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10 comidas italianas que mudamos tanto que já podemos chamá-las brasileiras

terça-feira, 19 de dezembro 2017

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Com a chegada dos imigrantes italianos ao Brasil, no final do século 19, várias iguarias e pratos típicos do Mediterrâneo foram recriados ou adaptados à nossa cultura. Entre os principais fatores que levaram ao desenvolvimento dessas criações está a falta de ingredientes e de métodos, além da perda de receitas ou sua evolução pelas mãos das gerações seguintes. Veja algumas releituras de dar água na boca.

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Bife à parmegiana

Acompanhamento comum de pratos feitos, ou PFs, o filé empanado com farinha de trigo e ovos e coberto com molho vermelho e queijo, surgiu na cidade de São Paulo e não em Parma, ao norte da Itália. Por lá, na Europa, o que existe é a “parmigiana di melanzone”, que basicamente é uma lasanha de berinjela apreciada nas cidades de Parma, Nápoles e Sicília. A versão brasileira está mais para outra receita italiana conhecida por “carne alla pizzaiola”, um bife coberto com molho de tomate, mas que é servido sem muçarela.

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Sorvete napolitano

O sabor tricolor de morango, creme e chocolate é muito consumido por aqui, onde se espalhou uma lenda que diz que os primeiros imigrantes italianos que chegaram à América vindos de Nápoles teriam encomendado um sorvete com as cores da bandeira de sua pátria. Porém, na falta de um sabor de cor verde substituíram-no por chocolate, que foi bem aceito por ser docinho. O excesso de açúcar, inclusive, é uma característica marcante dos sorvetes brasileiros, que, ao contrário dos tradicionais gelatos (sorvetes italianos), também não são produzidos com ingredientes in natura.

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Macarrão à bolonhesa

Tradicionalmente, o molho é conhecido por “ragu” e é cozido por horas em fogo brando, o que o deixa mais encorpado e com gosto acentuado. A receita também leva pouco tomate, além de carne de vitela, de porco ou de coelho, vegetais e vinho. Já a releitura brasileira é bem mais simples e preparada com muito extrato de tomate e carne bovina moída. Mas a principal diferença é que aqui nós o servimos com macarrão tipo espaguete e na Itália ele complementa uma massa fresca chamada “tagliatelle”.

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Queijo parmesão

O que é vendido no Brasil é um queijo “tipo parmesão”, mas bem diferente do original, típico da cidade de Parma, na Itália. Por lá, o parmesão é chamado de “parmigiano-reggiano” e não é misturado com queijo coalho desidratado, como aqui, e nem vendido em pacotinhos industrializados. Além disso, por ser feito artesanalmente, com mais leite e ter um tempo de cura maior, é mais denso (chega a pesar 40 quilos) e amarelo do que as versões brasileiras.

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Pizza de vários sabores

Na Itália, mais importante que o recheio é a massa, que no Brasil não é tão levada a sério. Por aqui, pizza que é boa tem cobertura volumosa e aceita todo tipo de ingrediente. Vale misturar batata palha com frango, milho, creme de leite e catupiry. Variações com muito queijo, frutas e doces também são comuns por aqui, mas não existem no cardápio dos italianos, que preferem pizzas de salsicha, alcachofra e presunto cru. Por lá, ainda, não se pede pizza meio a meio e tampouco se come cortada em fatias triangulares ou com talheres.

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Palha italiana

Foi inventada no sul do Brasil a partir de uma receita portuguesa copiada e adaptada pelos descendentes de italianos e que se chama “salame de chocolate”. Embora a base do doce original, feita de chocolate e biscoitos, tenha permanecido quase a mesma, o recheio foi totalmente modificado. No lugar da massa preparada com ganache, amêndoas, nozes e frutas secas, os gaúchos adotaram o brigadeiro com pedaços de amendoim triturado, que não tem na Itália.

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Fogazza

Não confunda com a “focaccia” italiana, um pão assado e quadrado temperado com azeite, alecrim e sal grosso. A fogazza brasileira, típica em festas católicas de São Paulo e que homenageiam os santos italianos, consiste em uma massa de farinha e batata que é frita e recheada com queijo, tomate e linguiça calabresa moída. Acredita-se que a inspiração para sua criação seja o “panzerotto”, um pequeno pastel italiano com recheio similar.

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Rondelli

No Brasil, especula-se que esse nome surgiu da junção das palavras “rolo” e “redondo”, mas na Itália o correto é “rotoli” ou “rotolini”. Além de a grafia ser parecida, a receita também é, mas só no que compete ao recheio. Tanto aqui como na Europa, as combinações presunto e muçarela ou ricota e espinafre são bem aceitas. Diferente mesmo é a qualidade dos ingredientes. A ricota brasileira, por exemplo, é muito dura e para ficar similar à italiana precisa ser processada e misturada com leite integral e creme de leite para ficar em ponto de creme.

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Linguiça calabresa

Na Calábria, no sul da Itália, não existe esse nome de linguiça, que pode ser considerada genuinamente brasileira. A confusão toda foi criada por causa da pimenta calabresa, ou peperoncino, que confere a um tipo de embutido típico do Mediterrâneo chamado “salsiccia cacciatora” um sabor parecido com a nossa calabresa – só que bem mais ardido. E ainda há alterações de tipo de carne e condimentos entre os dois tipos.

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Cappuccino com chocolate e canela

Até a mistura simples de café expresso em leite e creme do leite vaporizado não ficou livre de alterações quando chegou ao Brasil. Acredite se quiser, mas na região central da Itália, onde a bebida foi criada, não existe o hábito entre as pessoas de adicionar chocolate ou mesmo canela em pó por cima da xícara. Acredita-se que essa moda brasileira tenha começado no Rio Grande do Sul, talvez na cidade de Canela, fundada em grande parte por colonos vindos da Itália.

Fonte: UOL

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