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Entidade estudantil é referência no País

segunda-feira, 17 de julho 2017

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Tendo em vista a carência da população em adquirir serviços de qualidade em tantas esferas, inclusive a educacional, um baiano viu uma oportunidade para ofertar não só um, mas um leque de serviços de qualidade – como jurídico, contábil, suporte técnico, além do que se refere ao processo de confecção e trâmite das carteiras de identidade estudantil –, através de um atendimento diferenciado tanto para alunos, instituições, e todas as demais pessoas.

Nesse propósito, Luciano Veloso Casqueiro fundou, em 2010, no Ceará, a Entidade de Apoio aos Estudantes do Brasil (Eaeb), que vem desempenhando, ao longo dos anos, um serviço que prioriza a praticidade e a qualidade para estudantes, organizações de ensino, parceiros e clientes em geral – e ganhando notoriedade no País. Em entrevista ao Jornal O Estado, o fundador e diretor executivo da entidade dá mais detalhes de sua atuação e crescimento no ramo educacional.

O Estado – O que é a Eaeb?
Luciano Casqueiro – A entidade estudantil da gente foi criada diferente da UNE, sem partido político, e que o aluno tem algo de diferente – seja no atendimento das carteiras, jurídico, psicológico – apoio todo dado por uma entidade estudantil, pois sou coordenador do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e sou diretor executivo da Eaeb, criada em 2010 para combater os desmandos da UNE. A gente começou fazendo as carteiras da (faculdade) Estácio, cujos alunos solicitaram, inclusive, que ampliássemos o atendimento para outros cursos. Então, quando assumimos o DCE, em 2012, tínhamos uma produção de 6 mil carteiras e, como a faculdade tinha quase 30 mil alunos, era muito pouca. Então, resolvemos fazer um trabalho diferenciado, que foi abrir o DCE, das 7h30 até às 21h30, de segunda a sexta, sem férias no meio do ano, para que o aluno pudesse saber que, mesmo saindo de férias, teria alguém para atender. Hoje a nossa produção anual é de 28 mil carteiras na faculdade. Ao todo, juntando todas as demais faculdades, temos mais de 50 mil carteiras confeccionadas.

OE – Quais as principais atividades e diferenciais da entidade?
LC – Esse trabalho se tornou uma excelência e a gente conseguiu agregar algumas outras faculdades. Desenvolvemos, através do nosso site (www.eaebcard.com.br), algumas ferramentas, como a consulta de onde a carteira está, a situação dela, gerar a primeira e segunda vias lá. Antes, quem nunca teve carteira, existia a prerrogativa de juntar os documentos e ir à Etufor e, hoje, ele não precisa disso. Basta acessar o site, preencher o formulário, anexar seus documentos e nós vamos entregar, através do e-mail, um boleto para o aluno. Hoje, a Eaeb cuida de todo o trâmite das carteiras de estudante da Prefeitura Municipal de Fortaleza, na macrorregião e meia cultural.

O nosso aluno – do Ari de Sá, Uni7, Ateneu, Estácio e Paulo Picanço – não vai mais à Etufor e não pega mais fila. Quem faz o trabalho todo são os nossos colaboradores, que são alunos que prestam serviços à Eaeb. Então, a gente tem um colaborador em cada faculdade – no mínimo um e, no máximo, três – para que possa atender os alunos, recebendo a documentação, gerando o boleto, pegando a carteira na Etufor e dando, ao aluno, a condição e a qualidade de receber essa carteira pronta, sem ter nenhum trabalho em relação a deslocamento. O aluno é atendido pela gente, seja pelo site ou pessoalmente. Os alunos dessas faculdades têm um serviço personalizado, um atendimento diferenciado.

OE – E como a entidade tem ampliado o atendimento às faculdades?
LC – Temos equipe de pessoas visitando as faculdades, mostrando a carta de referência de todos os locais onde a gente presta serviço hoje, pelo trabalho que a gente vem desenvolvendo junto ao aluno, hoje. A faculdade recebe sua carteira com sua logomarca; o aluno tem dados variáveis dentro dela. E nós pretendemos lançar, no ano que vem, uma carteira que vai vir com quase todos os documentos do aluno, como título de eleitor, CNH, fator sanguíneo o outros elementos. No grupo Ateneu, por exemplo, começamos um projeto de emissão de carteiras a partir de março deste ano. Então, o aluno já conhece o trabalho que a gente faz, e temos um apoio muito grande do grupo Ateneu em relação a espaço, movimentação do nosso aluno. Por exemplo, dos nossos cinco atendentes, quatro são alunos da faculdade, que fazem estágio pela Eaeb, que os remunera para que eles possam tirar, durante o seu dia, a ajuda de custo (transporte e alimentação). Nada melhor do que o aluno cuidar do aluno, e isso é feito dentro da Uni7 e Paulo Picanço, que são faculdades que a gente tem abraçado como projetos, para que a gente possa levar esse serviço a outras faculdades.

OE – Qual a representação da entidade?
LC – Somos referência no Estado do Ceará, e saímos também para oferecer atendimento aos alunos da Bahia, Sergipe, Alagoas, Recife e Natal, tentando entrar nessas cidades para oferecer o mesmo atendimento que acontece no Ceará. Hoje, a Eaeb está em 11 estados da Federação, como representante, com ações junto à Justiça Federal e ações individuais, para que defenda o interesse dos alunos e eles tenham uma assessoria jurídica. Por exemplo, um processo no Ceará custa entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, sendo que, em São Paulo, é R$ 4 mil. O aluno que é associado, filiado à Eaeb, só paga R$ 600,00 para que possa ter essa ação desenvolvida pelo departamento jurídico da entidade. Temos advogados contratados nos Estados para que ele possa entrar e defender os interesses do aluno, como a perda do Fies.

OE – A entidade também vem se destacando com o sistema MobiEduca. Como funciona?
LC – A Eaeb é um braço do MobiEduca aqui no Estado do Ceará. A gente representa o MobiEduca, e, através desse programa, a gente está visitando as prefeituras, os alunos das cidades do interior, para que os alunos possam saber como é que funciona, qual é o projeto e porque que a Eaeb está engajada no MobiEduca. Essa ferramenta é completa, porque há aproximação da família junto ao Poder Público. Além disso, há todo o monitoramento do aluno, da hora de entrada, alimentação e saída; controle de suas notas; frequência, com relação à sua vida acadêmica; participação de todos os alunos na construção dessa escola, que a gente deseja, e a Eaeb entente que é o melhor caminho em relação à educação. Hoje, em função do trabalho, as famílias se afastaram, um pouco, da escola. Então, os pais saem e largam seus filhos na escola. O largar os filhos na escola significa que, à noite, eles voltam para seus lares e encontrar seus filhos – e não havia aquela conversa. Hoje, onde estiver, os pais vão ter a informação, em tempo real, de como funciona. Por isso que a Eaeb, está fazendo um trabalho em todo o Estado do Ceará, mandando nosso representante e falando com os líderes estudantis a fim de que ele vá ao vereador e ao prefeito para que conheça o projeto.

OE – E como se dá esse acompanhamento?
LC – Todo aluno recebe um cartão, com o qual é feito um cadastro, juntamente com o cadastro do pai e da mãe. Então, quando o aluno entra na escola, ele o deixa com o porteiro, então, na hora que ele entre na escola, o pai recebe, de forma personalizada, uma mensagem informando que o seu filho está na aula. Isso é uma coisa extremamente importante, porque se está havendo uma evasão escolar, o prefeito tem como saber, porque há um monitoramento de cada sala e cada aluno e o índice escolar de cada um e ver o que precisa melhorar em relação a esse sistema implantado.

OE – Como tem sido o retorno das prefeituras de onde o Eaeb já atua?
LC – O retorno que temos dos prefeitos é que, todos eles, ao conhecerem o MobiEduca, ficam encantados. O problema é que, ou eles receberam a prefeitura com poucos recursos ou elas estão muito endividadas. Tem muitos prefeitos que estão reformando escolas para tentar implantar o sistema. Através dele, o prefeito terá uma ferramenta pela qual poderá, ainda, avaliar professores, coordenadores, pessoal que cuida das merendas, e entrada e saída de alunos.

OE – Há números quanto à adesão de escolas e municípios no Ceará?
LC – Já fizemos visitas a Pacatuba, Pacoti, estamos para fazer uma apresentação em Caucaia e negociando com o prefeito de Fortaleza, já que seu secretariado já viu o projeto MobiEduca. Na Bahia, por exemplo, a gente tem em Riachão de Jacuípe, Feira de Santana e Salvador – que está em processo de negociação. Então, esse projeto já anda em todos os estados, porque onde a Eaeb tem sua sede a gente está fazendo com que cada multiplicador e cada aluno – já que a entidade é formada por alunos – compre a ideia, vista essa camisa e possa ajudar a fazer com que as famílias entendam seu papel na educação de seus filhos.

OE – O trabalho é só com prefeituras ou inclui governos estaduais?
LC – A gente trabalha tanto com prefeituras como governos estaduais. Em Teresina (Piauí), já temos ações tanto na prefeitura como no governo do estado. E está em trâmite de negociação em São Luís, no Maranhão, e algumas capitais do Brasil que estamos visitando, porque educação não é um cuidado só do prefeito, mas do governador, do deputado e do vereador. Pensar em educação é envolver a sociedade e o poder público para ter um embasamento e um direcionamento em relação ao que ele precisa dar de resultados.

OE – Quais os resultados quanto à redução da evasão após o uso da plataforma?
LC – Conseguimos reduzir em até 50%. E o interessante é que um aluno vai puxando outro, porque, ao encontrar outro colega na rua, o incentiva a ir à aula. Isso está fazendo com que o aluno se aproxime da escola. A nossa intenção, através do MobiEduca e Eaeb é que se perca menos pessoas possíveis, e mostra que, através da educação, elas podem transformar suas vidas. E não importa se elas vêm de família rica ou pobre, mas têm que entender que se estudar, tiver determinação e foco, elas vão chegar onde desejam.

OE – Com quantas escolas já atua?
LC – Em Teresina são mais de 400 escolas e lá é uma referência no Brasil, pelo bem que a iniciativa está causando e trazendo para a família. Ao todo, são mais de cinco mil alunos cadastrados e a tendência é ter, cada vez mais, um número elevado de alunos.

OE – E qual a repercussão entre os alunos?
LC – Os alunos se sentem acompanhados e sabem que tem alguém que olha para eles e ver o que está acontecendo, se não vai bem em matemática, por exemplo – se o problema está no aluno ou no professor –, e tentar, em família, resolver essa situação. Então, o diretor da escola pode saber o porquê de um professor que tem 50 alunos em sala, mas 30 estão faltando. Se está havendo uma evasão e o motivo, se é a falta de interesse dos alunos ou a didática do professor, enfim. Então, há toda uma estrutura montada para que se possa ter um acompanhamento em relação a esse sistema.

Anderson Cid Gurgel
Especial para economia

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