que isso, junto aos apoiadores da primeira vitória do atual governador à chefia do Executivo. Poderá vencer o professor Lopes, mas perderá feio para o ex-secretário de Saúde, João Ananias, amigo “in pectore” de Cid Gomes. Vai terminar batendo a porta da Assembleia Legislativa para desalojar o seu correligionário Lula Morais. Em todas as frentes, até na Câmara Municipal se for o caso para arrumar o quadro partidário, terá sobrevivência difícil.

• Candidato. Wálter Cavalcante, vereador de cinco legislaturas, queridíssimo na Câmara Municipal, é aposta do PMDB para disputar a presidência da Casa. Acha que o PSB não deve ficar com tudo. A vez é do seu partido.

• Jeitoso. Se depender de habilidade, a sucessão na Câmara de Fortaleza será pacífica. Poucos políticos sabem fazer uma costura como o prefeito eleito, Roberto Cláudio. Jeitoso, nunca impõe. Faz com que os outros escolham o candidato que ele quer.

• Barão. Até que Leonelzinho anda se insinuando, mas o lugar de rei, na Messejana será do deputado Fernando Hugo. Lonelzinho conservará o seu manto, mas o poder e a glória cobrirão o Barão da Vila Real.
• Bom tamanho. O senador Eunício Oliveira comemorou a vitória de Roberto Cláudio tanto quanto o governador Cid Gomes. A eleição do vice Gaudêncio Lucena está de bom tamanho para os seus planos futuros.

• Conversa a dois. Na semana passada, o deputado Roberto Mesquita foi visto conversando por mais de uma hora com Ivo Gomes, como se estivesse buscando alinhamento. Se aderir, perderá o brilho e a imprensa ficará sem o seu talento na oposição.

• Cooptação. O senhor Ivo Gomes não está cooptando parlamentares do bloco contrário. Na verdade, quem procurou o diálogo foi Mesquita que não quer ser tutor do regime nem acusado de fazer oposição por capricho. Quer o seu mandato como entende que deve ser exercido.

Lição de vida
Na nossa cabeceira, o novo livro de autoria do secretário de Finanças do Eusébio, Edmo Linhares, que parece ter herdado as qualidades telúricas de Lustosa da Costa. “Um mergulho no passado, é leitora para todos os sobralenses que amam a sua terra. 

• Ruína antecipada. Cid Gomes anda assustando correligionários com esse negócio de dizer que não disputará nada em 2014. Nenhum partido gostaria de perder o seu referencial, e muito menos ficar sem a perspectiva de permanecer no poder. É a ruína antecipada.

• Orfandade. Cid não será candidato, Ciro também não. E, de repente, o PSB, que deu duro para chegar ao governo, ficará órfão pela renúncia das suas lideranças maiores. Que diabo é isso? Pretendem devolver o poder a Tasso ou dá-lo como presente ao senador Eunício Oliveira? Não faz sentido.

• Estragos. Aviso aos navegantes da política. Se o PT quer realmente fazer estragos, em suas fileiras, matando a liderança da prefeita Luizianne Lins, está no caminho errado. É bom lembrar que ela poderá fazer também estragos antes de cair.

• Banho-maria. As últimas informações registradas no “bunker” do PT apresentaram sinais amenizadores para baixar a fogueira. Não se joga mais lenha, mas a panela continua fervendo em banho-maria.

• Domínio. O PMDB cresceu e muito nas últimas eleições em nível de contingente eleitoral. Fez o vice-prefeito de Fortaleza e domina as duas maiores cidades do Cariri. É de lá que o senador Eunício pretende partir para consolidar a sua candidatura ao governo em 2014.
 

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