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Camilo quer melhorar os indicadores do Ceará

sexta-feira, 17 de fevereiro 2017

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O governador Camilo Santana visitou, esta semana, o Jornal O Estado, e na oportunidade realizou um rápido balanço sobre os dois primeiros anos de seu governo, além das perspectivas para o futuro. Ele afirmou que assumiu os destinos do Estado num momento bastante conturbado da economia e da política nacional, mas por meio de muito esforço e trabalho duro, tem conseguido driblar a maior parte das adversidades. Camilo ressaltou que tem mais dois anos pela frente, período no qual deve dar prosseguimento à realização de investimentos, novas obras e melhoria dos serviços públicos no atendimento à população. Ele disse que a estiagem prolongada preocupa e que a educação é a solução para a violência. Acompanhe, nessa entrevista exclusiva, os maiores e principais desafios do gestor estadual.

O Estado – Qual o seu principal objetivo à frente do Estado do Ceará?
Camilo Santana – A manutenção do nível de investimentos é um dos principais objetivos do meu governo. O Ceará é, atualmente, o segundo estado brasileiro mais bem equilibrado financeiramente; é o que mais realiza investimentos públicos, comparando com a sua corrente líquida, ou seja, tem mantido resultados importantes, em várias áreas da administração. O Brasil vem vivendo dois anos seguidos de recessão, o que é algo que há muito tempo não ocorria. Portanto, estamos nos antecipando, a fim de conseguirmos manter este bom desempenho do nosso estado.

Temos um equipamento muito importante, que é o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). Quais os novos empreendimentos que o Governo do Estado está trazendo para a região?
Conseguimos o grande presente para o Ceará que foi o início da produção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Vamos abrir, após uma extensa negociação, a transferência da tancagem do Mucuripe para o Pecém. Vai ser um investimento alto, com várias empresas já interessadas. Estamos fazendo o edital de chamamento público e o edital deverá ser lançado agora em março e em dois anos seja completada a operação de transferência de toda a tancagem para lá. Deixaremos aquela área da cidade para a exploração turística ou imobiliária. Estamos negociando com a Kogas, uma empresa coreana, uma unidade de regaseificação fixa no Pecém.

E com relação à refinaria?
Estamos trabalhando a negociação da refinaria em duas frentes. Com um grupo chinês e com um grupo iraniano. Quero fazer um investimento que nos deixe mais independentes da Petrobras. Isso porque, após a queda das barreiras comerciais com o Irã, sai mais barato processar o petróleo dele aqui, do que explorar o que temos no Brasil. A ideia é que os chineses construam a refinaria e o Irã forneça o petróleo. O Ceará fará parte do negócio com o terreno, a infraestrutura que já foi investida, mas vale ressaltar que a negociação está bem adiantada e existe uma boa perspectiva. Somos persistentes e não vamos desistir nunca.

Quais outras empresas podem vir a se instalar no CIPP?
Estamos com uma empresa que já vai se instalar e conversando com outras do setor mineral (pedras ornamentais, principalmente mármores e granitos), pois há 16 empresas que exploram aqui no Ceará, levam para o Espírito Santo, onde essas pedras são beneficiadas e exportadas. Aqui temos a ZPE (Zona de Processamento de Exportações) em operação, livre de todos os impostos, o que torna mais competitivo no mercado internacional. Estamos muito interessados nisso e o secretário Antônio Balhmann tem viajado o mundo, atrás de novos investidores, bem como temos uma equipe conversando com empresas nacionais. Além de Roterdã, que deverá abrir as portas do Ceará para o mundo, tanto que a companhia que administra aquele que é um dos maiores portos internacionais, fechou uma parceria conosco e nos ajudará na administração dessa unidade portuária.

E como o Ceará está atuando na questão da energia eólica, uma vez que o Estado foi o pioneiro na operação dessa matriz energética?
Temos um aumento muito significativo nessa matriz energética. Antes o Ceará importava energia elétrica e, hoje, ele exporta. Houve um crescimento muito grande da eólica, mas perdemos esse título para um estado vizinho. O problema é que, como o Brasil não está crescendo, a oferta de energia está maior do que a demanda no curto prazo. Temos feito um diálogo muito grande com o Ministério das Minas e Energia, para abrir novos leilões, bem como a construção de novas linhas de transmissão aqui no Estado. Temos de fortalecer essas questões aqui no Ceará, principalmente a exploração da energia eólica e a solar.

E na área do turismo, qual o principal desafio?
Decidi não colocar mais recursos do Estado no Acquario, mas ele será incluído no nosso programa de concessões à iniciativa privada. Ele é fundamental para o Ceará, para atrair mais turistas. Então, estamos buscando parceiros para operacionalizar o Acquario, em parceria com o Estado.

E sobre a concessão do Aeroporto Internacional Pinto Martins?
Agora, no início de março, vai ocorrer o leilão e teremos a empresa que irá assumir o aeroporto, realizar investimentos, fazer a ampliação, e isso abre uma perspectiva muito grande com relação ao hub da Latam, que ainda está em negociação. A disputa do Ceará depende dessa concessão, a fim de que possamos trazer esse empreendimento para cá.

E como está a questão envolvendo o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)?
Na realidade, é importante a população entender que não é acabar com o TCM. Na realidade, dos 27 estados da Federação, apenas quatro têm dois tribunais, incluindo o Ceará. Então, por que a grande maioria tem um e precisamos ter dois? Isso pede uma estrutura maior, são mais despesas, dois prédios. O que foi discutido e que a Assembleia votou em grande maioria, foi unificar os tribunais – TCM e Tribunal de Constas do Estado (TCE) – a fim de fiscalizar as contas do Estado e dos municípios. O TCE tem uma estrutura enorme no centro da cidade, com o prédio antigo ao lado, ou seja, um local que poderia abrigar a essas demandas. Todos os servidores concursados do TCM seriam realocados para o TCE e, segundo um levantamento, apenas no começo haveria uma economia de R$ 20 milhões, que serão aportados na área da saúde.

O que o senhor e sua equipe estão fazendo para manter a situação econômica do Ceará equilibrada?
Fizemos alguns ajustes importantes, porque o Governo precisa estar sintonizado com as demandas da população. Então, decidimos cortar em áreas que não são prioritárias, como tirar privilégios de secretários, cortar cargos comissionados, reduzir passagens, em vez de o secretário andar de avião, vai andar de carro, a fim de que possamos ter dinheiro para aplicar em saúde, educação e segurança, que são áreas que a população mais nos cobra. Não esqueço nunca que, na primeira viagem que fiz à China, em 2015, atrás de investidores, e sentei com um empresário que não conhecia o Brasil e ele falou, “você é lá de Fortaleza, daquela cidade mais violenta do mundo?” e isso me marcou, pois atrapalha o setor do turismo, a economia como um todo.

Como a segurança impacta no setor econômico, o que o senhor tem feito para melhorar nesse sentido?
Consegui aprovar a lei das promoções da Polícia Militar, contratei novos policiais, estamos entregando 300 novas viaturas para a PM e estamos finalizando a compra de dois helicópteros para melhor equipar a Ciopaer (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas). Fizemos concurso para 4.200 homens da PM, estou chamando os primeiros 1.400. Fiz um concurso para 750 homens da Polícia Civil e chamei 550 no ano passado.

Qual o principal legado que o senhor pretende deixar para a população cearense?
Quero deixar boas escolas profissionalizantes, pois já temos 116 funcionando e com educação conseguimos prevenir a violência. Novas empresas aqui instaladas, oferecendo oportunidades de geração de trabalho e renda para os cearenses. Chegar ao final do meu governo com melhorias substanciais nos indicadores de economia, infraestrutura, educação, saúde e segurança.

Glossário

Regaseificação. transformar em gás natural o produto que chega ao Ceará na forma líquida.

Hub. centro de conexão e distribuição de voos que a empresa Latam pretende instalar no Nordeste.

Tancagem. Concentração de tanques para armazenamento de combustíveis que existe na região do Mucuripe.

MARCELO CABRAL
economia@oestadoce.com.br

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