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Cultura do caju amarga crise exponencial no CE

segunda-feira, 20 de março 2017

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O Ceará já foi o maior exportador de castanha de caju do mundo, e detentor do maior parque industrial de produção de amêndoas do Brasil, com mais de 30 grandes indústrias que, hoje, resume-se a apenas quatro em operação. De exportador, o Estado passou a ser importador de castanhas, principalmente oriundas do continente africano. Nos últimos anos, enquanto algumas das grandes culturas nacionais tiveram forte expansão nas colheitas – arroz, que passou de três para dez toneladas por hectare (t/ha); soja, de 1,5 para 3,5 t/ha; banana, de dez para 35 t/ha, e melão, que passou de 15 para 35 t/ha –, a castanha vem perdendo produtividade de maneira agressiva, colocando o cajucultor cearense em situação extremamente desfavorável.
E esta redução resultou, por consequência, numa drástica redução no número de postos de trabalho, que já chegaram a 150 mil e, atualmente, chega a apenas 15 mil, ou seja, uma retração de 90%.

O setor de beneficiamento de castanha está ocioso por falta de matéria prima, ou seja, não tem castanha in natura para processamento, Não se tem notícia de desperdício de castanha por falta de capacidade produtiva ou mão de obra qualificada.
“O atual período de seca só fez agravar, ainda mais, a situação dos nossos produtores. Isso porque foram implementadas políticas públicas continuamente equivocadas, que não responderam aos investimentos realizados ano após ano.

A pulverização de recursos em vários órgãos estaduais, sem qualquer orientação central e alguns deles sem conhecimento das atividades desenvolvidas, causaram uma sobreposição desordenada de ações desintegradas e muito prejudiciais à cultura. O isolamento tecnológico da cajucultura também foi outro ponto negativo da gestão”, disse o engenheiro agrônomo Paulo de Tarso Meyer Ferreira, presidente do Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará (Sincaju-CE).

Viabilidade
Ele destacou, ainda, que é preciso tratar o cajueiro como qualquer outra planta frutífera, economicamente viável à exploração agrícola comercial, principalmente porque ele é uma das poucas espécies com opção de ser plantada – em áreas irrigadas ou de sequeiro – com grande potencial de viabilidade técnica e econômica dentro da realidade do Ceará. “No caso da irrigação e adoção de tratos culturais, o cajucultor Geraldo Rola (Maísa) conseguiu, há 20 anos, produzir caju durante o ano todo, colhendo até cinco toneladas de castanha por hectare, anuais. Mas, hoje, isso não ocorre, além de haver um baixíssimo aproveitamento do pedúnculo. O conhecimento popular e algumas pesquisas, fora do Ceará, consideram o caju um alimento multifuncional. Por isso, é preciso engajar nossas faculdades e órgãos de pesquisa nesse contexto”, disse.

Para justificar sua sugestão, ele afirma que o cajueiro seria a planta ideal para projetos de microirrigação, já que tem capacidade para atravessar longos períodos de seca sem ser extinto. Goiaba, manga, uva e outras culturas levam cerca de cinco anos para recuperarem-se após períodos de estiagem, enquanto o caju apenas reduz sua produção e, com a normalização das chuvas, volta à produção normal. Algo tem de mudar, providências urgentes devem ser adotadas, pois estamos perdendo espaço para países da Ásia e África. O cajueiro é brasileiro, nordestino, e temos de reconquistar a liderança na produção mundial. Dispomos de terras, tecnologia, recursos humanos e financeiros, só falta a boa vontade dos gestores, uma vez que o Ceará deve importar suco de caju da África, uma vergonha para o nosso Estado”, finalizou Paulo de Tarso.

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