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Funerais de luxo têm até diamantes de cinzas

segunda-feira, 20 de fevereiro 2017

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imagem: Divulgação/Crematório Vaticano

imagem: Divulgação/Crematório Vaticano

Assim que soube da morte de Michael Jackson, em 2009, Nelson Pereira Neto programou uma viagem a Los Angeles (EUA) para assistir ao funeral do cantor. A ideia era se inspirar para trazer ao Brasil novidades no mercado de funerais de luxo — serviço que, aos poucos, começa a ganhar visibilidade no País.

Neto é gerente do departamento de serviços fúnebres do Grupo Bom Pastor, que atende cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais. “Fomos a primeira empresa brasileira a oferecer o funeral car”, afirma, referindo-se a uma Limousine preta adaptada para transportar o caixão entre o velório e o enterro. Dos Estados Unidos, importou também a revoada de pombos. “Durante o sepultamento, ao som de violino, os pombos-correios são soltos para representar a paz.” Adestradas, as aves retornam às gaiolas em seguida.

Segundo ele, os diferenciais são um esforço para humanizar o serviço fúnebre e permitir que a última impressão deixada pelo falecido seja marcante. “Antigamente, viam-nos como papa-defuntos. Estamos mudando isso. Afinal, o funeral é a última vez que a pessoa vai estar em um evento social, na presença da família e dos amigos, e precisa ser em grande estilo.”

Maquiagem e cinzas na Nasa

Nas despedidas, afirma Neto, a aparência do falecido conta muito. Por isso, a empresa oferece necromaquiagem, feita com Air Brush, um pincel a jato da marca Catharine Hill, especializada em maquiagem artística. Outro destaque é a tanatopraxia ou embalsamamento, técnica em que os fluidos corporais são retirados e substituídos por formaldeído para maior conservação. “No passado, quando a pessoa morria de infarto, ficava com a pele arroxeada e algodões nas narinas e nos ouvidos. Isso causava uma má impressão. Agora não acontece mais.”

Nos casos de mortes violentas, é possível fazer a reconstituição facial com uma cera especial que elimina imperfeições. “Dá a impressão de que a pessoa está em um sono tranquilo e profundo.” Comuns nos Estados Unidos e na Europa, esses serviços ainda são raros por aqui.

O grupo funerário Bom Pastor trabalha com pacotes, sendo o mais luxuoso no valor de R$ 48 mil. “Aí estão incluídos maquiagem, caixão espanhol, rosas argentinas, sala exclusiva e ornamentada para velório, além de buffet completo. Temos até lembrancinhas para a missa de sétimo dia.”

Famílias que optam pela cremação podem ainda solicitar o envio das cinzas para o espaço. “Temos uma parceria com uma empresa que envia as cinzas para a Nasa (agência espacial americana) por 3.600 dólares.”

Aroma calmante e diamante feito de cinzas
Foi em um congresso no Canadá que Mylena Cooper, diretora do Crematório Vaticano, descobriu a possibilidade de encomendar fragrâncias para aromatização de velórios que fossem capazes de oferecer bem-estar e conforto às famílias. O grupo, também especializado em funerais de alto padrão, é formado por funerárias, crematórios e capelas da região metropolitana de Curitiba (PR) e de Santa Catarina.

Na Vaticano, a locação da sala mais luxuosa para velório, a Diamond Vip Room, custa R$ 5 mil. Automatizada, a sala pode ter aroma, música e iluminação escolhidos por tablet. De madrugada, a empresa oferece um caldo aos familiares e disponibiliza camas e sofás para descanso.

O mais curioso é a opção dada a quem não quer guardar as cinzas provenientes da cremação em uma urna:  transformá-las em um diamante, produzido na Suíça. Dependendo do tamanho e do formato, a pedra custa de 4 mil a 30 mil dólares.

A empresa calcula que um funeral de luxo completo, incluindo cerimonial, sala especial, buffet, chuva de pétalas e diamante de 0.3 quilates, entre outros serviços, custe cerca de R$ 46.500. O item mais caro é o caixão –ou urna, na linguagem funerária– que sai por até R$ 25 mil.

Funeral de luxo via município  
Na cidade de São Paulo, por lei, o SFMSP (Serviço Funerário do Município de São Paulo) presta com exclusividade serviços de funerais e homenagens. Isto inclui a remoção do corpo para velório, sepultamento ou cremação. Mesmo assim, também é possível contratar um funeral de luxo.

O pacote mais caro, chamado Orquídea, inclui traslado do corpo em Limousine, caixão de madeira maciça em louro vermelho com acabamento pátina em verniz de alto brilho e visor em acrílico. Também estão incluídas as flores que ficam ao redor do corpo, estrado e castiçais, mesa de condolência (suporte para o caixão), véu rendado, jogos de velas e sala para velório.

O custo do serviço é R$ 21.175,19 (com enterro) ou 23.561,16 (com cremação). Há um crematório e 22 cemitérios públicos na capital, mas os jazigos precisam ser comprados pelas famílias. Nos cemitérios particulares, os serviços são cobrados à parte.

Das 114 salas de velório públicas, duas (Vila Mariana e São Paulo) oferecem maior privacidade e banheiro exclusivo por mais R$ 2.552.

Bem-velado: o bem-casado do velório
Também é possível realizar o velório em uma empresa particular. Funcionando há nove anos em um casarão nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, o Funeral Home ficou famoso pelos bem-velados, docinhos póstumos oferecidos como opção no buffet. No local, há quatro salas, algumas delas com lareira, dois ambientes e varanda. A empresa também realiza maquiagem, tanatopraxia e reparação facial e presta assessoria para que a família não tenha que se preocupar com a burocracia. Valores sob consulta.

Fonte: UOL

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