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Secovi-CE prevê retomada do mercado imobiliário no Estado

Diante de um ano de incertezas e economia fraca, segmento deve encerrar 2018 estável, mas cenário deve começar a se reverter no próximo ano

segunda-feira, 12 de novembro 2018

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Enquanto os passos lentos da economia não mostraram, de fato, uma retomada consistente em 2018, o mercado imobiliário, no Ceará, está em relativo compasso de espera. Isso porque, segundo o Sindicato da Habitação (Secovi-CE) – entidade representa cerca de 6,5 mil empresas e condomínios no Estado –, três variáveis devem estar em sintonia, no caso, renda da população, juros e prazo de financiamento. Apesar desses dois últimos terem melhorado, o desemprego ainda elevado prejudicou a renda das famílias, logo, a renda fica comprometida e acaba impactando o segmento. Para este ano de 2018, a entidade não contabiliza crescimento, mas estabilidade frente a 2017. Mas com a definição do cenário político, a perspectiva é de retomar o caminho do crescimento a partir de 2019.
O presidente do Secovi-CE, empresário Sérgio Porto, destacou que o ano de 2018, para o setor imobiliário, ficou estacionado porque, além da economia, a questão política também pesou. “Tínhamos essas indefinições, e estávamos com uma política muito radicalizada – com duas propostas, praticamente, antagônicas de governo – e, naturalmente por conta disso, a economia ainda está se restabelecendo, aos poucos”, destacou o dirigente.

Comportamento
Ao falar do recuo do mercado nos últimos anos, por conta da crise, Porto menciona a contratação de financiamentos imobiliários, que, no País, chegou a 500 mil unidades por ano, em 2013, no sistema SFH/poupança. “Temos, hoje, cerca de cento e poucas mil unidades financiadas por ano. Já pensou no freio?!”, comparou Sérgio. “E isso sem falar no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que chegou a 1,4 milhão por ano, para se ter uma ideia do que é o mercado. Poupança e empréstimo chegou a 500 mil unidades/ano – empréstimos durante dois anos seguidos. E agora, em 2017 (ùltimo dado), chegou a 100 mil imóveis por ano, ou seja, um mercado que chega a 20% do que já foi”, acrescentou o empresário.
Sobre 2018, Porto destacou que, em relação ao primeiro semestre, o segundo sempre é melhor, em termos de resultados, quer seja em termos de venda de imóveis em si, “porque as pessoas se programam para passar o fim de ano e as festas em um apartamento ou casa nova, ou mesmo em adquirir o que a gente chama de segunda residência, que são os apartamentos de praia”. “E assim se dá também com o aluguel, pessoas que querem empreender, e buscam alugar lojas e salas para desenvolver seus negócios visando o faturamento dos últimos meses do ano”, completa o presidente.

Estoque
Com relação à comercialização, os números já dão indicativos de que poderá confirmar as projeções de crescimento para 2019. Até setembro último, enquanto houve 1.213 unidades lançadas (cujo valor total de vendas chegou a R$ 535,88 milhões), 2.099 foram vendidas em igual período, desde janeiro (movimentando R$ 1,08 bilhão), em todo o Ceará, informou o Secovi-CE. “O mercado (em 2018) está se ajustando, vendendo, mais do que lançando”, ressaltou Sérgio Porto.
O dirigente aponta que o estoque está sempre relacionado a algumas variáveis: renda da população, que caiu; taxa de juros, que está menor; e prazo de financiamento e contratação. “Quando esses indicadores estão positivos, esse estoque rapidamente é absorvido”, disse o presidente. Ele reforça que a renda da população está comprometida, embora a taxa de juros esteja boa, “mas ninguém vai tomar (financiamentos)”.
Já o prazo de financiamento, explica o empresário, varia conforme o banco, “mas está razoável, embora já tivemos melhor prazo – de 35 anos para a parte residencial –, enquanto hoje, na parte comercial, há bancos que operem com 10 a 15 anos – e na parte residencial com 30 anos”. “Como é um tripé, nenhum deles, por si só, resolve. Então, enquanto tivermos com essa questão da renda prejudicada, é muito difícil fazer um encaixe em que as pessoas comprem imóveis – que dê volume para ter um mercado positivo”, asseverou o dirigente. “Mas como empresário e pessoa vivida no ramo, com 36 anos de experiência, o ano que vem, com tudo isso enxuto (economia e desemprego), teremos uma base para o crescimento. Vislumbro um 2019 um pouco melhor que 2018”, prevê o dirigente.

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