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Pesquisa revela como brasileiro encara envelhecimento; solidão é maior medo

segunda-feira, 30 de outubro 2017

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Um levantamento feito com dois mil homens e mulheres acima dos 55 anos traçou um perfil do brasileiro na terceira idade. A pesquisa, divulgada nesta quarta (25), revelou que 37% dos entrevistados não pensam sobre como irão envelhecer e que 54% não se sentem velhos. O maior deles é o de ficarem sozinhos à medida que os anos passam, seguido pelo temor de dependerem das pessoas ou ter alguma doença.

Os números, colhidos pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em parceria com a farmacêutica Bayer, mostram como pensa uma população que em breve será uma das maiores do país. Em 2050, a previsão é a de que 66 milhões de brasileiros estejam acima dos 60 anos –cerca de um terço da população–, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Isso porque a medicina e as condições de vida avançam e a nossa expectativa de vida também –ela já saltou de 45 anos nos anos 1940 para os atuais 75 anos. Em 2041, a projeção é que essa média alcance 81,2 anos.

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Para os especialistas, esse é um fato antes de tudo a ser comemorado. “O Brasil está alcançando um patamar interessante e envelhecer é uma conquista da sociedade”, comenta Maísa Karalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo.

A mudança, chamada de transição demográfica é encarada como positiva, mas representa desafios em diversos setores, da saúde à economia. “O principal foco deve ser empoderar estas pessoas, acreditar nelas no mercado do trabalho, como algumas empresas já fazem, e ampliar a promoção de uma vida mais ativa, independente e saudável”, elenca Maísa.

“Já temos algumas diretrizes bem desenhadas de saúde pública neste sentido, mas elas precisam ser mais encorajadas e colocadas em prática efetivamente”, aponta. Tanto que 85% dos entrevistados acreditam que o Brasil não está preparado para cuidar dessa parcela da população. A preocupação com o apoio do poder público, entretanto, não é a única que passa pela cabeça de quem tem mais idade.

Eles não querem ficar sozinhos

27% dos respondentes imaginam um futuro cercado de uma família grande, curtindo os netos. Além disso, 29% teme a solidão. Não é à toa: evitar o isolamento é um dos fatores considerados cruciais para viver bem a terceira idade. Para se ter ideia, um estudo da Universidade de Harvard que acompanha as mesmas pessoas há 80 anos, apontou no ano passado que os relacionamentos são a chave para uma vida não só longa, mas saudável e feliz. “É sabido que pessoas com vínculos envelhecem melhor e que a depressão, por outro lado, piora este processo”, aponta Maísa.

Como preparar o corpo para viver mais tempo

Um dos termos mais usados aqui é a resiliência, capacidade do corpo de se adaptar aos desafios e estímulos que receberá na vida. Ela é adquirida, segundo os médicos, com a manutenção de quatro capitais: social, conhecimento, financeiro e saúde.

Mas para envelhecer com saúde e adquirir a tal resiliência, será preciso primeiro mudar a percepção de saúde que todos temos hoje. Prova disso é que a maioria dos entrevistados, cerca de 62%, já está com alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão. E 63% se considera saudável mesmo assim.

“Não se deve pensar apenas em envelhecer bem, os cuidados começam cedo, já na infância. Se uma pessoa adquire hábitos alimentares ruins no começo da vida, será mais difícil romper com isso depois”, estabelece Maísa. As intervenções precoces diminuem as chances, por exemplo, do idoso ficar dependente de alguém –justamente o seu segundo maior medo hoje.

Fonte: UOL

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