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Dólar dispara e Bolsa trava após crise Temer

sexta-feira, 19 de maio 2017

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O mercado financeiro foi tomado pelo pânico, ontem, com dólar operando em seu limite superior e a Bolsa brasileira interrompendo as operações após registrar queda de mais de 10%. O chamado de ‘circuit braker’ – mecanismo que interrompe negociações para evitar forte volatilidade –, veio a acontecer, pela primeira vez, desde 2008. Os investidores reagiram à notícia de que o presidente Michel Temer foi gravado sugerindo a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. O dólar abriu o dia com alta superior a 5%, cotado a R$ 3,315. Na máxima do pregão chegou a ser comercializado a R$ 3,440, mas no fim da tarde desacelerou um pouco e fechou o movimento comercializado a R$ 3,389 e com valorização de 8,150%.
A forte valorização do dólar fez o Banco Central (BC) anunciar leilão adicional de 40 mil contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), na tentativa de oferecer ao mercado proteção adicional para empresas e investidores. Mais cedo, a autoridade monetária tinha emitido um comunicado indicando que atuaria para manter a funcionalidade dos mercados. Apesar disso, o resultado não foi o esperado, pois não conteve a elevação significativa da divisa norte-americana, que chegou a se aproximar dos 10% em apenas um dia.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa, que reúne as principais ações do mercado brasileiro, interrompeu os negócios após cair 10,46%, para 60.470 pontos. As ações da Petrobras chegaram a desabar 20%, enquanto os papéis do setor financeiro, que tem maior peso no índice, também recuaram quase 20%. Os negócios ficaram interrompidos até 10h50. Na reabertura, a Bolsa moderou a queda e passou a cair em torno de 10%. Já no fim da tarde houve nova desaceleração da queda, que ficou em 8,80%. “Nos últimos 12 meses, o mercado subiu pautado no otimismo com o governo Temer, que ele iria conseguir aprovar as reformas da Previdência e Trabalhista. Com a delação, os investidores fizeram um primeiro movimento de pânico, pois ninguém quer ficar exposto a um grau de incerteza muito grande”, afirmou Lucas Marins, analista da Ativa Investimentos.

Juros
A instabilidade também afetou o mercado de juros. Os contratos mais negociados passaram a prever queda menor da taxa básica de juros da economia (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no final de maio. Antes da crise que atingiu o Governo Federal, o mercado trabalhava com um corte de 125 pontos-base a 150 pontos-base. Agora, passa a ver uma queda menor na taxa Selic, de apenas 75 pontos-base, o que levaria os juros a 10,50% ao ano. “Todo mundo apostava em juros para baixo. Agora, não sei se vai ter corte de juros nesta reunião ou se o BC vai esperar o cenário se definir”, avaliou Marins.

O contrato de juros futuros mais negociado, com vencimento em julho deste ano, subiu 10,361% para 10,800%. O contrato com vencimento em janeiro de 2018, que indica a perspectiva para a Selic no final de 2017, avançou de 8,975% para 10,075%. A instabilidade gerada nas taxas de títulos públicos fez o Tesouro cancelar os leilões previstos para ontem. “O Tesouro Nacional informa que, em razão da volatilidade observada no mercado, não realizará os leilões de venda de Letras do Tesouro Nacional – LTN, com vencimentos em 01/04/2018, 01/04/2019 e 01/07/2020 e Letras Financeiras do Tesouro Nacional – LFT, com vencimento em 01/03/2023, programados para hoje (ontem)”, informou o Tesouro, em nota.

Fiec emite manifesto defendendo as reformas

Tendo em vista o escândalo envolvendo presidente Michel Temer, na denúncia do proprietário do Frigorífico JBS, Joesley Batista, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), emitiu um manifesto, no início da noite de ontem, assinado pelos 40 sindicatos que compõem o Sistema Fiec. No documento, demonstrou grande preocupação com a possibilidade de interferência na Operação Lava Jato e destacou ser necessário um posicionamento forte das instituições e de toda a sociedade brasileira, cobrando ética e retidão nas condutas de agentes públicos e privados.
Por causa de toda a turbulência política causada pelas denúncias do empresário, a entidade afirmou que é necessário a sociedade assumir um papel de protagonismo dos destinos do País, sempre seguindo os ditames legais e de maneira ordeira, para que se continue caminhando em direção à recuperação econômica, como vinha ocorrendo. Isso porque, nos últimos meses, a inflação vinha caindo e já havia sido registrado um crescimento de 1,12% no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, no primeiro trimestre deste ano, conforme demonstrou o indicador do Banco Central (IBC-Br), na última segunda-feira (15).

“Tivemos uma importante mudança na configuração política, e voltamos a sonhar com o crescimento. Os indicadores recentes mostram a retomada da curva do crescimento, sinalizando estarmos no caminho certo”, afirma um dos trechos do manifesto. A Fiec também afirmou estar ao lado da sociedade, a fim de evitar desvios que comprometam a trajetória de recuperação, que vinha sendo registrada na economia nacional.

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